Durante alguns anos, crianças realmente foram enviadas pelo correio nos Estados Unidos porque a postagem saía mais barata que a passagem
Casos como o de May Pierstorff mostram como famílias rurais exploraram regras recém-criadas para economizar no transporte.
Nos primeiros anos do serviço americano de encomendas, algumas famílias descobriram uma brecha tão estranha que parece inventada: se uma criança estivesse dentro do limite de peso aceito, o custo da postagem podia ser menor que o de uma passagem. Assim surgiram casos reais de menores transportados com ajuda de carteiros locais.

Como essa história começou?
O ponto de partida foi a criação do Parcel Post, em 1913, um serviço que ampliou bastante o envio de pacotes pelos correios dos Estados Unidos. Como as regras ainda eram novas e definiam limites principalmente por peso, algumas famílias rurais perceberam que crianças pequenas se encaixavam nessas condições.
Não existia uma política pensada para transportar pessoas. O que houve foi uma interpretação improvisada de um serviço recém-criado, aceita em alguns lugares por funcionários que conheciam as famílias. Em comunidades pequenas, onde o carteiro já fazia parte da rotina local, essa proximidade ajudou a tornar possíveis situações hoje impensáveis.

As crianças eram colocadas junto das encomendas?
Não. Essa é uma das imagens mais exageradas que costumam acompanhar a história. As crianças não eram simplesmente enfiadas em sacos ou caixas e empilhadas com mercadorias. Nos casos registrados, elas viajavam sob supervisão de funcionários postais ou de pessoas ligadas ao serviço.
O aspecto mais curioso está justamente na brecha burocrática. Como o sistema ainda estava sendo ajustado, famílias testaram até onde as regras permitiam ir. O que hoje parece uma falha absurda surgiu em uma época em que os correios estavam expandindo rapidamente suas funções para atender áreas rurais.
Quem foi May Pierstorff?
Um dos casos mais conhecidos ocorreu com May Pierstorff, uma menina de quatro anos que precisava viajar até a casa dos avós. Em 1914, ela percorreu cerca de 117 quilômetros em Idaho usando o serviço postal, porque o valor cobrado era mais baixo do que o preço de uma passagem convencional.
Alguns detalhes ajudam a entender por que esse episódio se tornou tão famoso e, ao mesmo tempo, por que ele não deve ser imaginado como uma encomenda comum:
- May tinha apenas quatro anos e estava dentro do limite de peso então aceito pelo serviço.
- A viagem percorreu cerca de 117 quilômetros pelo estado de Idaho.
- Ela foi acompanhada por um parente que trabalhava para o serviço postal.
- O custo da postagem era menor que o de uma passagem para o mesmo deslocamento.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Evidência Histórica contando a história de como pessoas eram enviadas pelos correios.
Por que famílias rurais recorriam a esse tipo de solução?
No início do século 20, deslocamentos podiam ser caros e complicados para famílias que viviam longe dos grandes centros. O correio, por outro lado, já alcançava áreas rurais com frequência e criava uma rede de confiança entre moradores e funcionários. Isso fazia o novo serviço parecer uma alternativa prática.
A diferença de preço ajudava a tornar a ideia ainda mais tentadora. Para algumas famílias, não se tratava de uma brincadeira, mas de aproveitar uma regra mal definida para resolver um problema real de transporte. Conforme os casos ganharam atenção, porém, ficou claro que o serviço precisava estabelecer limites mais explícitos.
O que essa história revela sobre serviços recém-criados?
Os episódios mostram como uma regra aparentemente simples pode produzir resultados inesperados quando entra em contato com a vida cotidiana. O Parcel Post foi criado para encomendas, mas seus primeiros regulamentos deixaram espaço para interpretações que algumas famílias levaram muito além do que seus criadores provavelmente imaginavam.
Hoje, a ideia de mandar uma criança “pelo correio” parece impossível, mas esses casos nasceram de uma brecha real e de relações locais de confiança. Vale lembrar dessa história sempre que uma nova tecnologia ou serviço surgir, porque usuários costumam descobrir usos que os próprios criadores nunca previram.