Eles aprovaram o lançamento de um satélite espelhado para refletir a luz solar e iluminar a Terra onde quer que seja noite.
O Eärendil-1 terá uma película refletora de aproximadamente 18 por 18 metros.
O satélite espelhado Eärendil-1 recebeu autorização nos Estados Unidos para testar uma tecnologia capaz de redirecionar a luz do Sol a uma área específica da Terra depois do anoitecer. O experimento utilizará um refletor ultrafino em órbita baixa, mas não poderá iluminar qualquer lugar continuamente: cada projeção deve durar poucos minutos e dependerá da posição do satélite.

Como o satélite refletirá a luz do Sol durante a noite?
O Eärendil-1 terá uma película refletora de aproximadamente 18 por 18 metros. Depois de aberta no espaço, a estrutura poderá mudar de orientação para captar os raios solares e direcioná-los a uma região delimitada da superfície, funcionando de maneira semelhante a um grande espelho motorizado.
O equipamento não produzirá nem armazenará energia. Sua função será apenas mudar a direção da radiação enquanto estiver iluminado pelo Sol e o ponto escolhido já estiver no período noturno. A operação prevista envolve:
- Órbita situada a aproximadamente 625 quilômetros de altitude;
- Refletor ultrafino, dobrável e controlado remotamente;
- Área iluminada com cerca de cinco quilômetros de diâmetro;
- Duração aproximada de cinco minutos em cada passagem;
- Intensidade inicial estimada em cerca de 0,1 lux.
A iluminação deixará a noite tão clara quanto o dia?
Não. Na primeira demonstração, a luminosidade esperada será semelhante à produzida pela Lua cheia, muito abaixo da intensidade da luz solar durante o dia. O objetivo inicial é verificar se o espelho pode ser aberto, orientado e mantido sobre a área planejada com precisão suficiente.
Para que essa luz solar refletida poderá ser utilizada?
A empresa Reflect Orbital apresenta o projeto como uma possível forma de ampliar temporariamente a geração de usinas fotovoltaicas após o pôr do sol. A radiação adicional poderia alcançar os painéis durante alguns minutos, embora a eficiência real ainda precise ser comprovada em condições atmosféricas e operacionais reais.
Outras aplicações mencionadas para o refletor orbital incluem:
- Iluminar regiões afetadas por desastres e apagões;
- Apoiar operações noturnas de busca e resgate;
- Atender instalações industriais em áreas remotas;
- Auxiliar obras realizadas durante a noite;
- Levar iluminação temporária a locais sem rede elétrica.

A empresa Reflect Orbital apresenta o projeto como uma possível forma de ampliar temporariamente a geração de usinas fotovoltaicas após o pôr do sol. - Imagem gerada por IA
Por que astrônomos e ambientalistas criticam o projeto?
A luz refletida pode atravessar o campo de visão de telescópios, deixar rastros em imagens e dificultar a observação de objetos muito fracos. Também existem dúvidas sobre a dispersão do feixe na atmosfera, pois partículas e nuvens podem espalhar parte da luminosidade para além do ponto selecionado.
Pesquisadores ainda temem alterações no comportamento de aves, insetos e outros animais que dependem da escuridão. Entre as medidas prometidas estão zonas de exclusão e restrições de horário, duração e intensidade, mas os efeitos só poderão ser avaliados depois do teste em órbita.
A autorização permite criar milhares de satélites espelhados?
A decisão alcança apenas um satélite experimental e autoriza seus sistemas de comunicação, operação e pesquisa. Ela não representa uma aprovação automática para uma constelação comercial, e qualquer ampliação dependerá de novas licenças e avaliações regulatórias.
O Eärendil-1 deverá mostrar se é possível controlar um espelho espacial com precisão e iluminar uma área sem provocar impactos excessivos no céu noturno. O resultado da missão determinará se a proposta poderá avançar como serviço de luz solar sob demanda ou permanecerá apenas como uma demonstração tecnológica.