Essa rã passa o inverno sem respirar e com o coração parado, mas volta a saltar na primavera como se nada tivesse acontecido

Durante o inverno, a rã-da-floresta pode ficar rígida, parar de respirar e apresentar o coração sem batimentos detectáveis.

Durante o inverno, a rã-da-floresta pode ficar rígida, parar de respirar e apresentar o coração sem batimentos detectáveis. Meses depois, com a chegada do calor, ela descongela e volta a saltar. O fenômeno não é ressurreição, mas uma extraordinária adaptação biológica ao frio extremo.

O animal é a rã-da-floresta, conhecida cientificamente como Lithobates sylvaticus e também citada em estudos como Rana sylvatica.
O animal é a rã-da-floresta, conhecida cientificamente como Lithobates sylvaticus e também citada em estudos como Rana sylvatica. - Imagem gerada por IA

Qual animal consegue sobreviver congelado?

O animal é a rã-da-floresta, conhecida cientificamente como Lithobates sylvaticus e também citada em estudos como Rana sylvatica. Ela vive em regiões frias da América do Norte, incluindo Canadá, Alasca e áreas próximas ao Círculo Polar Ártico.

Em vez de fugir para locais profundos, essa pequena rã costuma passar o inverno sob folhas, galhos e uma fina camada de solo. O abrigo reduz a exposição, mas não impede o congelamento. Quando a temperatura cai, parte considerável da água de seu corpo se transforma em gelo.

A rã da floresta sobrevive ao congelamento corporal durante invernos rigorosos.
A rã da floresta sobrevive ao congelamento corporal durante invernos rigorosos. - Créditos: Imagem criada por IA.

Como a rã permanece viva sem respirar?

O congelamento começa nos espaços ao redor das células, enquanto a circulação e a respiração diminuem até praticamente parar. O corpo entra em um estado de atividade mínima, economizando energia durante semanas ou meses. Por fora, o animal parece sem vida, mas seus tecidos continuam protegidos.

Uma pesquisa publicada no Journal of Experimental Biology mostrou que aproximadamente 65% da água corporal pode congelar em condições controladas. A retirada temporária de água das células também ajuda a diminuir os danos que seriam provocados pela formação de cristais em seu interior.

Qual é o segredo contra o congelamento?

Assim que o gelo começa a se formar, o fígado libera rapidamente grandes quantidades de glicose no sangue. A rã também acumula ureia nos tecidos antes do inverno. Essas substâncias atuam como crioprotetores naturais, preservando células e órgãos durante o período de frio.

  • A glicose reduz a perda de água e protege estruturas delicadas dentro das células.
  • A ureia aumenta a resistência dos tecidos durante congelamentos prolongados.
  • O gelo se concentra principalmente nos espaços externos às células.
  • O metabolismo desacelera para preservar energia até o retorno do calor.

Experimentos publicados na revista Cryobiology confirmaram que glicose e ureia reduzem os danos do congelamento nas células do fígado. Populações do extremo norte apresentam proteção ainda maior, resultado de adaptações desenvolvidas para suportar invernos mais longos e rigorosos.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Saber animal mostrando mais características e hábitos da rã-da-floresta.

Como ela desperta quando chega a primavera?

Com o aumento da temperatura, o gelo começa a derreter gradualmente. A circulação é retomada, o coração volta a bater e a respiração reaparece. O processo não ocorre de uma vez, pois o organismo precisa restaurar o equilíbrio de água, açúcar e sais antes de recuperar os movimentos.

Depois de descongelar, a rã deixa o abrigo e segue para lagoas temporárias, onde começa a temporada de reprodução. Pesquisas indicam que o congelamento pode reduzir sua resistência física por algum tempo, mas animais saudáveis normalmente recuperam suas atividades após essa fase de adaptação.

O que essa habilidade pode ensinar à ciência?

Compreender como a rã-da-floresta preserva seus tecidos interessa a pesquisadores de criobiologia e medicina. Seus mecanismos podem inspirar novas formas de conservar células, órgãos destinados a transplantes e materiais biológicos, embora o corpo humano não consiga repetir naturalmente essa estratégia.

A pequena rã mostra que sobreviver ao frio não depende apenas de força, mas de adaptações construídas ao longo da evolução. Conhecer e proteger seus habitats é urgente, porque cada floresta perdida também pode apagar soluções naturais que a ciência ainda está começando a compreender.