Depósito inca escondia petiscos de batata liofilizada preservados por cerca de 500 anos e descoberta rara traz revelações sobre a logística alimentar da época

Achado raro em um antigo depósito inca mostra como alimentos produzidos nos Andes percorriam centenas de quilômetros para abastecer diferentes regiões.

Batatas liofilizadas de 500 anos encontradas em um antigo depósito inca no Peru surpreenderam arqueólogos e revelaram novas evidências sobre a logística alimentar de uma das maiores civilizações da América do Sul.

O chuño é produzido por meio de um processo natural de liofilização.
O chuño é produzido por meio de um processo natural de liofilização. - Imagem gerada por IA

Como a descoberta inédita reforça a eficiência do Império Inca?

Arqueólogos localizaram dois pedaços de chuño, uma tradicional batata liofilizada, dentro de um depósito com cerca de 500 anos em Tambo Viejo, no Vale de Acarí, sul do Peru. O alimento foi preservado graças ao clima extremamente seco da região.

A descoberta é considerada rara porque o chuño é um alimento orgânico muito delicado. Segundo os pesquisadores, esta é apenas a segunda ocorrência conhecida desse produto em um sítio arqueológico relacionado aos incas.

O que é o chuño e por que ele era tão importante?

O chuño é produzido por meio de um processo natural de liofilização. As batatas permanecem expostas às geadas durante a noite e ao sol durante o dia, eliminando praticamente toda a água do alimento.

Esse método transformava a batata em um produto leve, resistente e capaz de permanecer armazenado por décadas, tornando-se um dos principais alimentos utilizados pelo Império Inca em períodos de escassez e durante longas viagens.

Como as batatas viajavam centenas de quilômetros?

Os pesquisadores acreditam que as batatas encontradas foram produzidas nas regiões montanhosas, acima de 3.600 metros de altitude, e transportadas até a costa peruana utilizando caravanas de lhamas pela extensa rede de estradas incas.

Essa descoberta reforça a capacidade de organização do império e mostra como alimentos produzidos nos Andes abasteciam centros administrativos localizados a centenas de quilômetros de distância.

Petiscos de batata iofilizada encontrados no Peru
Petiscos de batata iofilizada encontrados no Peru - Imagem gerada por IA

Quais os principais detalhes da descoberta arqueológica?

Além das batatas liofilizadas, os arqueólogos encontraram outros objetos que ajudam a entender o contexto do depósito. Esses materiais reforçam que o local fazia parte da estrutura administrativa inca.

Entre os principais achados estão:

  • Dois pedaços de chuño preservados por aproximadamente 500 anos.
  • Um fragmento de cerâmica inca.
  • Um fuso quebrado, utilizado para produzir fios a partir de fibras têxteis.
  • Um vaso de barro parcialmente enterrado, onde os alimentos estavam armazenados.

Estudo destaca lições que continuam atuais

Segundo o pesquisador Lidio Valdez, o método de conservação provavelmente surgiu antes mesmo da formação do Império Inca. A técnica permitia armazenar alimentos por muito tempo sem depender de tecnologias modernas.

Os pesquisadores afirmam que práticas antigas como essa ainda podem inspirar soluções para desafios atuais ligados à segurança alimentar e à redução do desperdício de alimentos em diversas partes do mundo.

Como novas escavações podem revelar mais segredos dos incas?

Como poucas áreas da costa peruana foram escavadas de forma sistemática, especialistas acreditam que novas evidências sobre o transporte de alimentos e a administração do Império Inca ainda podem surgir nos próximos anos.

A descoberta publicada no Journal of Field Archaeology amplia o conhecimento sobre a economia inca e demonstra como técnicas desenvolvidas há séculos garantiam o abastecimento de diferentes regiões do império.