Baobá: a árvore de aparência ancestral cujo maior exemplar vivo esconde uma história cercada por gigantes caídos

Árvore africana impressiona pelo tronco volumoso, pela madeira extremamente leve e por uma história marcada por resistência e perdas.

O tronco inchado do baobá não é apenas uma característica exótica. Ele reúne tecidos vivos capazes de armazenar grandes volumes de água, permitindo que a árvore atravesse longos períodos de seca. Essa adaptação ajuda a explicar como alguns exemplares sobreviveram por mais de mil anos, embora vários gigantes tenham desabado recentemente.

Quando perde as folhas durante a estação seca, o baobá exibe galhos retorcidos que lembram raízes apontadas para o céu.
Quando perde as folhas durante a estação seca, o baobá exibe galhos retorcidos que lembram raízes apontadas para o céu. - Imagem gerada por IA

Por que o baobá parece uma árvore pré-histórica?

Quando perde as folhas durante a estação seca, o baobá exibe galhos retorcidos que lembram raízes apontadas para o céu. Essa aparência deu origem ao apelido de árvore de cabeça para baixo e reforçou sua presença em lendas, tradições e paisagens marcantes da África.

O gênero Adansonia reúne oito espécies reconhecidas. Seis são nativas de Madagascar, uma ocorre naturalmente na África continental e outra no noroeste da Austrália. Um estudo publicado na revista Nature, em 2024, indicou que essa linhagem surgiu em Madagascar há cerca de 21 milhões de anos.

Galhos sem folhas lembram raízes voltadas para o céu africano.
Galhos sem folhas lembram raízes voltadas para o céu africano. - Créditos: Imagem criada por IA.

Como o tronco ajuda a enfrentar a seca?

O baobá possui uma madeira leve e rica em células vivas que retêm água. Por isso, o tronco pode aumentar de tamanho durante o período chuvoso e diminuir gradualmente na estação seca, funcionando como uma reserva natural em ambientes com pouca disponibilidade hídrica.

Essa estrutura também oferece abrigo e alimento para diferentes animais. Para comunidades humanas, a árvore fornece frutos, folhas e fibras, além de marcar locais de convivência. Suas raízes extensas ainda contribuem para reduzir a erosão e reciclar nutrientes no solo.

Qual é o maior baobá vivo conhecido?

O recorde atual pertence à Grande Árvore de Sagole, um exemplar de Adansonia digitata localizado em Masisi, na província de Limpopo, África do Sul. Segundo o Guinness World Records, o título considera o volume total de madeira e casca, e não apenas a altura.

  • O volume total estimado chega a 414 metros cúbicos de madeira e casca.
  • A árvore possui cerca de 19,8 metros de altura e uma base de 60,6 metros quadrados.
  • A massa seca acima do solo é estimada em 54 toneladas devido à baixa densidade da madeira.

Embora pareça muito pesada, Sagole apresenta uma massa relativamente pequena para seu enorme volume. A madeira do baobá possui densidade média próxima de 0,13 grama por centímetro cúbico, valor inferior até mesmo ao de madeiras conhecidas por sua leveza, como a balsa.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Mundo Interessante falando mais sobre as milenares Baobás.

Quais gigantes perderam o recorde após desabar?

Até 2018, o maior baobá vivo conhecido era o Tsitakakoike, de Madagascar, com volume aproximado de 455 metros cúbicos. Parte da árvore desabou naquele ano. O baobá Platland, na África do Sul, também perdeu uma grande seção em 2016 após séculos de crescimento.

Uma pesquisa publicada na Nature Plants, em 2018, relatou que nove dos 13 baobás africanos mais antigos e cinco dos seis maiores haviam morrido ou perdido seus caules mais velhos. Os pesquisadores observaram o padrão incomum, mas não estabeleceram uma causa definitiva para os colapsos.

O que a queda dos baobás ensina?

A longevidade dessas árvores não significa que sejam indestrutíveis. Sua estrutura é formada por múltiplos caules que podem crescer juntos, envelhecer em ritmos diferentes e sofrer colapsos parciais. Estudos posteriores também mostraram que algumas árvores consideradas mortas ainda mantinham partes vivas e capazes de crescer.

O recorde de Sagole representa tanto uma celebração quanto um alerta. Preservar baobás exige proteger seus ambientes, acompanhar os exemplares antigos e evitar conclusões apressadas sobre suas perdas. Conhecer esses gigantes agora é essencial para que continuem de pé por muitas outras gerações.