Crocodile Schneider: o primeiro robô explosivo controlado por cabo que entrou em combate há mais de um século

Décadas antes de drones sobrevoarem frentes de combate, uma pequena máquina francesa já avançava pela terra de ninguém carregando explosivos.

Décadas antes de drones sobrevoarem frentes de combate, uma pequena máquina francesa já avançava pela terra de ninguém carregando explosivos. O Crocodile Schneider, usado em 1916, é frequentemente apontado como um dos primeiros robôs terrestres empregados em batalha, embora estivesse muito distante das máquinas autônomas atuais.

Durante a Primeira Guerra Mundial, trincheiras, metralhadoras e extensas barreiras de arame farpado tornavam qualquer avanço extremamente perigoso.
Durante a Primeira Guerra Mundial, trincheiras, metralhadoras e extensas barreiras de arame farpado tornavam qualquer avanço extremamente perigoso. - Imagem gerada por IA

Qual foi o primeiro robô usado em combate?

Durante a Primeira Guerra Mundial, trincheiras, metralhadoras e extensas barreiras de arame farpado tornavam qualquer avanço extremamente perigoso. Em resposta, engenheiros franceses desenvolveram um veículo de esteiras controlado por um cabo, projetado para transportar uma carga explosiva até as defesas inimigas.

Conhecido como Crocodile Schneider Torpille Terrestre, o equipamento carregava cerca de 40 quilos de explosivos e teve uso limitado em junho de 1916. Como dependia de comandos humanos e não tomava decisões sozinho, ele seria classificado atualmente como um veículo não tripulado, e não como um robô autônomo.

Dispositivo terrestre guiado por cabo transportava explosivos até as linhas inimigas fortificadas.
Dispositivo terrestre guiado por cabo transportava explosivos até as linhas inimigas fortificadas. - Arquivos Federais

Por que a máquina não transformou a guerra?

A ideia era fazer o dispositivo atravessar a terra de ninguém e abrir passagens no arame farpado ou destruir posições fortificadas. Assim, soldados não precisariam se aproximar carregando explosivos sob fogo. Na prática, o terreno irregular, as crateras e a vulnerabilidade do cabo dificultavam o funcionamento.

O desempenho foi pouco convincente e o projeto logo perdeu espaço para uma novidade mais versátil: o tanque tripulado. Mesmo sem se tornar uma arma decisiva, o Crocodile Schneider antecipou um princípio que guiaria diversos projetos posteriores, o de afastar combatentes humanos das tarefas mais arriscadas.

Quais outras máquinas surgiram na Primeira Guerra?

A busca por armamentos não tripulados também chegou aos céus. Britânicos e norte-americanos testaram aeronaves guiadas a distância ou por mecanismos previamente programados. Esses projetos ainda eram instáveis, mas apresentavam conceitos que reapareceriam décadas depois em mísseis e drones modernos.

  • Aerial Target foi um monoplano britânico controlado por rádio e testado em março de 1917.
  • Kettering Bug foi uma aeronave norte-americana programada para voar até um alvo e cair com explosivos.
  • Veículos terrestres transportavam cargas até obstáculos sem levar um soldado em seu interior.

O Imperial War Museums identifica o Aerial Target como o monoplano controlado por rádio usado em um voo experimental em 21 de março de 1917. Já o Museu Nacional da Força Aérea dos Estados Unidos registra que o Kettering Bug teve controles pneumáticos e elétricos, mas não ficou pronto para combater antes do fim da guerra.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube EventLabra falando sobre os motivos que muitos drones soviéticos falharam durante a Segunda Guerra Mundial.

Como os teletanques e o Goliath chegaram ao front?

Na década de 1930, a União Soviética desenvolveu os teletanques, blindados controlados por rádio a partir de outro veículo. Eles foram utilizados na Guerra de Inverno contra a Finlândia, em 1940, inclusive para localizar minas e se aproximar de fortificações. Falhas no sinal e dificuldades no terreno limitaram seus resultados.

A Alemanha nazista adotou outra solução na Segunda Guerra Mundial: o Goliath, uma pequena carga explosiva sobre esteiras, conduzida até tanques, pontes ou bunkers. Mais de 7.500 unidades foram produzidas, mas sua baixa velocidade, o custo elevado e o cabo facilmente cortado impediram que a máquina tivesse o impacto esperado.

O que essas invenções revelam sobre os robôs atuais?

Não existe uma única resposta para a identidade do primeiro robô militar, pois tudo depende da definição adotada. O Crocodile Schneider está entre os primeiros veículos terrestres remotamente controlados usados em combate, enquanto o Aerial Target ocupa um lugar importante na história dos drones. Nenhum deles possuía inteligência própria.

Essas máquinas rudimentares mostram que a tentativa de retirar pessoas das missões mais perigosas começou há mais de um século. Conhecer essa origem é essencial para discutir com urgência quem controla os sistemas militares atuais, quais decisões podem ser automatizadas e até onde a tecnologia deve avançar antes de superar a responsabilidade humana.