Arqueólogos encontraram três enormes “cofrinhos” romanos enterrados sob o piso de uma casa e eles podem conter mais de 40 mil moedas
Arqueólogos acharam potes enterrados sob uma casa romana em Senon que podem ter guardado mais de 40 mil moedas como cofres domésticos.
Quando arqueólogos escavaram uma casa romana em Senon, no nordeste da França, encontraram três grandes vasos de cerâmica enterrados verticalmente sob o piso. Eles não estavam escondidos em um buraco improvisado. As bocas ficavam acessíveis no nível do chão, como cofres domésticos que podiam receber moedas ao longo do tempo. Dois ainda guardavam massas tão grandes que as estimativas ultrapassam 40 mil peças somadas.

Como os potes de moedas estavam instalados na casa?
A escavação preventiva conduzida pelo Inrap identificou três recipientes cerâmicos encaixados em cavidades sob o piso de um edifício da antiga aglomeração de Senon. A posição é importante: as aberturas ficavam acessíveis, permitindo colocar e retirar moedas sem desenterrar o vaso inteiro a cada uso.
Simon Ritz, responsável pela operação arqueológica, e o numismata Vincent Geneviève estudaram o conjunto em meio a um bairro com sinais de ocupação relativamente próspera. A instalação deliberada dos vasos no pavimento levou a equipe a comparar a função com uma espécie de reserva monetária doméstica, mais próxima de um cofre do que de um tesouro enterrado às pressas.

Quantas moedas podem ter sido guardadas ali?
O primeiro vaso, removido em bloco para estudo, pesava cerca de 38 quilos e foi estimado em aproximadamente 23 mil a 24 mil moedas. O segundo, ainda mais pesado, chegou a cerca de 50 quilos; a contagem de uma amostra e o volume restante levaram a uma estimativa de 18 mil a 19 mil peças.
Somados, apenas esses dois recipientes podem ter guardado algo na faixa de 41 mil a 43 mil moedas. O terceiro vaso tinha sido esvaziado ainda na Antiguidade, mas três moedas deixadas no fundo confirmaram que também servira para dinheiro. Portanto, a cifra acima de 40 mil não significa que os três potes tenham sido encontrados cheios ao mesmo tempo.
Por que os arqueólogos chamam esses vasos de “cofrinhos”?
O comportamento das moedas dentro dos recipientes oferece uma pista. Algumas ficaram presas em áreas próximas à borda, mostrando que foram depositadas depois de o vaso já estar instalado no chão. Isso enfraquece a ideia de que alguém encheu uma jarra, cavou um esconderijo de emergência e simplesmente a abandonou.
O contexto favorece a interpretação de uso repetido:
- Os vasos foram encaixados no piso de forma que suas aberturas permanecessem acessíveis aos moradores.
- Moedas presas junto à parte superior indicam depósitos realizados com os recipientes já instalados.
- Dois vasos preservaram massas de moedas estimadas em mais de 40 mil peças quando somadas.
- O terceiro havia sido esvaziado na Antiguidade, mostrando que retirar dinheiro também fazia parte da história desses recipientes.
De quando são as moedas encontradas em Senon?
As peças estudadas concentram-se aproximadamente entre 280 e 310 d.C., período de fortes transformações políticas e monetárias no Império Romano. Muitas são moedas de baixo valor, produzidas em grande quantidade e associadas a diferentes imperadores e oficinas. A data das moedas ajuda a estabelecer quando os depósitos permaneceram ativos.
O conjunto é particularmente útil porque preserva não apenas dinheiro, mas uma prática. Tesouros romanos costumam chamar atenção pelo valor; aqui, o modo como os vasos foram incorporados à casa é tão revelador quanto a quantidade de peças.
O que esses cofres domésticos revelam sobre a vida romana?
Eles sugerem uma relação cotidiana com dinheiro que não cabe na imagem de um tesouro escondido diante de uma invasão. Moradores podiam acumular pequenas moedas, acessar a reserva e continuar adicionando peças. É uma prática reconhecível mesmo dois mil anos depois: guardar valor em casa, em um lugar discreto mas acessível.
Ainda faltam respostas sobre quem exatamente usava os vasos e por que dois deles não foram esvaziados antes do abandono. A força da descoberta está justamente nessa combinação de familiaridade e mistério: uma enorme poupança doméstica ficou sob o chão, mas o gesto de colocar uma moeda de cada vez parece surpreendentemente moderno.