A pequena cidade gaúcha com cerca de 2.300 moradores que tem 27 vinícolas, foi colonizada por imigrantes do Vêneto em 1886 e tem um mirante sobre o Rio das Antas
Entre parreirais e tradições italianas, o destino preserva um ritmo sem pressa.
Nova Pádua fica no alto da Serra Gaúcha. Tem cerca de 2.300 moradores e 27 vinícolas, que juntas produzem mais de 5,5 milhões de litros de vinho por ano. Famílias do Vêneto colonizaram o município em 1886, e até hoje ele guarda o dialeto, a mesa farta e um mirante debruçado sobre o vale do Rio das Antas. É uma boa escolha para quem quer provar vinho direto do produtor, sem as filas dos destinos mais famosos da região.
Como a imigração italiana moldou Nova Pádua?
A imigração italiana chegou aqui em 1886. Naquele ano, sete famílias vênetas se instalaram na 16ª Légua do Campo dos Bugres. Entre os pioneiros havia comerciantes, um professor, um ferreiro e agricultores. Em 1890 foi benta a imagem de Santo Antônio, e a localidade passou a se chamar Nova Pádua, uma homenagem à cidade italiana ligada ao santo.
O povoado foi distrito de Caxias do Sul e depois de Flores da Cunha. A emancipação de Nova Pádua só foi decretada em março de 1992. O legado dos colonos aparece nas comunidades do interior, chamadas de travessões, e no talian, o dialeto vêneto que ainda se ouve nas conversas de bodega e nas missas de domingo.

27 vinícolas em uma cidade de 2.300 habitantes
As vinícolas movem a economia local ao lado da agricultura familiar, que também planta pêssego, maçã, alho e cebola. A maioria das cantinas é tocada por descendentes dos primeiros colonos, e muitas recebem visitantes para degustação na própria propriedade. Durante a visita, preste atenção nestes pontos:
- Vinhos de mesa e vinhos finos feitos com uva colhida nos parreirais da família
- Sucos de uva integrais e espumantes vendidos direto no balcão da cantina
- Porões de pedra onde a fermentação ainda segue técnicas herdadas dos avós
- Venda direto do produtor; os valores variam e devem ser consultados com cada vinícola
O que se vê do mirante sobre o Rio das Antas
O Belvedere Sonda fica a 5 km do centro e é o principal cartão-postal da cidade. Do mirante, a vista alcança o vale do Rio das Antas, a barragem da usina, a balsa, o cachoeirão e as cascatas que descem pelas encostas cobertas de mata.
O ponto tem hotel e restaurante, então dá para esticar a parada até o pôr do sol. Nas manhãs de inverno, a neblina cobre o vale e vai se desfazendo aos poucos até revelar as curvas do rio. Leve casaco, porque o vento no paredão costuma ser gelado mesmo nos dias de sol.

Quando visitar a Serra Gaúcha para aproveitar as festas coloniais?
O calendário de eventos ajuda a escolher a data da viagem pela Serra Gaúcha. As festas reúnem comida típica, música de gaita e desfiles que mostram como é a vida na colônia. Estes são os destaques do ano:
- FEPROCOL, a Feira de Produtos Coloniais criada em 1983, com vila colonial, exposição de produtos e desfile das soberanas
- Festa do Colono e do Motorista, realizada em julho, que termina com um desfile de caminhões e tratores agrícolas; confira a data no canal oficial da prefeitura
- Torneios de bocha e rodeios espalhados pelas comunidades do interior
- Rafting no Rio das Antas, para quem quer aventura entre uma degustação e outra, sempre com operadora credenciada e equipamentos de segurança
Um roteiro de vinho e história sem pressa
Nova Pádua fica perto de Flores da Cunha e de Caxias do Sul, por isso cabe bem dentro de um roteiro maior pela Serra Gaúcha. Reserve pelo menos um dia inteiro para conhecer duas ou três vinícolas, almoçar galeto com polenta e massa caseira e subir ao belvedere no fim da tarde.
O melhor da viagem está na escala pequena da cidade. Quem chega é recebido pelo próprio produtor, prova o vinho tirado da pipa e ouve, em talian, histórias da imigração italiana. A hospedagem é simples, as estradas cortam parreirais e a época da vindima, entre janeiro e março, ainda dita o ritmo do ano.