Dia Mundial do Cachorro: ciência comprova que cães protegem a imunidade de bebês e reduzem estresse em adultos

Por EdiCase

No Dia Mundial do Cachorro, celebrado em 26 de agosto, a ciência tem novos motivos para olhar para a relação entre humanos e cães para além da companhia e do afeto. Estudos vêm mostrando que conviver com um pet pode estar associado a diferentes benefícios à saúde, que vão desde a proteção contra infecções nos primeiros anos de vida até impactos positivos sobre o bem-estar emocional.

A pesquisa “The role of dog keeping in the home microbiota and its impact on children’s health”, publicada na revista Pediatric Allergy and Immunology, trouxe achados sobre a relação entre a presença dos pets e o fortalecimento do organismo de bebês. De acordo com o estudo, a exposição a bactérias comuns em casas com cães é responsável por reduzir em até 25% a necessidade do uso de antibióticos na primeira infância. 

A coordenadora da pós-graduação em Pediatria da Afya Educação Médica Belo Horizonte, Dra. Carolina Affonseca, explica que o benefício não parece depender simplesmente de uma maior quantidade ou diversidade de microrganismos no ambiente, mas de determinados grupos vinculados à presença do cão. 

“Uma das explicações envolve a estimulação do sistema imunológico ainda em desenvolvimento. O contato precoce com diferentes microrganismos ambientais poderia ajudar a treinar componentes da imunidade inata e favorecer respostas mais equilibradas diante de infecções comuns. Outro possível caminho passa pelo microbioma intestinal. Estudos encontraram diferenças na composição dessa microbiota em bebês que convivem com cães, incluindo maior diversidade de grupos bacterianos nos primeiros 18 meses de vida e maior presença de bactérias”, explica. 

Microrganismos específicos podem explicar parte da associação

A pesquisa acompanhou bebês entre a 9ª e a 52ª semana de vida e analisou dados sobre episódios de febre, otite, semanas consideradas saudáveis e uso de antibióticos, além de amostras da poeira do ambiente doméstico. A Dra. Carolina Affonseca esclarece que, ao analisar a poeira das residências, os pesquisadores identificaram determinados grupos de bactérias e fungos associados à presença dos cães, entre eles bactérias do gênero Pasteurella. Esses microrganismos específicos foram capazes de explicar estatisticamente cerca de 10% a 25% da associação observada entre ter um cachorro em casa e menor ocorrência de febre, otite e uso de antibióticos.

“Um dado interessante é que o possível benefício não parece depender simplesmente de uma casa com maior quantidade ou diversidade de microrganismos. A riqueza microbiana total da poeira, a concentração geral de bactérias e a proporção de bactérias de origem humana não explicaram a associação. O efeito parece estar relacionado, sobretudo, a determinados microrganismos vinculados à presença do cão”, complementa a médica. 

Fazer carinho no cão pode aumentar a oxitocina e reduzir o cortisol e a frequência cardíaca, contribuindo para o controle do estresse e o aumento do bem-estar (Imagem: sergey kolesnikov | Shutterstock)
Fazer carinho no cão pode aumentar a oxitocina e reduzir o cortisol e a frequência cardíaca, contribuindo para o controle do estresse e o aumento do bem-estar (Imagem: sergey kolesnikov | Shutterstock)

Benefícios da convivência com os cães

Na vida adulta, os benefícios da convivência com cachorro continuam a se acumular, com impactos expressivos sobre a psique e o bem-estar emocional. A pesquisa “Survey: Pet Owners and the Human-Animal Bond September 2016”, realizada pelo Human Animal Bond Research Institute (HABRI), em parceria com o Cohen Research Group, revelou que 74% dos tutores relatam melhorias significativas em sua saúde mental devido ao vínculo com os pets, evidenciando que a presença do animal mitiga quadros de depressão, ansiedade, estresse e solidão, ao mesmo tempo em que eleva a autoestima e incentiva a socialização.

A coordenadora de psicologia da Afya Sete Lagoas, Sabrina Magalhães Teixeira, comenta que três mecanismos nos ajudam a compreender os benefícios da convivência com os cães para os seres humanos:

  • Fisiológica: o contato físico e visual com os cães ativa o sistema neuroendócrino mediado pela oxitocina, hormônio importante na formação de vínculos. Fazer carinho no cão pode aumentar a oxitocina e reduzir o cortisol e a frequência cardíaca, contribuindo para o controle do estresse e o aumento do bem-estar e da segurança;
  • Psicológica: está relacionada à teoria do apego e à percepção do cão como uma “base segura”. Sua presença pode reduzir a sensação de ameaça e medo, favorecendo o bem-estar, a segurança e a capacidade de lidar com os desafios cotidianos;
  • Social: o cão pode ser percebido como uma fonte de apoio e companhia, ajudando a reduzir a solidão, fortalecer a autoestima e promover um senso de propósito por meio do cuidado e do vínculo com o animal.

“É importante destacar que esse vínculo não é automático. Ter um animal, por si só, não garante esses benefícios; é necessário também construir e trabalhar o vínculo entre tutor e animal. A partir desses mecanismos, a convivência pode estar associada à diminuição do estresse, da ansiedade e das preocupações, além do fortalecimento da autoestima, da segurança, da regulação emocional e do senso de propósito e responsabilidade”, explica Sabrina Magalhães Teixeira.

Por Matheus Garcia