7 erros ao comprar uma muda frutífera que podem atrapalhar o pomar planejado para a frente de casa
Decisões tomadas ainda no viveiro influenciam o futuro das árvores.
A muda frutífera que você leva do viveiro decide se a frente de casa vai dar fruta em dois ou três anos ou ganhar uma árvore que só faz sombra. Enxertia, sanidade e procedência pesam mais do que o preço da etiqueta. Boa parte dos problemas que aparecem depois do plantio começa na hora da compra.
Por que a procedência da muda frutífera define o futuro do pomar?
O erro 1 é comprar em feira, na beira da estrada ou de vendedor sem endereço fixo. A muda frutífera é o insumo mais importante do plantio, e uma planta contaminada leva fungos, cochonilhas e viroses direto para o canteiro. O prejuízo costuma aparecer anos depois, quando a árvore já ocupa espaço e continua sem florir.
Viveiros registrados e mudas enxertadas
Os viveiros que produzem e vendem mudas precisam estar inscritos no Renasem, o registro nacional mantido pelo Ministério da Agricultura. Pedir esse número e a nota fiscal é o jeito mais simples de evitar o erro 2, que é escolher só pelo verde das folhas.
O erro 3 é levar muda de pé franco, aquela que nasceu de semente, achando que ela é igual à enxertada. A planta de semente pode ser bem diferente da árvore-mãe, demora mais para produzir e cresce muito mais alta. Na mangueira, por exemplo, a propagação recomendada é a enxertia, que une a copa de uma variedade conhecida a um porta-enxerto mais resistente.

Sinais de alerta na raiz, no caule e nas folhas
Vale visitar o viveiro antes de fechar a compra para ver o volume de raízes e o estado geral da planta. Fique atento a estes sinais, que resumem os erros 4 e 5:
- Erro 4: aceitar raiz enovelada ou saindo pelo fundo do saquinho, sinal de muda velha que passou tempo demais no recipiente;
- Erro 5: ignorar manchas, galhas, cochonilhas ou folhas amareladas, que indicam praga ou falta de nutrientes;
- caule torto ou com o ponto de enxertia mal cicatrizado;
- torrão que se desmancha quando você levanta a embalagem.
O que a Embrapa ensina sobre porta-enxerto e variedade
A Embrapa desenvolve e testa variedades de copa e porta-enxertos adaptados às diferentes regiões do país. Para a mangueira, a Embrapa orienta escolher primeiro o porta-enxerto e depois a variedade copa. É o porta-enxerto que garante o sistema radicular, a absorção de água e a adaptação ao solo.
Daí vem o erro 6: comprar uma variedade que não combina com o clima da sua cidade. Macieira plantada em região quente quase não floresce por falta de frio no inverno. Pergunte ao viveirista qual porta-enxerto foi usado e se a cultivar é indicada para a sua região, informação que muitas vezes vem de pesquisas da Embrapa.

Qual árvore cabe no pomar doméstico da frente de casa?
O erro 7 é escolher a espécie sem medir o espaço. No pomar doméstico da frente de casa, a árvore divide lugar com calçada, muro, fiação e encanamento. Antes de comprar, considere:
- o porte adulto da planta, já que uma mangueira comum pode passar dos 10 metros de altura;
- a distância entre a cova e paredes, tubulações e a rede elétrica;
- espécies de menor porte, como pitangueira, aceroleira e romãzeira, que se ajeitam em faixas estreitas;
- a incidência de sol direto, porque a maioria das frutíferas precisa de pelo menos seis horas de luz por dia.
Um pomar que começa bem no viveiro
Planejar o pomar doméstico com calma evita ter que arrancar uma árvore improdutiva depois de três ou quatro anos de espera. Com muda enxertada, procedência comprovada e espécie no tamanho certo para o terreno, a primeira colheita chega bem mais cedo.
Na hora da compra, leve anotada a variedade que você quer, confira o registro dos viveiros e examine a raiz ainda no recipiente. Uma boa muda frutífera, plantada em cova bem adubada e regada com frequência nas primeiras semanas, começa a encher a frente de casa de flores, frutos e passarinhos.