Arqueólogos encontraram um objeto romano com 12 lados e, mesmo depois de quase 2 mil anos, ninguém consegue explicar para que ele servia

Um dodecaedro romano de 1.700 anos foi achado quase intacto na Inglaterra, mas a função de suas 12 faces ainda é desconhecida.

Doze faces, aberturas circulares de tamanhos diferentes e um interior oco. O objeto encontrado em Norton Disney, na Inglaterra, cabe na mão, mede cerca de oito centímetros e pesa 245 gramas. Feito de liga de cobre, esse dodecaedro romano atravessou aproximadamente 1.700 anos praticamente inteiro, preservando uma forma tão elaborada que parece convidar a girá-lo e examinar cada lado.

A descoberta aconteceu em 2023, durante trabalhos do Norton Disney History and Archaeology Group em parceria com a empresa Allen Archaeology.
A descoberta aconteceu em 2023, durante trabalhos do Norton Disney History and Archaeology Group em parceria com a empresa Allen Archaeology.Imagem gerada por inteligência artificial

O que apareceu na escavação de Norton Disney?

A descoberta aconteceu em 2023, durante trabalhos do Norton Disney History and Archaeology Group em parceria com a empresa Allen Archaeology. A área fica perto de uma villa romana e da antiga estrada Fosse Way. O objeto foi encontrado no setor conhecido como Potter Hill.

A preservação chamou a atenção porque muitos exemplares semelhantes chegam aos pesquisadores quebrados ou fragmentados. O de Norton Disney também foi recuperado num contexto arqueológico que permite situá-lo no tempo. Isso oferece mais informações do que uma peça encontrada isoladamente, sem registro preciso de sua posição.

Dodecaedro romano quase intacto mantém desconhecida sua verdadeira função após 1.700 anos.
Dodecaedro romano quase intacto mantém desconhecida sua verdadeira função após 1.700 anos. - Créditos: Imagem criada por IA.

O que as doze faces têm de tão peculiar?

Dodecaedro é o nome de um sólido com doze faces. Nesse tipo romano, as faces apresentam furos circulares com dimensões variadas, e pequenas projeções aparecem nos vértices. A forma exige planejamento e trabalho metalúrgico, afastando a ideia de um pedaço de metal moldado sem intenção.

A aparência sugere que algum uso existia, mas não revela qual. Os detalhes podem ser medidos, desenhados e comparados a outros exemplares. Ainda assim, conhecer as dimensões e a composição de um objeto não basta para reconstruir o gesto cotidiano ou ritual em que ele participava.

Para que servia um objeto tão elaborado?

Essa é a pergunta que permanece aberta. Na divulgação da Universidade de Nottingham, em 2025, cerca de 130 dodecaedros desse tipo eram conhecidos, dos quais 33 na Grã-Bretanha. Mesmo com tantos exemplos, não havia uma função demonstrada de maneira convincente para o conjunto.

Entre as possibilidades discutidas estão instrumentos de medição, objetos rituais, ferramentas artesanais e peças relacionadas a jogos. Algumas experiências modernas mostram que se pode fazer determinada tarefa com uma réplica. Isso, porém, não prova que os romanos tenham fabricado o objeto para executar aquela mesma tarefa.

O contexto da escavação pode oferecer pistas que o objeto sozinho não revela. Conheça o trabalho em Norton Disney no vídeo do canal do YouTube Time Team Official:

Quais hipóteses precisam ser tratadas com cuidado?

A ideia de usar os furos para medir ou trabalhar tecidos é popular porque parece dar uma explicação prática à forma. Mas a utilidade de uma reprodução atual precisa ser confrontada com evidências antigas. Variações de tamanho, contexto e acabamento entre exemplares dificultam uma resposta simples e universal.

Também não basta chamar a peça de ritual por falta de outra explicação. Em descobertas arqueológicas de objetos antigos, hipóteses ganham força quando várias pistas independentes apontam na mesma direção. Aqui, as propostas continuam abertas:

  • Medição ou orientação, ainda sem demonstração conclusiva do método antigo.
  • Trabalho artesanal, sem prova de que as experiências atuais reproduzam o uso romano.
  • Atividades rituais ou jogos, também dependentes de evidências adicionais.

Por que os romanos não deixaram nenhuma explicação?

A formulação mais precisa é que não foi identificada uma explicação nos textos ou representações sobreviventes conhecidos pelos pesquisadores. Muito do que se escreveu e produziu na Antiguidade se perdeu. A ausência de um manual preservado não significa que os usuários considerassem o objeto misterioso.

O mistério pertence a quem o observa hoje. Para alguém de Norton Disney há muitos séculos, aquelas doze faces talvez comunicassem uma função imediata. Para os arqueólogos, cada novo contexto pode aproximar a resposta. A peça está quase inteira; o que falta reconstruir é a relação que as pessoas tinham com ela.