Arqueólogos reformavam a casa de George Washington quando encontraram dezenas de garrafas ainda cheias de frutas preservadas havia cerca de 250 anos

Arqueólogos acharam 35 garrafas sob Mount Vernon, 29 intactas, algumas ainda com cerejas e frutas preservadas havia cerca de 250 anos.

O projeto era restaurar a mansão de George Washington. Quando arqueólogos removeram partes do piso da adega de Mount Vernon, porém, o século XVIII apareceu fechado dentro de vidro: 35 garrafas enterradas em cavidades, 29 delas intactas, muitas ainda com cerejas e outras frutas preservadas havia cerca de 250 anos. O achado revelou tanto técnicas alimentares quanto o trabalho de pessoas escravizadas que mantinham a casa funcionando.

A descoberta ocorreu durante o Mansion Revitalization Project, uma grande intervenção para estabilizar e restaurar a residência histórica na Virgínia.
A descoberta ocorreu durante o Mansion Revitalization Project, uma grande intervenção para estabilizar e restaurar a residência histórica na Virgínia.Imagem gerada por inteligência artificial

Onde as garrafas apareceram dentro de Mount Vernon?

A descoberta ocorreu durante o Mansion Revitalization Project, uma grande intervenção para estabilizar e restaurar a residência histórica na Virgínia. Arqueólogos investigavam a adega sob a mansão quando localizaram cinco cavidades de armazenamento contendo garrafas de vidro do século XVIII enterradas no solo.

Ao todo, a equipe recuperou 35 recipientes, dos quais 29 estavam intactos. Jason Boroughs, arqueólogo principal de Mount Vernon, explicou que a combinação de vidro selado, solo relativamente estável e abandono das cavidades permitiu uma preservação raríssima de material orgânico dentro de uma casa amplamente estudada há décadas.

Arqueólogos encontraram garrafas com frutas preservadas há 250 anos em Mount Vernon.
Arqueólogos encontraram garrafas com frutas preservadas há 250 anos em Mount Vernon. - Créditos: Imagem criada por IA.

O que ainda havia dentro das garrafas depois de 250 anos?

Alguns recipientes continham cerejas, caroços, talos e líquidos; outros guardavam pequenos frutos que passaram por análise especializada. Em uma das primeiras avaliações, a equipe contou dezenas de caroços e talos de cereja. O objetivo não era provar que o conteúdo permanecia comestível, mas identificar espécies e técnicas de preservação.

As garrafas foram encaminhadas para estudos em parceria com especialistas, incluindo pesquisadores do Serviço de Pesquisa Agrícola do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. Análises de DNA e outros métodos podem ajudar a reconhecer variedades de frutas e entender melhor aquilo que era cultivado, armazenado e consumido na propriedade.

Como frutas conseguiram sobreviver tanto tempo?

No século XVIII, frutas podiam ser preservadas em garrafas usando técnicas que envolviam enchimento cuidadoso, líquidos, açúcar e fechamento do recipiente, dependendo da receita. Depois, as garrafas de Mount Vernon foram enterradas em cavidades abaixo do piso, ambiente escuro e relativamente protegido de mudanças rápidas de temperatura.

A conservação não foi perfeita, mas foi suficiente para deixar materiais identificáveis. O conjunto impressiona por vários motivos:

  • Trinta e cinco garrafas foram recuperadas em cavidades de armazenamento sob a mansão, e 29 chegaram intactas.
  • Cerejas, caroços, talos e outros pequenos frutos permaneceram preservados dentro de recipientes fechados.
  • O formato das garrafas e o contexto arqueológico apontam para o século XVIII, antes de reformas posteriores do piso.
  • A equipe trabalha com análises laboratoriais para identificar melhor as frutas e os processos usados para conservá-las.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube George Washington’s Mount Vernon que fala sobre a descoberta das garrafas com frutas preservadas e as análises conduzidas pelos arqueólogos de Mount Vernon:

Quem provavelmente preparou e armazenou aquelas frutas?

Mount Vernon era sustentada pelo trabalho de centenas de pessoas escravizadas. A própria instituição destaca que tarefas de cozinha, jardinagem, colheita, conservação e organização das despensas dependiam desse trabalho especializado. Por isso, contar a história das garrafas apenas como uma curiosidade ligada a George Washington apagaria quem provavelmente manipulou o alimento.

Registros da propriedade citam pessoas escravizadas envolvidas na produção de alimentos, e a equipe de Mount Vernon considera esse contexto essencial para interpretar o achado. A habilidade de conservar frutas por meses era conhecimento prático valioso numa casa grande, especialmente antes de refrigeração e cadeias modernas de abastecimento.

O que as garrafas ainda podem revelar sobre a vida em Mount Vernon?

Cada análise pode acrescentar um pedaço inesperado. A espécie ou variedade da fruta ajuda a reconstruir cultivo e comércio; resíduos químicos podem revelar ingredientes; a posição das garrafas indica como a adega foi organizada. O estudo arqueológico cruza esses vestígios com documentos escritos para aproximar objetos e pessoas.

O detalhe mais poderoso é que uma reforma destinada a preservar a casa encontrou algo que seus antigos moradores esconderam do tempo sem saber. As garrafas não guardaram apenas frutas, mas gestos de cozinha, armazenamento e trabalho cotidiano. Em uma residência famosa por um presidente, o achado devolve atenção à vida que acontecia abaixo do piso.