O que mudou para os filmes de games finalmente conquistarem Hollywood?

Depois de anos de fracassos, Hollywood encontrou nas adaptações de games uma nova fórmula para conquistar o público.

Conteúdo por Antonio Guaranys

Games e cinema passaram décadas tentando encontrar a melhor forma de conversar entre si.

Durante muito tempo, adaptações de jogos chegaram às telonas sem conseguir reproduzir aquilo que fazia aquelas histórias serem tão queridas pelos jogadores.

E Super Mario Bros., de 1993, é um dos exemplos mais lembrados desse período.

Mesmo sendo baseado em um dos maiores personagens da história dos games, o filme não conseguiu agradar os fãs do encanador vermelho e arrecadou cerca de US$ 38,9 milhões nas bilheterias mundiais, diante de um orçamento estimado entre US$ 42 milhões e US$ 48 milhões.

Bob Hoskins e John Leguizamo interpretam Mario e Luigi na adaptação de 1993
Bob Hoskins e John Leguizamo interpretam Mario e Luigi na adaptação de 1993 - Buena Vista Pictures/Divulgação

Mas essa relação começou a mudar nos últimos anos, acompanhando também o crescimento da própria indústria de games, que ultrapassou a marca de US$ 200 bilhões em receita global em 2025.

Com jogos cada vez mais sofisticados visualmente e um público acostumado a mundos que parecem cada vez mais próximos do cinema, Hollywood passou a enxergar nessas franquias um mar de oportunidades a serem exploradas.

Entre os motivos para essa mudança, um dos principais é que finalmente a tecnologia conseguiu acompanhar a imaginação dos gamers.

Pokémon: Detetive Pikachu, lançado em 2019, ajudou a mostrar esse novo momento.

O filme levou para as telas uma versão muito mais próxima do imaginário dos jogadores e arrecadou cerca de US$ 433 milhões mundialmente, mostrando que uma adaptação baseada em games poderia conquistar tanto quem já conhecia aquele universo quanto quem estava chegando pela primeira vez.

A tecnologia finalmente alcançou os games

A evolução dos efeitos visuais foi fundamental nesse processo. Depois de anos em que a tecnologia cinematográfica parecia não conseguir traduzir aquilo que os jogadores imaginavam ao jogar, personagens, criaturas e mundos digitais passaram a ganhar uma representação cada vez mais convincente nas telas.

E foi justamente essa aproximação entre o que existia nos consoles e aquilo que o cinema conseguia entregar que ajudou a abrir espaço para a nova onda de adaptações.

Desde então, os estúdios não perderam tempo e passaram a investir pesado nessa nova relação entre games e cinema. Franquias como Sonic, Super Mario Bros. e Minecraft mostraram que personagens e universos já conhecidos pelos jogadores também poderiam conquistar um público gigantesco nas telonas.

A tendência, porém, está longe de terminar. Com novas adaptações a caminho, como o live-action de The Legend of Zelda, os games parecem ter deixado definitivamente de ser apenas uma fonte de inspiração para Hollywood.

Link e Zelda aparecem nas primeiras imagens oficiais do live-action de The Legend of Zelda
Link e Zelda aparecem nas primeiras imagens oficiais do live-action de The Legend of Zelda - Nintendo/ divulgação X

Em um mundo onde a atenção do consumidor está cada vez mais fragmentada entre streaming, redes sociais e diferentes formas de entretenimento, produzir filmes que já chegam aos cinemas acompanhados por fãs apaixonados parece uma aposta cada vez mais óbvia.

Afinal, depois de décadas tentando fazer os games caberem no cinema, talvez Hollywood finalmente tenha aprendido que não precisa mudar esses universos para que eles funcionem nas telonas — precisa apenas saber como levá-los para lá.