Agricultora do Maranhão perde parte do ano de produção de maracujá por causa da estiagem, instala irrigação e passa a planejar colheita maior sem depender apenas da chuva

Agricultora maranhense investiu em irrigação para enfrentar a estiagem e projetou aumentar sua produção anual de maracujá em 40%.

A estiagem interrompia a produção de maracujá no povoado Cutia, na zona rural de Vitória do Mearim, Maranhão. Luzineide Andrade Fernandes, conhecida como Neide, plantava com o marido e via a chuva definir por quanto tempo os frutos estariam disponíveis. Após instalar irrigação com apoio técnico, passou a projetar 2.100 frutos por ano, diante de aproximadamente 1.500 antes da mudança. A diferença de 40% ainda era uma expectativa, não colheita concluída. Como a água alterou o planejamento de uma família agricultora?

Nova estrutura permitiu projetar aumento de 40% na produção anual.
Nova estrutura permitiu projetar aumento de 40% na produção anual.Imagem gerada por inteligência artificial

O que a falta de chuva provocava na plantação?

Neide é filha de lavradores e trabalha na agricultura ao lado do marido, José de Ribamar. Durante anos, a estiagem cortou parte do período em que a família podia manter o maracujá. O problema não era simplesmente desejar frutos maiores: sem água nos meses secos, ficava difícil planejar colheitas e compromissos de venda com continuidade.

A produção anterior era estimada em cerca de 1.500 frutos por ano. Esse número ajuda a dimensionar o ponto de partida, mas não representa uma contagem de todas as safras desde que começou a plantar. Para quem depende da feira, produzir apenas numa janela limitada também torna a renda mais irregular. Neide procurou apoio técnico para reduzir essa dependência exclusiva da chuva.

Como ela chegou ao sistema de irrigação?

A agricultora contratou uma consultoria técnica especializada para planejar a solução na propriedade. Instalar tubos ou equipamentos sem avaliar água disponível, necessidade das plantas e manejo poderia apenas mudar o tipo de dificuldade. O projeto foi colocado em prática para permitir que o plantio continuasse durante meses em que a chuva antes não sustentava a produção.

O papel da água na produção do maracujá depende de condições do cultivo, e a irrigação não substitui sol, polinização ou cuidado com a planta. No caso de Neide, a mudança central era deixar de depender apenas da precipitação. O sistema criou mais possibilidade de planejar, sem eliminar a necessidade de manejo e manutenção.

Plantação maranhense passou a contar com água para enfrentar meses secos.
Plantação maranhense passou a contar com água para enfrentar meses secos.Imagem gerada por inteligência artificial

A colheita já aumentou para 2.100 frutos?

A fonte apresenta 2.100 como expectativa anual depois da irrigação. Comparado aos 1.500 frutos anteriores, o acréscimo projetado é de 600, equivalente a 40%. Não há confirmação, naquele relato, de que toda a nova meta tenha sido colhida e vendida. Essa diferença importa para não transformar planejamento em resultado realizado.

A implantação da irrigação na propriedade amplia as chances de produção durante a estiagem, mas frutos efetivos dependem das próximas safras. A família também passou a considerar outros cultivos. O benefício imediato documentado é poder organizar o trabalho com água disponível em períodos antes limitados.

Que outras culturas entraram no planejamento?

Melancia e banana passaram a integrar o plantio. A diversificação pode distribuir o trabalho e abrir outras opções de venda, mas a fonte não fornece faturamento de cada cultura nem prova que a renda já ficou estável em todos os meses. Neide comercializa produtos na feira municipal, em casa e pela internet, canais que exigem disponibilidade e contato com compradores.

A irrigação muda a possibilidade de organizar a oferta, mas o sistema também exige acompanhamento. Cada planta tem necessidades próprias, e uma propriedade pequena precisa conciliar água, tempo e custos. Neide e o marido continuaram responsáveis pelo cultivo. A tecnologia não substituiu o trabalho da família; deu a ele uma condição mais previsível para enfrentar a estação seca.

Que reconhecimento veio em 2026?

Em agosto, Neide ficou em segundo lugar na categoria Produtora Rural e Artesã do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios no Maranhão. O reconhecimento registra sua trajetória e as mudanças buscadas na propriedade, sem medir por si só a colheita de todo o ano. A premiação ocorreu enquanto a expectativa de chegar a 2.100 frutos ainda dependia das safras seguintes.

A distinção também dá visibilidade a uma atividade frequentemente descrita apenas pelo resultado no campo. A agricultora precisou identificar um problema, buscar orientação, decidir investir e manter canais de venda. O prêmio não transformou automaticamente a meta de produção em uma nova média comprovada; destacou o esforço que tornou possível persegui-la com mais controle.

O que muda depois de não depender só da chuva?

A família pode planejar melhor quando cultivar, acompanhar o maracujá nos meses secos e organizar vendas com menor incerteza climática. Isso não significa que estiagens deixaram de afetar a região ou que qualquer safra futura esteja garantida. A água precisa ser manejada, e o resultado real só aparece nas colheitas registradas ao longo do tempo.

Antes, a falta de chuva interrompia parte do ano de produção. Depois da instalação, Neide passou a trabalhar com uma meta 40% maior e a diversificar o plantio. A diferença entre meta e realização permanece aberta, mas o avanço já é concreto no modo de produzir: em vez de esperar apenas a estação chuvosa, a família passou a ter uma ferramenta para decidir como cuidar da lavoura.