Cientistas ensinaram este pequeno inseto a somar, subtrair e reconhecer o zero dentro de um labirinto
Você provavelmente não imaginava que um inseto pudesse resolver uma conta, mas abelhas treinadas já escolheram respostas para adições
Você provavelmente não imaginava que um inseto pudesse resolver uma conta, mas abelhas treinadas já escolheram respostas para adições, subtrações e até situações envolvendo o zero. Os experimentos não mostram que elas fazem matemática como humanos, porém revelam que um cérebro minúsculo consegue processar quantidades e aprender regras surpreendentemente abstratas.

As abelhas realmente conseguem contar?
Estudos com abelhas-europeias, da espécie Apis mellifera, indicam que elas distinguem pequenas quantidades e podem usar o número de elementos como informação. Em experimentos de navegação, por exemplo, os insetos aprenderam a localizar alimento depois de passar por determinada quantidade de marcos visuais.
Isso não significa que contem mentalmente dizendo “um, dois, três”. Os pesquisadores falam em cognição numérica, capacidade de perceber e comparar conjuntos. A abelha pode reconhecer que uma imagem possui mais ou menos formas do que outra, mesmo quando tamanho, disposição e aparência dos elementos são modificados.

Como os cientistas testam a matemática dos insetos?
Os testes costumam usar labirintos em formato de Y. A abelha entra por uma passagem, observa uma imagem e precisa escolher entre duas saídas. Uma alternativa oferece água açucarada como recompensa, enquanto a resposta errada pode apresentar uma solução amarga, ajudando o animal a aprender a regra após várias tentativas.
Para evitar que a escolha dependa apenas da aparência, os cientistas alteram formas, cores, tamanhos e posições. Entre as habilidades examinadas estão:
- Comparar conjuntos com diferentes quantidades;
- Relacionar símbolos a números de elementos;
- Reconhecer um conjunto vazio;
- Somar uma unidade a uma quantidade;
- Subtrair uma unidade de uma quantidade.
Abelhas demonstraram compreender o zero
Em um estudo publicado em 2018 na revista Science, Scarlett Howard e seus colegas treinaram abelhas para escolher imagens com menos elementos. Quando receberam uma imagem vazia, os insetos frequentemente a colocaram abaixo dos conjuntos com uma ou mais formas, comportamento compatível com uma noção básica de zero.
O resultado chamou atenção porque o zero é uma ideia abstrata, diferente de simplesmente enxergar objetos. A distância entre as quantidades também influenciou os acertos: distinguir zero de seis foi mais fácil do que diferenciar zero de um. Esse padrão também aparece em tarefas numéricas realizadas por outros animais.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Mundo Feroz mostrando o mundo secreto das abelhas e como esses pequenos insetos podem ser muito mais inteligentes do que imaginamos.
Elas também aprenderam soma e subtração
Em 2019, outro estudo liderado por Howard e publicado na Science Advances ensinou abelhas a associar cores a operações. O azul indicava que deveriam adicionar uma unidade ao conjunto apresentado, enquanto o amarelo informava que precisavam retirar uma. Depois, cada inseto escolhia entre duas possíveis respostas.
As abelhas conseguiram aplicar a regra a quantidades que não apareciam exatamente da mesma forma durante o treinamento. Isso sugere uma combinação de memória de trabalho, aprendizado associativo e manipulação de pequenas quantidades. Ainda assim, eram operações limitadas e aprendidas com repetição, recompensa e pistas visuais.
Um cérebro minúsculo pode realizar tarefas complexas
Esses resultados não transformam abelhas em calculadoras voadoras. Parte do desempenho pode depender de associações entre estímulos e recompensas, e os pesquisadores continuam debatendo quais mecanismos mentais estão envolvidos. Mesmo assim, estudos controlados indicam que suas escolhas não se explicam apenas por detalhes visuais simples.
A descoberta mais importante é que habilidades semelhantes à matemática básica não exigem necessariamente um cérebro grande. Ao observar uma abelha visitando flores, lembre-se de que ela pode comparar opções, memorizar rotas e avaliar quantidades. Proteger esses insetos é urgente, pois cada colmeia abriga capacidades cognitivas que a ciência apenas começou a compreender.