A ciência descobriu por que alguns fios de cabelo ficam brancos antes dos outros: o motivo está ligado a uma proteção contra o câncer
Cabelos brancos podem estar ligados à resposta de células-tronco a danos no DNA. Entenda o que o estudo revelou e por que isso não evita o câncer
Os cabelos brancos costumam ser associados ao envelhecimento, à genética e às mudanças naturais do organismo. Mas uma pesquisa publicada na revista Nature Cell Biology revelou um mecanismo celular que ajuda a explicar essa transformação: diante de determinados danos ao DNA, células-tronco responsáveis pela pigmentação dos fios podem entrar em um processo que leva à perda de cor. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores observaram que essa resposta também pode eliminar células potencialmente associadas ao desenvolvimento do melanoma, um tipo de câncer de pele. O achado ajuda a compreender a relação entre envelhecimento capilar e defesa celular, mas não significa que ter cabelos brancos proteja uma pessoa contra o câncer.

O que faz alguns fios de cabelo ficarem brancos antes dos outros?
A cor dos cabelos depende da melanina, pigmento produzido por células chamadas melanócitos. Essas células recebem o suporte de células-tronco dos melanócitos, que ficam nos folículos capilares e ajudam a manter a produção de pigmento ao longo dos ciclos de crescimento dos fios. Quando essa reserva celular diminui ou deixa de funcionar adequadamente, os novos cabelos podem nascer com menos pigmentação ou completamente brancos.
O envelhecimento natural e a predisposição genética estão entre os principais fatores associados ao aparecimento dos fios brancos. No entanto, a pesquisa publicada em 2025 acrescentou outra peça a esse processo: o tipo de estresse celular enfrentado pelas células-tronco também pode influenciar seu destino. Isso ajuda a explicar por que a pigmentação não muda necessariamente de maneira uniforme em todos os folículos, embora o estudo não permita prever quais fios de uma pessoa ficarão brancos primeiro.
Como o estudo relacionou cabelos brancos e proteção contra o melanoma?
Publicado em 6 de outubro de 2025, o estudo na Nature Cell Biology investigou como células-tronco dos melanócitos respondem a diferentes tipos de danos ao material genético. Os experimentos indicaram que, diante de determinadas quebras na estrutura do DNA, essas células podem passar por um processo chamado diferenciação associada à senescência. Nesse mecanismo, elas amadurecem de forma irreversível e deixam de integrar a reserva de células-tronco do folículo, contribuindo para o embranquecimento dos pelos.
Essa resposta pode funcionar como uma barreira contra o desenvolvimento de tumores porque reduz a permanência de determinadas células danificadas capazes de continuar se renovando. Os pesquisadores observaram essa dinâmica em modelos animais, relacionando o esgotamento seletivo das células-tronco à perda de pigmentação e a um efeito protetor contra o melanoma. A conclusão não é que o cabelo branco impeça o câncer, mas que algumas respostas celulares associadas ao envelhecimento podem, em circunstâncias específicas, limitar a expansão de células com potencial cancerígeno.

Por que as células danificadas nem sempre seguem esse caminho?
O estudo também identificou um cenário diferente: quando as células são expostas a determinados agentes cancerígenos, elas podem escapar desse processo de diferenciação e continuar se renovando, mesmo apresentando danos no DNA. Os pesquisadores observaram a participação de sinais moleculares, incluindo o ligante KIT, que favorecem a manutenção e a expansão dessas células. Esse comportamento pode aumentar as condições para o desenvolvimento de alterações relacionadas ao melanoma, em vez de levar à perda de pigmentação.
A diferença está na maneira como as células e o ambiente ao redor do folículo respondem ao estresse. Em determinadas situações, a célula danificada perde a capacidade de se renovar; em outras, pode continuar se multiplicando. A pesquisa mostra que o destino celular depende de sinais biológicos específicos, e não de uma regra simples segundo a qual cabelos brancos significariam menos risco de câncer. A exposição à radiação ultravioleta e a outros agentes capazes de danificar o DNA continua sendo uma preocupação relevante para a saúde da pele.
Ter cabelos brancos significa que o organismo está se protegendo do câncer?
Não. Embora os resultados ajudem a compreender uma possível relação entre a perda de pigmentação e a eliminação de certas células danificadas, os experimentos foram realizados em camundongos. Ainda é necessário investigar até que ponto os mecanismos observados se aplicam aos seres humanos e como diferentes fatores genéticos, ambientais e biológicos influenciam esse processo. O aparecimento de fios brancos, isoladamente, não é um indicador confiável da capacidade do organismo de combater tumores nem permite estimar o risco individual de melanoma.
O trabalho amplia o conhecimento sobre a relação entre envelhecimento e câncer ao mostrar que esses processos podem compartilhar mecanismos celulares, mas seguir caminhos distintos. Para cuidar da saúde, continuam importantes a proteção solar, a observação de mudanças na pele e a avaliação médica de sinais suspeitos. Informações sobre a prevenção do melanoma e outros cânceres de pele podem ajudar a orientar esses cuidados. Os cabelos brancos são uma característica comum da vida, não um diagnóstico nem uma garantia de proteção contra doenças.