Em 2016, esvaziaram um lago em Pamplona e descobriram que o que parecia uma simples tartaruga era uma espécie invasora: 10 anos depois, ninguém sabe como acabar com o problema
O descarte inadequado de animais domésticos ameaça a biodiversidade local, prejudicando espécies nativas e o equilíbrio ambiental
O esvaziamento do lago de Mendillorri em Pamplona revelou um grave desastre ambiental provocado pelo abandono irresponsável de animais domésticos. Centenas de tartarugas exóticas infestam o local, exigindo campanhas anuais de captura conduzidas pelas autoridades locais com urgência e dedicação.
Como a descoberta no lago de Mendillorri começou?
A remoção da água no parque urbano trouxe à tona centenas de espécimes do galápago-da-Flórida descartados por tutores desinformados. A espécie exótica invasora adaptou-se perfeitamente ao habitat, provocando severos desequilíbrios ecológicos e ameaçando os répteis nativos da região.
A introdução indevida do réptil Trachemys scripta afetou diretamente o ecossistema aquático de Pamplona. Répteis nativos como o galápago-europeu e o galápago-leproso enfrentam forte competição por alimento, o que exige a intervenção constante do Governo de Navarra com métodos de controle.
Quais estratégias são usadas na captura dos répteis?
As equipes de resgate utilizam armadilhas de assoalhamento especialmente projetadas para capturar esses répteis sem causar ferimentos. O mecanismo aproveita o comportamento natural dos animais de buscar o calor solar, permitindo o manejo seguro durante operações anuais de monitoramento.
Mesmo com o empenho contínuo das autoridades locais, a erradicação total torna-se extremamente complexa quando os espécimes alcançam os cursos d’água naturais. O descarte sistemático de espécimes domésticos perpetua a presença do invasor em diversos ambientes de Navarra.
Abaixo, um vídeo do canal Gobierno de Navarra / Nafarroako Gobernua no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:
Por que o abandono de tartarugas se tornou um problema?
A aquisição impulsiva de pequenos filhotes exóticos esconde o rápido crescimento desses répteis, que passam a demandar recipientes maiores e cuidados complexos. Ao se tornarem inviáveis nas residências, centenas de espécimes acabam descartados em rios e lagos com frequência.
Essa prática predatória afeta diretamente os anfíbios e peixes locais, pois a espécie invasora possui dieta voraz e alta resistência biológica. Sem predadores naturais no ambiente aquático, a população exótica cresce vertiginosamente, desequilibrando os ecossistemas da comunidade.
Ações EssenciaisConfira os principais passos para conter o avanço de espécimes invasores em lagos urbanos:
- 1
Instalação de armadilhas de assoalhamento em pontos estratégicos; - 2
Campanhas contínuas de conscientização sobre guarda responsável de répteis; - 3
Monitoramento biológico para preservação dos cágados locais.
Como prevenir a proliferação de espécies exóticas?
A conscientização do público surge como a ferramenta mais eficaz para conter a soltura indevida de répteis em ecossistemas urbanos. Campanhas educativas informam sobre a posse responsável, orientando que a compra de qualquer animal exige compromisso para toda a sua vida.
Além do trabalho informativo, órgãos ambientais ampliam os pontos de acolhimento autorizado para tutores que não conseguem manter seus répteis. Essa alternativa legal previne a contaminação biológica dos recursos hídricos, garantindo a proteção da fauna selvagem.
Abaixo, confira as principais medidas indicadas para evitar o agravamento desse desequilíbrio biológico:
- Proibição da venda de répteis exóticos sem autorização biológica prévia.
- Criação de centros estaduais de triagem e recolhimento de animais descartados.
- Incentivo ao voluntariado em ações comunitárias de limpeza ambiental.
O esvaziamento do lago de Mendillorri em Pamplona revelou centenas de tartarugas exóticas abandonadas. – Imagem gerada por IA
Qual é o futuro das ações de controle em Navarra?
O plano de gestão ambiental prevê a expansão das operações de captura para outras regiões além do município de Pamplona. A expansão das armadilhas alcançará rios e afluentes de localidades vizinhas, reforçando a preservação dos cágados nativos.
A superação do problema exige paciência e vigilância constante por parte das instituições públicas e da sociedade. Somente com a união entre repressão ao abandono e fiscalização rigorosa será possível restaurar o equilíbrio biológico nas bacias hidrográficas.


