A surpreendente origem do colete à prova de balas e do que ele era feito no início
De algodão coreano queimável ao Kevlar moderno, a evolução dos coletes à prova de balas mudou a história da proteção militar.

Quando surgiu o primeiro colete à prova de balas da história?
O primeiro registro de um colete moderno, sem ser uma armadura metálica, surgiu em 1867 na Coreia, em um contexto de tensão militar crescente.
Após confrontos com forças estrangeiras, o rei coreano ordenou que seus armeiros criassem uma proteção capaz de resistir às novas armas de fogo usadas em guerras modernas.
Como a Coreia criou o myeonje baegab em 1867?
Os estudiosos militares coreanos buscaram soluções em materiais têxteis, analisando até mesmo armaduras japonesas de seda para entender como absorver impactos de projéteis.
O resultado foi o myeonje baegab, um colete feito de múltiplas camadas de algodão comprimido, desenvolvido para reduzir a velocidade das balas de fuzil. Entre suas principais características estavam:
- Até 30 camadas de algodão sobrepostas
- Estrutura flexível e leve para o corpo
- Capacidade de desacelerar projéteis de armas leves
- Uso militar experimental em campo de batalha
Por que o primeiro colete era eficaz e perigoso ao mesmo tempo?
Apesar de inovador, o colete coreano apresentava sérias limitações que colocavam os soldados em risco durante combates reais. Relatos históricos indicam que, durante a invasão americana de 1871, o material podia até pegar fogo ao ser atingido por projéteis ou estilhaços quentes.
Além disso, o uso prolongado era desconfortável, pois o tecido espesso gerava calor extremo no corpo do soldado em combate.

Quem desenvolveu os coletes de seda no início do século XX?
Décadas depois, o padre polaco-americano Casimir Zeglen criou um novo modelo de proteção utilizando fibras de seda, buscando maior eficiência contra armas leves da época. Embora mais avançado, o colete de seda tinha alto custo e eficácia limitada contra armamentos mais potentes, tornando-se um item raro e caro.
Em valores atuais, uma peça equivalente poderia custar cerca de 150.000 coroas dinamarquesas em 1914, sendo até usada por criminosos nos Estados Unidos.
Como o Kevlar revolucionou os coletes à prova de balas nos anos 1970?
A verdadeira transformação ocorreu na década de 1970 com a descoberta do Kevlar pela química Stephanie Kwolek, um material sintético extremamente resistente. O Kevlar é leve, flexível e cerca de cinco vezes mais resistente que o aço, permitindo a criação de coletes modernos muito mais eficientes e confortáveis.
Esse avanço tornou possível a produção em larga escala de equipamentos de proteção usados por forças militares e policiais no mundo inteiro até hoje.