É oficial: cientistas confirmam que os mosquitos chegaram a um dos últimos países do mundo onde esses insetos não existiam

Três exemplares encontrados em uma armadilha mudaram o status histórico da Islândia, mas ainda não comprovam uma população estabelecida.

Três mosquitos encontrados em uma armadilha para mariposas foram suficientes para derrubar uma fama histórica da Islândia. Em outubro de 2025, cientistas confirmaram pela primeira vez a presença de exemplares selvagens no país, até então conhecido como um dos raros lugares do planeta sem esses insetos.

O frio intenso nunca foi a única explicação, já que mosquitos vivem em regiões ainda mais geladas, como a Groenlândia.
O frio intenso nunca foi a única explicação, já que mosquitos vivem em regiões ainda mais geladas, como a Groenlândia. - Imagem gerada por IA

Como os mosquitos foram encontrados na Islândia?

A descoberta começou em 16 de outubro de 2025, quando Björn Hjaltason examinava uma corda embebida em vinho tinto instalada na fazenda Kiðafell, na região de Kjós. A isca havia sido colocada para atrair mariposas, mas capturou uma fêmea de mosquito que chamou sua atenção.

Nos dias seguintes, mais dois exemplares apareceram no mesmo local, um macho e outra fêmea. Os insetos foram enviados ao Instituto de Ciências Naturais da Islândia, onde o entomologista Matthías Alfreðsson confirmou que pertenciam à espécie Culiseta annulata.

Armadilhas para mariposas registraram os primeiros exemplares de insetos no país.
Armadilhas para mariposas registraram os primeiros exemplares de insetos no país. - Créditos: Imagem criada por IA.

Por que o país não tinha mosquitos?

O frio intenso nunca foi a única explicação, já que mosquitos vivem em regiões ainda mais geladas, como a Groenlândia. O principal obstáculo islandês era a oscilação do inverno, com períodos de degelo seguidos por quedas bruscas de temperatura que interrompiam o desenvolvimento de ovos, larvas e pupas.

O biólogo Gísli Már Gíslason já havia explicado que essas mudanças rápidas poderiam impedir a conclusão do ciclo de vida dos insetos. Quando o calor temporário ativava seu desenvolvimento, o retorno repentino do frio eliminava as formas jovens antes que chegassem à fase adulta.

O que torna essa espécie resistente ao frio?

A Culiseta annulata é encontrada em diferentes partes da Europa e consegue atravessar o inverno em locais protegidos. Em vez de depender apenas da água para sobreviver durante os meses frios, os adultos podem se esconder em porões, celeiros, anexos e outras construções.

  • Os adultos conseguem passar o inverno em estruturas protegidas das temperaturas extremas.
  • A espécie suporta condições frias encontradas em diferentes regiões do norte europeu.
  • Pântanos, lagoas e águas rasas da Islândia podem servir como locais de reprodução.
  • O transporte de cargas é considerado uma possível rota de entrada no país.

Essa capacidade aumenta a possibilidade de permanência no território islandês. Contudo, a identificação dos três exemplares ainda não comprova a existência de uma população reprodutora. Novas observações serão necessárias para saber se eles chegaram a se estabelecer ou representam um caso isolado.

A resistência a baixas temperaturas permite o abrigo em estruturas humanas.
A resistência a baixas temperaturas permite o abrigo em estruturas humanas. - Créditos: Imagem criada por IA.

O aquecimento global favoreceu essa chegada?

Os insetos apareceram após um período de calor incomum na Islândia. Em maio de 2025, o Aeroporto de Egilsstaðir registrou 26,6 graus Celsius. Temperaturas mais elevadas podem ampliar o tempo disponível para reprodução e melhorar as chances de sobrevivência de espécies vindas de outras regiões.

Um estudo publicado em 2022 na revista Communications Earth & Environment mostrou que o Ártico aqueceu quase quatro vezes mais rápido que a média global entre 1979 e 2021. Mesmo assim, os cientistas ainda não afirmam que o clima foi a causa direta da chegada desses três mosquitos.

A descoberta representa perigo para a população?

A espécie encontrada pode picar, mas não é reconhecida como um importante vetor de dengue, Zika ou chikungunya. Por isso, a confirmação é tratada principalmente como um marco ecológico e um possível incômodo, não como uma emergência de saúde pública para os moradores da Islândia.

O Instituto de Ciências Naturais pediu que a população fotografe ou recolha novos exemplares para análise. Os próximos registros serão decisivos para revelar se uma barreira natural de séculos realmente caiu ou se os três visitantes desapareceram antes de formar uma população permanente.