Chamado de fóssil vivo, este tubarão possui um ataque que parece saído da ficção científica
Habitante raro do oceano profundo usa um focinho sensível e uma mandíbula extensível para surpreender presas na escuridão.
Por alguns instantes, a cabeça alongada parece pertencer a um animal pré-histórico. Então, a boca avança para fora do rosto como uma armadilha e captura a presa antes que ela consiga reagir. Esse é o tubarão-duende, um raro habitante das profundezas cuja mandíbula transformou uma caçada silenciosa em uma das cenas mais curiosas do oceano.

Por que ele parece saído da pré-história?
Conhecido cientificamente como Mitsukurina owstoni, o tubarão-duende é o único representante vivo da família Mitsukurinidae. Por pertencer a uma linhagem muito antiga, costuma ser chamado de fóssil vivo. A expressão é informal e não significa que o animal permaneceu completamente inalterado ao longo do tempo.
Seu corpo flácido, o focinho comprido e achatado e a coloração rosada reforçam a aparência incomum. Essa tonalidade ocorre porque os vasos sanguíneos podem ser percebidos sob a pele clara. Como vive em regiões profundas e raramente é observado em seu ambiente, muitos detalhes de seu comportamento ainda permanecem desconhecidos.

Como a mandíbula se projeta?
Quando a boca está fechada, a mandíbula permanece recolhida sob o focinho. Durante o ataque, ligamentos e cartilagens permitem que ela avance rapidamente para a frente, aumentando o alcance da mordida. O movimento lembra o disparo de um estilingue e ajuda o tubarão a compensar uma natação aparentemente lenta.
Um estudo publicado em 2016 na revista Scientific Reports analisou vídeos de alimentação e descreveu essa estratégia como slingshot feeding. Os pesquisadores observaram que a mandíbula percorre uma distância proporcionalmente maior do que a registrada em outros tubarões estudados, aproximando os dentes da presa em uma fração de segundo.
O que ele caça nas profundezas?
O tubarão-duende se alimenta principalmente de animais que encontra nas zonas profundas do oceano. Seu focinho possui estruturas sensoriais capazes de perceber sinais elétricos produzidos por outros seres vivos, uma vantagem importante em locais onde a luz solar é fraca ou completamente ausente.
- Peixes de águas profundas podem ser surpreendidos pela rápida projeção da mandíbula.
- Lulas e outros cefalópodes também fazem parte de sua alimentação.
- Crustáceos podem ser capturados próximos ao fundo do oceano.
- Dentes finos e curvados ajudam a segurar presas escorregadias.
Em vez de perseguir longas distâncias, ele parece depender da aproximação discreta e do ataque repentino. A boca avança enquanto se abre, reduzindo rapidamente o espaço entre o predador e o alimento. Esse mecanismo também pode produzir um fluxo de água que contribui para levar a presa em direção aos dentes.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Aqua Marinhos mostrando registros de um tubarão-duende.
Onde o tubarão-duende vive?
A espécie já foi registrada em diferentes partes dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, geralmente junto a encostas continentais, cânions e montes submarinos. Muitos exemplares conhecidos foram encontrados por redes de pesca em águas profundas, situação que dificultou durante décadas a observação do animal vivo em seu próprio habitat.
Em 2026, pesquisadores relataram no Journal of Fish Biology as primeiras observações confirmadas da espécie viva em ambiente natural. As imagens foram feitas perto da Ilha Jarvis, em 2019, e na região da Fossa de Tonga, em 2024, ampliando o conhecimento sobre a distribuição e a profundidade alcançada pelo tubarão.
O monstro das profundezas oferece perigo?
Apesar dos dentes expostos e da mandíbula impressionante, o tubarão-duende não é conhecido por representar uma ameaça comum às pessoas. Seu habitat fica distante das áreas frequentadas por banhistas, e os encontros são extremamente raros. A aparência assustadora está ligada às adaptações necessárias para sobreviver em um ambiente escuro e com pouco alimento.
O verdadeiro mistério não está em temer esse animal, mas em perceber quanto ainda ignoramos sobre ele. As profundezas continuam sendo exploradas agora, e cada nova imagem pode revelar comportamentos nunca registrados. Conhecer e proteger esses ambientes é urgente, pois espécies extraordinárias podem desaparecer antes mesmo que a ciência compreenda como vivem.