Astrônomos confirmam pela primeira vez a existência de uma caverna vulcânica enorme em Vênus
A abertura analisada fica no flanco oeste de Nyx Mons e mede aproximadamente 1.545 por 1.070 metros.
Uma análise publicada em fevereiro de 2026 revelou, em dados de radar da missão Magellan, uma cavidade subterrânea aberta na região de Nyx Mons. A estrutura, interpretada como provável tubo de lava, representa um conduto vulcânico acessível sob a superfície de Vênus.

O que os astrônomos encontraram sob a superfície de Vênus?
A abertura analisada fica no flanco oeste de Nyx Mons e mede aproximadamente 1.545 por 1.070 metros. O padrão incomum do radar mostrou reflexos vindos do interior, indicando uma passagem horizontal além da área de colapso visível.
Os cálculos apontam profundidade próxima de 450 metros, teto rochoso com cerca de 150 metros e espaço vazio de pelo menos 375 metros de altura. Perto da entrada, a largura estimada supera um quilômetro, evidenciando uma escala gigantesca.
As principais dimensões estimadas para a estrutura são:
- 🕳️
Abertura: mede aproximadamente 1.545 metros por 1.070 metros. - 📏
Profundidade: o colapso alcança cerca de 450 metros. - 🪨
Teto: a camada rochosa possui aproximadamente 150 metros. - ↕️
Altura: o espaço vazio interno chega a pelo menos 375 metros. - ↔️
Largura: o conduto supera um quilômetro próximo da entrada.
Como os tubos de lava são formados?
Tubos de lava surgem quando a parte externa de um fluxo vulcânico esfria e forma uma crosta, enquanto material quente continua correndo por baixo. Quando o fluxo termina, pode restar um túnel vazio protegido por uma espessa camada de rocha.
Em Vênus, a gravidade menor e a atmosfera mais densa podem favorecer a rápida criação de uma crosta isolante sobre a lava. Essas condições ajudam a explicar por que os possíveis tubos venusianos alcançariam dimensões muito superiores às cavernas terrestres.
Como o radar conseguiu revelar a caverna vulcânica?
A identificação foi possível com imagens obtidas entre 1990 e 1992 pela missão Magellan. O radar enviava ondas à superfície e registrava seus retornos, permitindo mapear o terreno mesmo através da atmosfera espessa e das permanentes nuvens venusianas.
Radar atravessou a entrada
Reflexos revelaram o espaço subterrâneo
Parte das ondas enviadas pela Magellan atravessou a abertura formada pelo desabamento do teto e atingiu o interior da cavidade.
O retorno assimétrico do sinal permitiu calcular dimensões aproximadas e distinguir a passagem horizontal de uma depressão comum na superfície.
Na abertura de Nyx Mons, os pesquisadores encontraram uma sombra bem definida e um retorno brilhante assimétrico que avançava além da borda. Esse comportamento já aparece em tubos terrestres conhecidos e indica que o sinal penetrou no interior da cavidade.
Três características sustentaram a interpretação dos pesquisadores:
- O reflexo brilhante continuava além da borda da abertura observada.
- A assinatura do radar era semelhante à registrada em tubos de lava terrestres.
- O padrão indicava uma cavidade vazia com continuação horizontal sob a superfície.
- A abertura estava associada a uma cadeia sinuosa de depressões no terreno.

Tubos de lava surgem quando a parte externa de um fluxo vulcânico esfria e forma uma crosta, enquanto material quente continua correndo por baixo - Imagem gerada por IA
Quais dúvidas sobre a estrutura ainda permanecem?
A cadeia de depressões associada à abertura acompanha a inclinação do terreno e pode indicar um sistema muito extenso. Os autores estimam que o provável tubo alcance ao menos 45 quilômetros, embora essa extensão dependa de uma interpretação geológica.
Outras explicações, como fossas tectônicas, crateras de impacto ou cavidades associadas a diques, foram comparadas ao padrão observado. A assinatura registrada é mais compatível com um teto colapsado sobre passagem horizontal, mas a origem vulcânica ainda exige confirmação adicional.
Os próximos estudos precisarão esclarecer alguns pontos:
- Determinar até onde o conduto continua além do trecho alcançado pelo radar.
- Confirmar se toda a cadeia de depressões pertence ao mesmo tubo de lava.
- Avaliar a resistência do teto diante da pressão e do calor de Vênus.
- Investigar a parte oeste da estrutura, que não foi registrada pelo radar.
- Descartar completamente uma possível formação associada a diques subterrâneos.
Como a descoberta pode orientar futuras missões espaciais?
A descoberta apresentada na identificação da enorme caverna vulcânica em Vênus abre um novo alvo para missões futuras. Instrumentos com maior resolução poderão localizar outras entradas e medir com mais precisão a estrutura subterrânea em diferentes regiões do planeta.
As missões EnVision e VERITAS devem usar radares capazes de produzir imagens mais detalhadas do planeta. Essas observações poderão testar a continuidade do conduto, avaliar sua estabilidade e revelar se o subsolo preserva registros importantes da história vulcânica de Vênus.