Besouro raro que exala substância dos joelhos quando atacado redescoberto no País de Gales

Inseto sumiu do país por quase 80 anos antes de reaparecer na costa galesa.

Um besouro raro voltou a chamar a atenção de pesquisadores no País de Gales após levantamentos identificarem larvas em Castlemartin Range, na região de Pembrokeshire. O registro indica reprodução ativa de Meloe brevicollis, inseto ameaçado pela perda de habitat e conhecido pelo sangramento reflexo, uma defesa química acionada diante do perigo.

Como funciona o sangramento reflexo do besouro?

O besouro-de-pescoço-curto libera pelas articulações das pernas uma substância oleosa de coloração amarela ou alaranjada quando se sente ameaçado. Chamado de sangramento reflexo, esse mecanismo afasta possíveis predadores e explica a denominação inglesa “oil beetle”. A secreção não é sangue comum, mas um fluido defensivo associado à hemolinfa do inseto.

  • A substância aparece nas articulações próximas aos “joelhos”.
  • A resposta costuma ocorrer quando o animal é perturbado ou atacado.
  • O composto defensivo pode irritar a pele, por isso o inseto não deve ser manuseado.

Espécie redescoberta depende de abelhas solitárias

A espécie redescoberta possui um ciclo de vida incomum. Depois da eclosão, as pequenas larvas, chamadas triungulinos, sobem nas flores e usam patas em forma de gancho para se prender a abelhas solitárias. Transportadas até o ninho, elas passam a consumir o pólen armazenado enquanto se desenvolvem.

Essa relação torna a sobrevivência do Meloe brevicollis dependente da presença simultânea de flores, vegetação densa, solo exposto e populações saudáveis de abelhas. Segundo os levantamentos divulgados, apenas cerca de uma em cada 10 mil larvas chega à fase adulta, que completa um ciclo de aproximadamente um ano.

As larvas dependem de abelhas solitárias para chegar aos ninhos onde se desenvolvem – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
As larvas dependem de abelhas solitárias para chegar aos ninhos onde se desenvolvem – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial - Catraca Livre

O que os pesquisadores encontraram em Pembrokeshire?

As buscas realizadas em 2026 localizaram larvas distribuídas por uma pequena área de Castlemartin Range. Para especialistas em entomologia, a quantidade, a distribuição e a época dos registros sugerem que os exemplares pertenciam a uma ninhada maior. A descoberta trouxe evidências de reprodução depois que levantamentos de 2022 e 2025 encontraram somente adultos mortos.

  • Castlemartin é o único local conhecido da espécie no País de Gales.
  • O primeiro reencontro recente na região havia sido anunciado em 2020.
  • O inseto não era registrado em território galês desde 1944.
  • A população britânica é classificada como nacionalmente rara.

Perda de habitat levou o inseto ao limite

O besouro sofreu forte declínio no Reino Unido durante o século 20. A redução de pastagens costeiras ricas em flores, a alteração do manejo rural e o desaparecimento de áreas de solo descoberto eliminaram locais adequados para postura, abrigo e alimentação. A espécie chegou a ser considerada extinta no país antes de reaparecer em Devon, em 2006.

Populações também foram identificadas nas Hébridas e na planície de Salisbury, mas ainda existem poucos ambientes capazes de sustentar o ciclo completo. A entomologia de conservação mostra que proteger apenas o inseto não basta. É necessário manter flores silvestres, ninhos de abelhas solitárias e mosaicos de vegetação ao longo das estações.

A recuperação da espécie exige flores, vegetação densa, solo exposto e abelhas hospedeiras – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
A recuperação da espécie exige flores, vegetação densa, solo exposto e abelhas hospedeiras – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial - Catraca Livre

Monitoramento será decisivo para a população galesa

A espécie redescoberta integra ações de recuperação que beneficiam outros animais e plantas do mesmo ambiente. O manejo de Castlemartin precisa preservar trechos floridos, vegetação para abrigo e solo nu para a deposição dos ovos. Sem essa combinação, a ocorrência do sangramento reflexo continuará sendo uma curiosidade biológica ligada a uma população extremamente vulnerável.

O novo registro no País de Gales não significa que o risco desapareceu. Ele confirma que o ciclo reprodutivo ainda ocorre e oferece aos pesquisadores de entomologia uma base concreta para acompanhar adultos, larvas e abelhas hospedeiras. Para essa espécie redescoberta, os próximos levantamentos mostrarão se a ninhada de 2026 dará origem a uma população estável em Pembrokeshire.