Aos 9 anos, ela viu na televisão famílias recebendo água contaminada e decidiu construir um aparelho capaz de detectar o problema pelo celular

Em 2014, Gitanjali jantava com a família quando uma reportagem mostrou a crise de Flint, em Michigan

Gitanjali Rao tinha 9 anos quando viu na televisão imagens da crise de água contaminada por chumbo em Flint, nos Estados Unidos, e decidiu que queria encontrar uma forma de ajudar. Aos 11, a ideia já havia se transformado no Tethys, um protótipo com sensor de nanotubos de carbono capaz de detectar a presença do metal na água e enviar o resultado para um aplicativo no celular.

Em 2014, Gitanjali jantava com a família quando uma reportagem mostrou a crise de Flint, em Michigan
Em 2014, Gitanjali jantava com a família quando uma reportagem mostrou a crise de Flint, em MichiganImagem gerada por inteligência artificial

O que Gitanjali viu na televisão que despertou a ideia?

Em 2014, Gitanjali jantava com a família quando uma reportagem mostrou a crise de Flint, em Michigan. Ela viu água de coloração enferrujada saindo das torneiras e ouviu relatos sobre moradores expostos ao chumbo. A possibilidade de crianças de sua idade beberem água contaminada permaneceu na cabeça da então menina de 9 anos.

No dia seguinte, ela decidiu procurar uma solução que fosse além de doar garrafas de água. A investigação continuou por meses e passou por ideias que não funcionaram, até que uma leitura sobre nanotubos de carbono chamou sua atenção.

  • A crise de Flint foi o ponto de partida do projeto;
  • Gitanjali começou a pesquisar maneiras de detectar chumbo;
  • Algumas das primeiras soluções foram descartadas;
  • Os nanotubos apareceram durante suas leituras sobre tecnologia de sensores.

Como nasceu o aparelho chamado Tethys?

Gitanjali percebeu que nanotubos de carbono já eram estudados como sensores porque mudanças químicas ao redor deles podem modificar sua resistência elétrica. Ela começou então a investigar se o mesmo princípio poderia indicar a presença de chumbo na água. O projeto recebeu o nome Tethys, inspirado na figura mitológica grega relacionada à água.

Como o sensor conseguia detectar chumbo e avisar pelo celular?

O protótipo final utilizava um sensor com nanotubos de carbono dopados com cloreto, uma estrutura produzida por impressão 3D e um processador Arduino. Quando o chumbo presente na amostra interagia com o sensor, ocorria uma alteração na resistência elétrica que podia ser medida pelo sistema.

O Tethys processava essa mudança e enviava os dados para um aplicativo de smartphone, que alertava o usuário sobre a presença do contaminante. A proposta era criar uma alternativa rápida e mais simples aos testes domésticos que Gitanjali havia visto apresentarem resultados inconsistentes quando seus próprios pais verificaram a água da residência.

  • O sensor entrava em contato com a amostra de água;
  • O chumbo provocava uma alteração mensurável na resistência;
  • Um Arduino processava os dados do sensor;
  • As informações eram enviadas para um aplicativo;
  • O celular mostrava um alerta sobre a presença do metal.

    Em 2014, Gitanjali jantava com a família quando uma reportagem mostrou a crise de Flint, em Michigan
    Em 2014, Gitanjali jantava com a família quando uma reportagem mostrou a crise de Flint, em Michigan - Créditos: (Instagram/Gitanjali Rao)

Como uma menina de 11 anos conseguiu construir o protótipo?

Encontrar os materiais foi uma das partes mais difíceis. Sem laboratório próprio, Gitanjali inicialmente construiu estruturas simples, aprendeu a programar Arduino com tutoriais e enviou mensagens para cientistas tentando conseguir os nanotubos necessários. Depois de chegar à final do Discovery Education 3M Young Scientist Challenge, passou a trabalhar com a pesquisadora Kathleen Shafer e conseguiu acesso aos componentes necessários para desenvolver uma versão funcional do Tethys.

O que aconteceu depois que o projeto ficou pronto?

Em outubro de 2017, aos 11 anos, Gitanjali Rao venceu o 3M Young Scientist Challenge e recebeu o título de America’s Top Young Scientist, além de um prêmio de US$ 25 mil. O reconhecimento veio depois de meses aprimorando o sistema e tentando transformar uma ideia surgida diante da televisão em um dispositivo capaz de realizar uma medição concreta.

O trabalho continuou depois da competição. Em 2021, aos 15 anos, Gitanjali recebeu uma patente nos Estados Unidos para um sistema e método de detecção de contaminantes na água. O Tethys permaneceu como um protótipo em desenvolvimento, e não como substituto imediato dos testes laboratoriais oficiais, mas demonstrou como sensores, eletrônica e um aplicativo poderiam ser combinados para tornar a identificação de chumbo mais rápida e acessível.