3 focas seguiram fileiras de turbinas no Mar do Norte e transformaram bases eólicas em pontos de caça que surpreenderam os cientistas
Mamíferos marinhos aproveitam instalações humanas no oceano, adaptando rotas de caça com extraordinária precisão
As águas geladas do oceano revelam uma fantástica capacidade de adaptação da vida marinha às criações humanas modernas. No Mar do Norte, mamíferos inteligentes descobriram que as estruturas metálicas das turbinas offshore funcionam como excelentes pontos para encontrar alimento abundante.
Como as focas transformaram turbinas eólicas em áreas de alimentação?
Três espécimes da espécie foca-comum chamaram a atenção de especialistas ao nadar sistematicamente entre as fileiras de parques eólicos. Os animais percorriam trajetos retilíneos nos complexos de Sheringham Shoal e Alpha Ventus, utilizando cada fundação como uma promissora parada de caça.
Ao chegarem perto das gigantescas colunas submersas, os mamíferos reduziam consideravelmente a velocidade de deslocamento. Essa mudança brusca de ritmo indicou que as focas realizavam uma busca concentrada por presas, convertendo instalações industriais em um rico território para sua constante alimentação.
De que maneira o rastreamento revelou os padrões de caça no mar?
A equipe coordenada pela pesquisadora Deborah Russell, da University of St Andrews, fixou aparelhos de GPS nos animais. O monitoramento divulgado pela Current Biology registrou cada mergulho executado pelas focas no oceano durante as semanas de intensa investigação.
Os gráficos obtidos revelaram uma impressionante malha geométrica, comprovando que os mamíferos seguiam fileiras perfeitamente ordenadas. Em vez de vagar sem rumo pelo leito arenoso, os animais navegavam deliberadamente entre as colunas metálicas, explorando com extraordinária precisão cada estação do complexo de geração.
Abaixo, um vídeo do canal New Scientist no YouTube que demonstra as trajetórias registradas pelos pesquisadores:
Por que as estruturas marinhas artificiais atraem presas aquáticas?
A introdução de pilares sólidos em fundos oceânicos planos transforma completamente a dinâmica ecológica local. Essas superfícies submersas favorecem a rápida fixação de crustáceos e mexilhões, estabelecendo a base de uma rica cadeia alimentar que converte qualquer pilar de aço em verdadeiro refúgio.
Com a proliferação constante de invertebrados nas paredes metálicas, diversas espécies de peixes pequenos encontram abrigo seguro contra fortes correntes. Esse agrupamento volumoso atrai peixes maiores e predadores de grande porte, consolidando um dinâmico ponto de concentração com ampla biodiversidade.
Diversos elementos marinhos colonizam essas fundações e estruturam o habitat subaquático:
- Fixação inicial de cracas, anêmonas e mexilhões na estrutura submersa;
- Aglomeração de pequenos peixes que aproveitam as frestas para proteção;
- Chegada de grandes cardumes em busca de matéria orgânica acumulada.
Quais benefícios ecológicos essas fundações oceânicas oferecem?
Além de proporcionarem alimento farto, os parques eólicos offshore estabelecem verdadeiros refúgios onde a pesca predatória de arrasto é totalmente restrita. Essa proteção involuntária permite que populações de peixes prosperem com tranquilidade, fortalecendo a estabilidade daquele ambiente e beneficiando toda a fauna.
Para mamíferos como a foca-comum, a previsibilidade espacial das presas diminui o gasto energético com longas viagens oceânicas. O conhecimento exato das colunas artificiais otimiza cada mergulho, garantindo taxas elevadas de sucesso na busca por alimento e aumentando a sobrevivência da população.
As principais vantagens ecológicas observadas nessas áreas protegidas incluem:
- Diminuição direta do impacto causado por embarcações de pesca industrial;
- Criação de corredores ecológicos estáveis em regiões marinhas degradadas;
- Menor gasto energético durante as jornadas de alimentação dos predadores.
O que essas descobertas revelam sobre o futuro dos parques eólicos?
A expansão contínua da matriz energética sustentável pelo mundo exigirá projetos que considerem cuidadosamente o impacto nas espécies oceânicas. Saber que estruturas artificiais criam novos refúgios ecológicos oferece valiosas orientações para engenheiros e biólogos que projetam o desenvolvimento de complexos em alto mar.
O comportamento observado nas focas confirma a extraordinária capacidade dos animais selvagens de se adaptarem a elementos industriais modernos. Integrar a preservação biológica aos novos parques marítimos fortalece o compromisso ético de gerar energia limpa enquanto protegemos a vida e o planeta.

