A lula-vampiro não bebe sangue, não é uma lula de verdade e sobrevive nas profundezas quase sem oxigênio
Única sobrevivente de uma linhagem antiga, a criatura usa luz, muco brilhante e baixo consumo de energia para viver nas profundezas.
Seu nome científico significa “lula-vampiro do inferno”, mas quase tudo nessa descrição engana. A Vampyroteuthis infernalis não bebe sangue, não caça como uma criatura monstruosa e nem pertence ao grupo das lulas verdadeiras. Nas profundezas escuras do oceano, ela sobrevive com movimentos econômicos, alimento em decomposição e surpreendentes flashes de luz.

Por que ela não é uma lula verdadeira?
A lula-vampiro é um cefalópode, portanto possui parentesco com lulas e polvos. No entanto, representa uma linhagem evolutiva própria, classificada na ordem Vampyromorphida. Ela é o único representante vivo conhecido desse grupo, ocupando um ramo antigo da árvore evolutiva desses animais marinhos.
Seu corpo reúne características que lembram os dois parentes. A membrana entre os oito braços recorda um manto de polvo, enquanto o formato alongado sugere uma lula. Dois filamentos finos e retráteis completam sua anatomia incomum e são usados para localizar e recolher alimento na água.

De onde veio o nome assustador?
A aparência explica boa parte do apelido. A pele varia entre tons escuros de vermelho e preto, os olhos azulados são proporcionalmente grandes e uma membrana une os braços como uma capa. Quando se sente ameaçado, o animal pode virar essa estrutura para fora e cobrir parte do corpo.
Apesar da encenação dramática, ele não possui hábitos sanguinários. Pesquisas do Instituto de Pesquisa do Aquário da Baía de Monterey mostraram que sua alimentação é baseada principalmente na chamada neve marinha, formada por restos orgânicos que descem lentamente das camadas superiores do oceano.
- O animal vive em águas profundas de diferentes oceanos do planeta.
- Seus grandes olhos aproveitam a pouca luz disponível no ambiente.
- A coloração avermelhada ajuda o corpo a desaparecer na escuridão.
- Os filamentos retráteis recolhem partículas orgânicas suspensas na água.
Como ela produz luz para se defender?
A lula-vampiro possui órgãos luminosos conhecidos como fotóforos. Diante de uma ameaça, as pontas de seus braços podem emitir pulsos azulados, criando um espetáculo visual que confunde o predador e dificulta a identificação da posição exata do animal no ambiente escuro.
Ela também consegue liberar uma nuvem de muco com partículas bioluminescentes, em vez da tinta escura usada por muitas lulas e polvos. Esse material brilhante permanece na água por alguns instantes, funcionando como uma distração enquanto a lula-vampiro se afasta lentamente.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Coruj4 Curios4 mostrando registros da lula-vampiro nos oceanos.
Como ela vive em um ambiente com pouco oxigênio?
Esse cefalópode habita zonas profundas onde a concentração de oxigênio pode ser extremamente baixa. Seu metabolismo lento, o sangue eficiente no transporte de oxigênio e a grande área de suas brânquias permitem que ele permaneça em locais onde muitos predadores ativos não conseguiriam sobreviver.
Em vez de gastar energia perseguindo presas, ele flutua e coleta detritos com seus filamentos. Um estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B descreveu esse comportamento alimentar, revelando uma estratégia rara entre cefalópodes e perfeitamente adaptada à escassez das profundezas.
O que torna essa criatura tão especial?
A lula-vampiro mostra que a sobrevivência no fundo do mar nem sempre depende de força ou velocidade. Seu sucesso vem da economia de energia, da capacidade de tolerar pouco oxigênio e de defesas luminosas que confundem ameaças sem exigir um confronto direto.
Conhecer essa linhagem transforma uma figura aparentemente assustadora em um exemplo fascinante de adaptação. Quanto mais a ciência explora as águas profundas, mais fica claro que nomes sombrios podem esconder criaturas discretas, delicadas e essenciais para compreender a história da vida nos oceanos.