Descobriram novo dinossauro carnívoro na Argentina
Os ossos ficaram guardados por anos antes de revelarem a espécie.
Um novo dinossauro carnívoro foi identificado na Argentina a partir de ossos encontrados em Neuquén, no norte da Patagônia. Batizada de Rinconraptor pipoae, a espécie viveu há cerca de 86 milhões de anos, durante o Cretáceo Superior, e teria alcançado aproximadamente sete metros de comprimento.
Quem era o Rinconraptor pipoae?
O predador pertencia aos megaraptorídeos, grupo de dinossauros terópodes bípedes conhecido pelos braços fortes e pelas grandes garras. Embora essas garras não tenham sido preservadas no fóssil, espécies próximas possuíam estruturas que podiam chegar a 40 centímetros. O animal ocupava o topo da cadeia alimentar da Patagônia ao lado dos abelissaurídeos, carnívoros com membros anteriores bem menores.
- Viveu há aproximadamente 86 milhões de anos.
- Media cerca de sete metros da cabeça à cauda.
- Habitava ecossistemas continentais do atual território argentino.
- Fazia parte da família Megaraptoridae.
Fóssil reúne vértebras e ossos dos membros
O fóssil de referência inclui dez vértebras da cauda, parte do úmero esquerdo e um fragmento da tíbia direita. Os elementos estavam concentrados em uma área de apenas quatro metros quadrados, em Cerro Overo, dentro da Formação Bajo de la Carpa. As diferenças anatômicas observadas no braço e na perna permitiram reconhecer uma espécie até então desconhecida.
A descoberta começou em 2016, quando integrantes do Museu Municipal Argentino Urquiza localizaram vértebras isoladas. Uma nova inspeção ocorreu em 2018, e a escavação de 2019 recuperou os demais ossos. A preparação do material foi interrompida durante a pandemia, e o estudo definitivo acabou aceito para publicação em setembro de 2026.

Como a Paleontologia calculou o tamanho do predador?
Sem um esqueleto completo, os pesquisadores compararam as proporções das vértebras com as de outros megaraptorídeos. O cálculo indicou cerca de sete metros para o novo dinossauro carnívoro. Outros restos da mesma família encontrados na região podem ter pertencido a animais com mais de oito metros, os maiores terópodes já registrados naquele sítio da Argentina.
- O formato das vértebras ajudou a posicionar a espécie na árvore evolutiva.
- O úmero e a tíbia revelaram características exclusivas.
- A análise filogenética apontou proximidade entre megaraptoranos e tiranossauroideos.
- As cavidades nos ossos reduziam o peso corporal sem eliminar a resistência do esqueleto.
Patagônia guardava diferentes grandes predadores
A Paleontologia mostra que Cerro Overo e La Invernada formavam um ambiente de alta biodiversidade. Megaraptorídeos e abelissaurídeos dividiam espaço com saurópodes titanossauros, ornitópodes, crocodiliformes e tartarugas. Essa fauna sugere que os grandes caçadores exploravam recursos ou nichos distintos, reduzindo a competição direta.
A Argentina concentra o maior número de exemplares atribuídos aos megaraptorídeos. O registro inclui gêneros como Megaraptor, Murusraptor, Aerosteon e Joaquinraptor. A tradição de pesquisa na região também aparece nas coleções do Museu Carmen Funes, em Neuquén, conhecido por preservar importantes fósseis de dinossauros.

Um nome ligado ao território e à pesquisa científica
O nome Rinconraptor faz referência à proximidade do achado com Rincón de los Sauces. Já pipoae homenageia Laura Pipo, paleobotânica e bolsista de doutorado que participou da campanha de 2019. Ela morreu em 2020, antes que o fóssil pudesse ser preparado e analisado em laboratório.
A descrição do dinossauro carnívoro amplia o inventário pré-histórico da Argentina e oferece novas pistas sobre a evolução dos megaraptorídeos. Para a Paleontologia, as vértebras, o úmero e a tíbia recuperados na Patagônia ajudam a reconstruir tanto a anatomia do animal quanto a organização dos ecossistemas do Cretáceo Superior.