A África pode não se dividir em dois, mas em três continentes

A crosta terrestre é formada por placas tectônicas que se movem lentamente.

A ideia de que a África pode se dividir em três continentes vem de novas pistas geológicas encontradas no sul do continente. Além da famosa Fenda da África Oriental, já conhecida por separar lentamente a Placa Somali da Placa Núbia, pesquisadores identificaram sinais de uma possível nova zona de ruptura na região da Fenda de Kafue, na Zâmbia.

Pesquisadores ligados à Universidade de Oxford estudaram fontes termais na Fenda de Kafue, na Zâmbia, e analisaram gases liberados ali.
Pesquisadores ligados à Universidade de Oxford estudaram fontes termais na Fenda de Kafue, na Zâmbia, e analisaram gases liberados ali. - Imagem gerada por IA

Por que se fala que a África está se partindo?

A crosta terrestre é formada por placas tectônicas que se movem lentamente. No leste africano, esse movimento já criou o Sistema de Rift da África Oriental, uma enorme faixa de fraturas e vales onde o continente está sendo esticado ao longo de milhares de quilômetros.

Esse processo pode, em milhões de anos, separar uma porção oriental da África e abrir espaço para um novo oceano. A região de Afar, no nordeste africano, é um exemplo clássico de junção tripla, onde diferentes braços de rift se encontram e mostram como a crosta continental pode começar a se romper.

O que há de novo na descoberta da Zâmbia?

Pesquisadores ligados à Universidade de Oxford estudaram fontes termais na Fenda de Kafue, na Zâmbia, e analisaram gases liberados ali. A composição de hélio e carbono indicou origem profunda, a pelo menos 30 quilômetros de profundidade, sugerindo que gases do manto estão subindo por uma zona tectonicamente ativa.

Segundo a hipótese apresentada, essa região pode fazer parte de uma zona de rift muito maior, com cerca de 2.500 quilômetros de extensão, possivelmente conectando áreas desde a Tanzânia até a Namíbia. Se esse processo evoluir, o continente africano não se dividiria apenas em dois blocos, mas poderia formar uma separação adicional no sul.

Como uma fenda pode virar um novo continente?

Um rift começa quando a crosta é esticada e afinada. Com o tempo, surgem falhas, vales, pequenas atividades sísmicas e, em alguns casos, vulcanismo. Se o processo continuar por milhões de anos, a crosta pode se romper completamente e permitir a entrada de água oceânica.

  • A crosta começa a se esticar lentamente.
  • Falhas se formam e partes do terreno afundam.
  • O calor interno da Terra facilita o afinamento da litosfera.
  • Se a ruptura prosseguir, um novo braço oceânico pode surgir.
  • Com o tempo, blocos continentais separados passam a se comportar como novas massas de terra.

Isso representa perigo para quem vive na região?

Não há sinal de emergência imediata. Destaca-se que há terremotos leves na região, mas eles são muito fracos, e não há atividade vulcânica associada diretamente a essa possível nova zona de ruptura. Mudanças relevantes aconteceriam em escalas geológicas, ao longo de milhões de anos.

Isso significa que a notícia não deve ser lida como uma ruptura repentina do continente. O processo de separação continental é lento, irregular e cheio de incertezas. A descoberta mostra uma possibilidade geológica em desenvolvimento, não um evento prestes a acontecer.

Pesquisadores ligados à Universidade de Oxford estudaram fontes termais na Fenda de Kafue, na Zâmbia, e analisaram gases liberados ali.
Pesquisadores ligados à Universidade de Oxford estudaram fontes termais na Fenda de Kafue, na Zâmbia, e analisaram gases liberados ali. - Imagem gerada por IA

Por que os cientistas ainda têm cautela?

A Fenda da África Oriental está em estágio mais avançado e é muito melhor documentada. Já a possível zona no sul da África ainda está em fase inicial de estudo. Por isso, os pesquisadores precisam analisar mais fontes termais, coletar novos dados químicos e comparar essas informações com estudos geofísicos.

  • A presença de gases profundos sugere atividade tectônica.
  • A extensão proposta da zona de rift ainda precisa ser confirmada.
  • Nem todo rift evolui até formar um oceano.
  • O processo pode parar, mudar de ritmo ou se concentrar em outras áreas.
  • Novas medições serão necessárias para entender a real dimensão da ruptura.

A África está mudando, mas em ritmo geológico

A possibilidade de a África se dividir em três continentes mostra como a Terra continua em transformação. O mapa atual parece fixo para quem vive poucas décadas, mas as placas tectônicas redesenham oceanos e continentes ao longo de milhões de anos.

Por enquanto, a hipótese mais segura é que o leste africano segue se afastando lentamente do restante do continente, enquanto a região da Zâmbia pode revelar uma segunda frente de ruptura ainda jovem. Se essa nova fenda evoluir, a África do futuro poderá ter uma configuração muito diferente da atual; não em anos ou séculos, mas em uma escala de tempo tão longa que pertence à história profunda do planeta.