A pequena cidade catarinense com cerca de 4.400 moradores que fica a 1.245 metros de altitude, tem 35 cachoeiras e abriga o mirante da Serra do Rio do Rastro
Entre geadas e curvas fechadas, a paisagem muda ao sabor das estações.
Em Bom Jardim da Serra, o termômetro despenca no inverno, a geada cobre os campos de altitude e o viajante encontra uma das estradas mais fotografadas do país. A cidade fica a 1.245 metros acima do nível do mar, no Planalto Sul catarinense, e reúne cachoeiras, cânions e mirantes num roteiro de serra que cabe num fim de semana prolongado.
Por que a Capital das Águas atrai tanto viajante?
O apelido vem dos números. São 35 cachoeiras e 14 rios espalhados pelo município. A população é pequena: eram cerca de 4.400 moradores em 2010 e 4.026 no Censo 2022 do IBGE, numa área de quase 940 km². Sobra espaço para fazendas de gado, pomares de maçã e trilhas entre araucárias.
O clima também pesa na escolha do destino. Entre maio e agosto, a região registra algumas das temperaturas mais baixas de Santa Catarina, com geadas frequentes e, em alguns anos, neve. Quem prefere banho de cachoeira deve mirar a primavera e o verão, quando os rios ficam mais convidativos.

O mirante mais famoso da Serra do Rio do Rastro
A Serra do Rio do Rastro é vencida pela rodovia SC-390, que sobe de Lauro Müller ao alto do planalto em 284 curvas. O mirante fica a cerca de 11 km do centro, a quase 1.460 metros de altitude, com estacionamento, quiosques e cafés. Antes de subir até lá, vale saber o que esperar:
- Vista do litoral: em dias limpos, dá para enxergar o mar no horizonte.
- Neblina: a cerração chega rápido e esconde as curvas em minutos, por isso chegar cedo ajuda.
- Pôr do sol: é o horário mais disputado para fotografar o traçado da estrada iluminado.
- Agasalho: o vento no topo derruba a sensação térmica até em dias de verão.
Quais cânions entram no roteiro de Bom Jardim da Serra?
Os cânions são o outro cartão-postal da cidade. Os paredões de basalto da Serra Geral se abrem em vales profundos, cercados por campos nativos e araucárias, e parte dessa paisagem está dentro do Parque Nacional de São Joaquim. Os mais procurados são:
- Cânion da Ronda: conhecido pela vista panorâmica e pela altura dos paredões.
- Cânion das Laranjeiras: junta escarpas e campos de altitude, ótimo para fotografia.
- Cânion do Funil: tem formações rochosas e trilhas para quem gosta de caminhar.
- Pico do Rinoceronte: rocha com formato curioso e visual amplo dos vales ao redor.
Boa parte dos acessos passa por propriedades rurais e estradas de chão. Contratar um guia local evita erros de caminho e garante orientação na borda dos penhascos, onde não existe grade de proteção.

Cachoeiras e rios gelados no alto de Santa Catarina
Com tanta água correndo pelo planalto, as quedas aparecem em todo canto do município. A Cachoeira do Rio do Rastro, a Cascata da Barrinha e a Cascata do Saiki estão entre as mais visitadas. A água desce gelada mesmo em janeiro, então o mergulho costuma ser rápido e pede toalha grossa e roupa seca no carro.
Quando ir e como montar o roteiro na serra
O inverno rende paisagens congeladas e lareira acesa nas pousadas, enquanto o verão favorece cachoeiras e trilhas longas. Em qualquer estação, a descida da Serra do Rio do Rastro pede direção atenta, faróis ligados na neblina e calma nas curvas fechadas. Lages e São Joaquim ficam perto e ampliam o passeio pela Serra Catarinense.
Para conhecer Bom Jardim da Serra sem pressa, reserve pelo menos dois dias: um para o mirante e os cânions, outro para as cachoeiras e os campos de altitude. Leve casaco, calçado de trilha e confira antes se os atrativos rurais aceitam cartão. Assim o roteiro de serra em Santa Catarina fica completo, do frio da madrugada no planalto à vista que alcança o mar.