A ave com uma “adaga” de 12 centímetros nas patas que pode transformar um encontro em tragédia
Com até 12 centímetros, a garra interna do cassuar lembra uma adaga presa a uma pata extremamente forte.
Com até 12 centímetros, a garra interna do cassuar lembra uma adaga presa a uma pata extremamente forte. Essa combinação fez o Guinness World Records classificar as três espécies do grupo como as aves mais perigosas do mundo. A fama assusta, mas os registros mostram uma realidade mais complexa: encontros fatais com humanos são raríssimos.

Por que o cassuar é considerado tão perigoso?
O cassuar é uma grande ave terrestre encontrada principalmente nas florestas tropicais da Nova Guiné, de ilhas próximas e do nordeste da Austrália. Incapaz de voar, ele depende de pernas musculosas para correr, atravessar a vegetação e se defender quando se sente ameaçado, encurralado ou provocado.
Cada pata possui três dedos voltados para a frente. No dedo interno fica uma garra longa, rígida e pontiaguda, capaz de causar perfurações e cortes graves durante um chute. O perigo não vem de um comportamento de caça a pessoas, mas da força empregada pela ave para abrir espaço e escapar de uma situação de risco.

Como o cassuar usa a garra durante um ataque?
Quando reage defensivamente, o cassuar pode avançar, saltar e golpear com as patas. O movimento combina o peso do corpo com a força das pernas, fazendo com que as garras atinjam o alvo com intensidade. Pessoas agachadas, caídas ou muito próximas ficam especialmente vulneráveis porque têm menos condições de se afastar.
Apesar da aparência imponente, o cassuar costuma ser reservado e prefere evitar seres humanos. A maioria dos encontros não termina em contato físico. O risco cresce quando alguém tenta tocar, perseguir, encurralar ou enfrentar a ave, principalmente se houver filhotes, alimento ou animais domésticos envolvidos na situação.
O que os incidentes documentados revelam?
Uma análise histórica publicada no Journal of Zoology reuniu centenas de ocorrências envolvendo casuares no estado australiano de Queensland. Entre os ataques contra pessoas, poucos provocaram ferimentos graves e apenas uma morte apareceu no conjunto estudado. Naquele episódio, ocorrido em 1926, a vítima tentava matar a ave.
- Alimentação humana apareceu em grande parte dos encontros analisados;
- Expectativa por comida motivou muitas perseguições e aproximações;
- Chutes efetivos ocorreram em uma parcela menor dos ataques;
- Ferimentos fatais permaneceram extremamente raros nos registros.
Outro caso fatal ocorreu na Flórida, em 2019, envolvendo um cassuar mantido em propriedade particular. Os episódios confirmam que a ave pode matar, mas não sustentam a ideia de que ela ataque pessoas constantemente. O título de mais perigosa está ligado ao potencial de sua anatomia, não à frequência de mortes.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Planeta Aves mostrando mais sobre o comportamento do casuar.
Por que alimentar casuares aumenta o risco?
Quando recebe comida de pessoas, o casuar pode perder parte de sua cautela natural e começar a associar casas, veículos e visitantes a uma refeição fácil. Alguns indivíduos passam a se aproximar com insistência, seguir pessoas ou reagir quando o alimento esperado não aparece, criando encontros perigosos que poderiam ser evitados.
A alimentação também prejudica a própria ave. Ao sair da floresta e circular em áreas urbanizadas, ela fica mais exposta a atropelamentos, cães e conflitos com moradores. Autoridades ambientais australianas orientam que ninguém ofereça comida, deixe resíduos acessíveis ou se aproxime para conseguir fotografias a curta distância.
Respeitar a distância protege pessoas e casuares
Diante de um casuar, a atitude mais segura é manter distância, evitar movimentos de confronto e permitir que ele tenha uma rota de saída. Crianças e animais domésticos devem permanecer afastados. Também é importante nunca correr em direção à ave, tentar espantá-la fisicamente ou usar alimentos para atraí-la.
O casuar não precisa ser tratado como um monstro, mas sua força jamais deve ser subestimada. A maioria dos conflitos nasce quando humanos ignoram os limites de um animal selvagem. Parar de alimentar, observar de longe e respeitar seu espaço são decisões urgentes que preservam vidas dos dois lados do encontro.