Cientistas escanearam a floresta de Machu Picchu e descobriram 2,5 quilômetros de caminhos ocultos sob a vegetação
Tecnologia LiDAR removeu digitalmente a vegetação e revelou caminhos, possíveis terraços agrícolas e plataformas ainda desconhecidos pelos arqueólogos.
Uma floresta aparentemente intocada ao redor de Machu Picchu escondia algo que nem décadas de exploração haviam registrado: mais de 2,5 quilômetros de antigas estradas pré-hispânicas. Ao retirar digitalmente a vegetação com tecnologia a laser, pesquisadores revelaram caminhos, possíveis terraços agrícolas e plataformas sob a densa floresta nublada peruana.

O que foi descoberto sob a floresta de Machu Picchu?
As estruturas foram identificadas na região da muralha de Mandor, a leste de Machu Picchu, onde arqueólogos já haviam realizado trabalhos preliminares em julho de 2023. O relevo montanhoso e a cobertura vegetal tornam a exploração terrestre especialmente difícil, permitindo que vestígios permaneçam quase invisíveis.
Entre as descobertas está uma estrada em ziguezague com pelo menos 1,2 quilômetro de extensão. O desenho apresenta características associadas às técnicas construtivas incas, mas os pesquisadores ainda não determinaram sua idade. Por isso, não é possível afirmar com segurança quem construiu a rota ou qual era sua função original.

Como lasers conseguiram enxergar caminhos escondidos?
Os pesquisadores recorreram ao LiDAR, sigla em inglês para Light Detection and Ranging. A tecnologia dispara pulsos de laser em direção à superfície e mede o tempo de retorno dos sinais, permitindo produzir modelos muito detalhados do terreno mesmo em locais cobertos por árvores e vegetação densa.
Depois do processamento dos dados, parte da interferência visual provocada pela floresta pode ser removida digitalmente. Assim, alterações sutis no solo ganham destaque. Estradas, terraços, fundações e outras construções antigas que seriam difíceis de reconhecer durante uma caminhada passam a aparecer com maior clareza nos mapas digitais.
Quais estruturas apareceram nas varreduras?
O levantamento indicou que a estrada de 1,2 quilômetro é apenas parte de um conjunto maior. Segundo as informações divulgadas sobre a pesquisa, mais de 2,5 quilômetros de caminhos pré-hispânicos antes não documentados foram identificados, acompanhados por outras formas no terreno que ainda precisam ser examinadas diretamente por arqueólogos.
- Uma estrada em ziguezague possui pelo menos 1,2 quilômetro de extensão.
- O conjunto de rotas detectadas supera 2,5 quilômetros de caminhos não documentados anteriormente.
- Possíveis terraços agrícolas foram identificados sob a cobertura vegetal.
- Plataformas e outras alterações artificiais no terreno também serão investigadas.
Esses indícios não significam que todas as estruturas já estejam identificadas ou datadas. O LiDAR funciona como um mapa para orientar as próximas escavações e inspeções. Somente o trabalho de campo poderá confirmar como esses elementos foram construídos, durante qual período foram utilizados e de que maneira se relacionavam entre si.

Por que os arqueólogos ainda precisam investigar a área?
Autoridades culturais de Cusco solicitaram estudos arqueológicos direcionados para esclarecer a idade, os métodos de construção, a finalidade e o estado de conservação das estruturas. Também será necessário avaliar quais vestígios precisam de proteção imediata e como podem ser integrados aos programas de conservação de Machu Picchu.
Maritza Rosa Candia, diretora executiva da Direção Desconcentrada de Cultura de Cusco, destacou que novas tecnologias estão ampliando o conhecimento dos especialistas sobre o território e ajudando a definir onde futuras pesquisas devem se concentrar. Machu Picchu integra a Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1983.
A descoberta pode mudar o que sabemos sobre Machu Picchu?
Mesmo após mais de um século de pesquisas arqueológicas, a paisagem ao redor de Machu Picchu continua revelando estruturas desconhecidas. As novas estradas podem ajudar especialistas a compreender melhor como pessoas, alimentos e recursos circulavam pela região, além de mostrar como áreas atualmente tomadas pela floresta eram organizadas no passado.
A descoberta também deixa um recado claro: ainda existe muito a ser encontrado sob a vegetação dos Andes. A partir de agora, cada investigação de campo poderá transformar linhas reveladas por laser em novas peças da história. Acompanhar essas pesquisas é acompanhar, em tempo real, a reconstrução de um território que ainda guarda segredos.