Durante a Segunda Guerra, tabuleiros de Banco Imobiliário foram transformados em kits secretos com mapas, bússolas e dinheiro de verdade
Na Segunda Guerra, alguns jogos de Monopoly enviados a prisioneiros escondiam mapas de seda, bússolas e dinheiro para auxiliar fugas.
Para um guarda de campo de prisioneiros, um jogo de tabuleiro enviado num pacote podia parecer apenas uma forma de passar o tempo. Para integrantes treinados da inteligência britânica, porém, alguns jogos podiam esconder mapas de fuga, pequenas bússolas e dinheiro. A camuflagem transformava um objeto banal em equipamento de sobrevivência.

Por que mapas de tecido eram tão úteis numa fuga?
O serviço britânico MI9 trabalhou para fornecer a militares capturados informações e ferramentas que facilitassem evasão e retorno a território aliado. Mapas impressos em seda e outros tecidos podiam ser dobrados repetidamente, escondidos em roupas e manipulados sem o ruído e o volume do papel.
A fabricante John Waddington, responsável pela versão britânica do Monopoly e experiente em impressão sobre tecido, tornou-se parceira valiosa. A mesma capacidade industrial que produzia jogos e embalagens podia ajudar a criar materiais discretos para operações de fuga.

Como um jogo de Banco Imobiliário escondia material secreto?
Relatos e peças preservadas mostram que mapas, bússolas e outros objetos podiam ser ocultados em jogos e pacotes preparados para chegar aos campos. O princípio era simples: esconder equipamentos em itens aparentemente inocentes, enviados por canais que os alemães estavam dispostos a permitir aos prisioneiros.
Dinheiro estrangeiro também era útil depois de atravessar a cerca, porque uma fuga não terminava ao sair do campo. Era necessário viajar, conseguir comida e alcançar redes ou territórios seguros sem chamar atenção.
O que tornava a camuflagem tão eficiente?
O jogo funcionava porque parecia exatamente aquilo que um prisioneiro gostaria de receber para ocupar longas horas. Ao mesmo tempo, determinados sinais permitiam que quem conhecia o esquema distinguisse pacotes preparados para fuga.
Os principais recursos desse tipo de kit incluíam:
- Mapas de seda ou tecido eram leves, resistentes a dobras e silenciosos.
- Pequenas bússolas podiam ajudar o fugitivo a manter direção fora do campo.
- Dinheiro de países europeus aumentava a chance de conseguir transporte e suprimentos.
- O jogo era apenas uma das camuflagens usadas por estruturas britânicas de escape e evasão.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Hoje no Mundo Militar que explica o contexto dos prisioneiros de guerra e das regras que cercam seu tratamento:
Todo tabuleiro de Monopoly enviado a prisioneiros era secreto?
Não. Essa é uma simplificação comum. Jogos normais também circulavam e o programa de evasão usou diversos tipos de objetos, embalagens e organizações de fachada. A história fica mais precisa quando se fala em alguns conjuntos preparados de maneira especial, não em todos os tabuleiros que atravessaram a guerra.
Também é prudente evitar números virais que atribuem determinada proporção de fugas exclusivamente ao Monopoly. A documentação confirma o uso de jogos e mapas de tecido, mas é muito mais difícil medir quantos homens escaparam por causa de um tabuleiro específico.
Por que essa operação continua tão fascinante?
Ela mostra que inteligência militar não depende apenas de códigos e grandes máquinas. Às vezes, a diferença estava em compreender hábitos: um tabuleiro podia passar por inspeção porque parecia entretenimento, enquanto um mapa dobrado no bolso seria imediatamente suspeito.
O contraste é o que mantém a história viva. Casas, hotéis e notas falsas de brincadeira podiam dividir espaço com dinheiro real e rotas de fuga. Um objeto associado à sala de casa acabou servindo, em casos selecionados, como esconderijo de ferramentas destinadas a tirar pessoas de um campo de prisioneiros.