Compraram uma ilha de 4.000 hectares para criar ovelhas e agora estão gastando 4,8 milhões para convertê-la em um refúgio para animais em perigo

Flinders Island fica aproximadamente 35 quilômetros distante da Península de Eyre e possui cerca de 50 quilômetros de litoral.

Em 1979, Peter e Pamela Woolford compraram a Flinders Island, uma ilha de quase 4.000 hectares diante da costa da Austrália Meridional, e se mudaram para lá com os filhos para administrar uma criação de ovelhas merino. Quase meio século depois, as ovelhas desapareceram e o território entrou em uma transformação radical: um projeto de 4,8 milhões de dólares australianos está eliminando espécies invasoras para permitir que pequenos mamíferos ameaçados voltem a ocupar a ilha.

Flinders Island fica aproximadamente 35 quilômetros distante da Península de Eyre e possui cerca de 50 quilômetros de litoral.
Flinders Island fica aproximadamente 35 quilômetros distante da Península de Eyre e possui cerca de 50 quilômetros de litoral.Imagem gerada por inteligência artificial

Como uma fazenda de ovelhas acabou se transformando em projeto de conservação?

A família Woolford passou décadas explorando a propriedade como uma estação de criação de ovelhas, enquanto também desenvolvia atividades ligadas à pesca de abalone. A pecuária começou a ser reduzida no início dos anos 2000, e a ideia de recuperar ecologicamente a ilha amadureceu durante aproximadamente duas décadas.

O projeto ganhou escala com uma parceria entre os proprietários, o governo australiano, o governo da Austrália Meridional e o conselho ambiental regional da Península de Eyre. Os 4,8 milhões de dólares australianos, portanto, não correspondem a uma despesa feita exclusivamente pela família.

  • A ilha foi comprada pela família Woolford em 1979;
  • A principal atividade inicial era a criação de ovelhas merino;
  • A pecuária começou a diminuir gradualmente nos anos 2000;
  • Os últimos animais de criação foram retirados em 2025;
  • Grande parte da propriedade passará a contar com proteção voltada à conservação.

Por que uma ilha de 3.854 hectares é tão valiosa para animais ameaçados?

Flinders Island fica aproximadamente 35 quilômetros distante da Península de Eyre e possui cerca de 50 quilômetros de litoral. Aproximadamente 75% de sua superfície ainda conserva vegetação nativa, enquanto o isolamento pelo mar funciona como uma barreira natural contra a chegada de novos predadores. Isso elimina a necessidade de construir quilômetros de cercas especiais ao redor do futuro refúgio de fauna.

O que precisou desaparecer antes que os animais nativos possam voltar?

O maior obstáculo eram cinco animais introduzidos que modificaram profundamente o ecossistema: ovelhas, bovinos selvagens, gatos ferais, ratos e camundongos. Entre maio e o fim de 2025, uma grande operação combinou retirada do gado, distribuição controlada de iscas, buscas em campo, câmeras e drones térmicos.

As operações diretas de erradicação foram concluídas em 2025. A dificuldade agora é comprovar que nenhum pequeno núcleo de gatos ou roedores sobreviveu e conseguiu voltar a se reproduzir.

  • Ovelhas e bovinos foram retirados da propriedade;
  • Ratos e camundongos foram alvo de uma grande operação aérea de controle;
  • Gatos ferais foram procurados até os últimos indivíduos;
  • Drones térmicos ajudaram nas buscas pelo terreno;
  • O monitoramento continuará antes da declaração oficial de ilha livre dessas espécies.

    Flinders Island fica aproximadamente 35 quilômetros distante da Península de Eyre e possui cerca de 50 quilômetros de litoral.
    Flinders Island fica aproximadamente 35 quilômetros distante da Península de Eyre e possui cerca de 50 quilômetros de litoral.Imagem gerada por inteligência artificial

Quais animais ameaçados poderão ocupar a ilha no futuro?

A reintrodução não começou imediatamente após a retirada dos invasores. A previsão é confirmar formalmente o status de área livre dessas pragas por volta de meados de 2027. Só depois dessa verificação poderão começar as primeiras transferências de mamíferos nativos.

Entre as espécies avaliadas estão animais que desapareceram de grandes porções de sua distribuição histórica e que são especialmente vulneráveis a predadores introduzidos.

  • Wallaby-lebre-listrado;
  • Bandicoot-marrom-do-sul da população de Nuyts;
  • Rato-construtor-de-ninhos-grande;
  • Dibbler, um pequeno marsupial carnívoro;
  • Outras espécies poderão ser escolhidas de acordo com habitat e segurança disponíveis.

A natureza começou a responder antes mesmo da chegada dos novos mamíferos

Os primeiros sinais apareceram pouco depois da retirada dos animais introduzidos. Em 2026, equipes envolvidas no projeto já relatavam regeneração de mudas de casuarinas, abundância de orquídeas nativas e reprodução de aves costeiras em áreas que haviam permanecido expostas a predadores durante décadas. Pequenos pinguins também voltaram a ser registrados em pontos da ilha.

A transformação da Flinders Island ainda não está concluída. Os mamíferos ameaçados só poderão ser liberados depois que o monitoramento confirmar que gatos, ratos e camundongos realmente desapareceram. Mesmo assim, a mudança já é incomum: uma propriedade comprada para produzir lã está deixando de ser uma fazenda de ovelhas para se tornar quase 4.000 hectares de habitat protegido, onde espécies ausentes há décadas poderão finalmente ter a oportunidade de voltar.