Essa estrela-do-mar empurra o próprio estômago para fora do corpo e começa a digerir a presa antes mesmo de engoli-la
A digestão externa permite que estrelas-do-mar alcancem tecidos escondidos e transformem pequenas aberturas em uma eficiente estratégia de alimentação.
Uma estrela-do-mar pode parecer lenta demais para caçar, mas seu sistema digestivo esconde uma estratégia surpreendente. Diante de certas presas, ela projeta parte do próprio estômago para fora da boca e começa a digerir o alimento externamente, antes mesmo de levá-lo para dentro do corpo.

Como o estômago consegue sair do corpo?
As estrelas-do-mar possuem dois estômagos principais, conhecidos como cardíaco e pilórico. Durante a alimentação, o estômago cardíaco pode ser evertido pela abertura da boca, localizada na parte inferior do animal. Em outras palavras, sua parede se vira para fora e entra em contato direto com a presa.
Essa projeção não significa que o órgão esteja se desprendendo. Ele continua ligado ao sistema digestivo enquanto enzimas são liberadas sobre os tecidos encontrados pela estrela. Depois que parte do alimento é transformada em material mais fácil de absorver, o estômago retorna ao interior do corpo levando os nutrientes processados.

Por que digerir a presa do lado de fora?
A digestão externa resolve um problema importante para um animal que não possui mandíbulas capazes de mastigar ou quebrar estruturas resistentes. Ao colocar o estômago diretamente sobre o alimento, a estrela-do-mar consegue iniciar a decomposição de tecidos sem precisar engolir a presa inteira ou arrancar grandes pedaços dela.
Esse mecanismo amplia bastante as possibilidades de alimentação. Entre as vantagens proporcionadas por essa estratégia estão características que ajudam a explicar como um predador aparentemente simples consegue explorar recursos difíceis de alcançar:
- A digestão começa mesmo quando apenas uma pequena área dos tecidos da presa está acessível.
- O animal não precisa engolir estruturas rígidas inteiras para aproveitar o alimento protegido.
- As enzimas transformam tecidos em material mais simples de absorver pelo sistema digestivo.
- O estômago pode alcançar alimento em espaços que seriam difíceis de explorar apenas com a boca.
Como ela consegue comer animais protegidos por conchas?
Moluscos bivalves, como mexilhões e outros animais de duas valvas, podem parecer bem protegidos contra uma estrela-do-mar. O predador, porém, utiliza seus numerosos pés ambulacrais para exercer força sobre as conchas. Não é necessário abrir completamente a presa para que a alimentação possa começar.
Quando surge uma abertura suficiente entre as valvas, o estômago cardíaco pode ser introduzido nesse pequeno espaço. As enzimas digestivas passam então a atuar diretamente sobre os tecidos moles no interior da concha. Assim, uma proteção rígida que impediria a entrada do animal inteiro deixa de ser uma barreira absoluta.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube ShopyTV mostrando 7 curiosidades sobre as estrelas-do-mar que você talvez não conheça.
Uma estrela tão lenta pode realmente ser uma caçadora eficiente?
A velocidade não é o principal recurso desse tipo de predador. Em vez de perseguições rápidas, a estrela-do-mar combina aderência, força contínua e uma anatomia digestiva extremamente adaptável. Seus pés ambulacrais conseguem manter pressão sobre determinadas presas enquanto o processo de abertura e digestão avança gradualmente.
É uma forma de caça baseada em persistência. A presa pode contar com uma concha resistente, mas precisa manter suas partes fechadas diante de uma pressão prolongada. Quando aparece uma pequena oportunidade, a estrela não precisa ultrapassar toda a proteção: basta espaço suficiente para que seu estômago evertido alcance o alimento.
O que essa digestão revela sobre as estrelas-do-mar?
Projetar o próprio estômago para fora parece um comportamento extremo, mas é justamente essa característica que permite às estrelas-do-mar superar limitações óbvias. Sem dentes para triturar conchas e sem grande velocidade, elas transformaram o sistema digestivo em uma ferramenta capaz de atuar onde a boca sozinha não conseguiria.
Na próxima vez que uma estrela-do-mar parecer imóvel e indefesa sobre uma rocha, vale lembrar o que pode estar acontecendo por baixo dela. Observar esses animais com mais atenção revela uma estratégia de sobrevivência impressionante e mostra por que até os caçadores mais lentos do oceano merecem um olhar muito mais curioso.