Esse animal das profundezas parece um porquinho transparente com pernas e pode carregar pequenos caranguejos “pegando carona” embaixo do corpo
Animais do gênero Scotoplanes vivem a milhares de metros de profundidade e podem servir de abrigo móvel para jovens caranguejos-rei.
Nas planícies escuras do fundo do oceano vive um animal que parece ter saído de uma animação: corpo mole, quase transparente, formato arredondado e estruturas que lembram pequenas pernas. Conhecido como porco do mar, ele pertence ao gênero Scotoplanes e ainda pode servir de “transporte” para jovens caranguejos que se agarram à parte inferior de seu corpo.

O que é um porco do mar?
Apesar do apelido, o porco do mar não tem qualquer parentesco próximo com os porcos terrestres. Ele é um tipo de pepino do mar, pertencente ao grupo dos equinodermos, que também inclui estrelas e ouriços-do-mar. Seu corpo gelatinoso e pálido é uma adaptação à vida em regiões profundas, onde a luz solar simplesmente não chega.
Espécies de Scotoplanes vivem sobre sedimentos do fundo oceânico, muitas vezes a milhares de metros de profundidade. Nesse ambiente frio e submetido a enorme pressão, procuram partículas de matéria orgânica que descem lentamente das camadas superiores do mar e acabam acumuladas sobre o solo abissal.

Como ele consegue caminhar no fundo do oceano?
O aspecto mais curioso está nas estruturas alongadas distribuídas pela parte inferior do corpo. Elas parecem pernas, mas são pés tubulares modificados, estruturas relacionadas ao sistema ambulacrário típico dos equinodermos. Com elas, o animal consegue se erguer ligeiramente e avançar sobre o sedimento em busca de alimento.
Essa anatomia dá ao porco do mar uma aparência quase impossível de confundir. Entre suas características mais marcantes estão justamente as adaptações para uma vida lenta e constante sobre o fundo oceânico:
- Usa pés tubulares alongados que lembram pequenas pernas para se deslocar sobre o sedimento.
- Possui corpo mole e translúcido adaptado às condições extremas das grandes profundidades.
- Procura matéria orgânica depositada no fundo do mar para obter alimento.
Por que pequenos caranguejos pegam carona nele?
Pesquisadores já observaram jovens caranguejos-rei agarrados à região inferior de porcos do mar. Em vez de ficarem expostos diretamente no sedimento, os pequenos crustáceos permanecem próximos ao corpo do animal enquanto ele se movimenta pelo fundo, criando uma cena que lembra passageiros escondidos sob um veículo vivo.
A interpretação é que essa associação possa oferecer algum tipo de proteção durante uma fase vulnerável da vida dos caranguejos. Ficar sob o porco do mar pode dificultar a aproximação de predadores e permitir que os jovens aproveitem um abrigo móvel em um ambiente onde esconderijos físicos nem sempre estão disponíveis.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Mundo Natural! mostrando o porco do mar e seu comportamento no fundo do oceano.
Esse transporte beneficia também o porco do mar?
Ainda não está claro se o Scotoplanes recebe alguma vantagem com a presença dos pequenos caranguejos. A associação é especialmente interessante porque pode ser predominantemente benéfica para os crustáceos, que utilizariam o corpo do hospedeiro como proteção sem necessariamente oferecer algo perceptível em troca.
Comportamentos desse tipo mostram como espécies das profundezas podem estabelecer relações pouco óbvias. Em um ambiente aparentemente vazio, um simples animal caminhando sobre o sedimento pode se transformar em refúgio temporário para outra espécie, criando interações que só começaram a ser conhecidas graças a veículos e câmeras de exploração profunda.
O que os porcos do mar revelam sobre as profundezas?
Durante muito tempo, regiões abissais foram imaginadas como espaços quase sem vida. Hoje se sabe que elas abrigam comunidades complexas, com animais especializados e comportamentos surpreendentes. O porco do mar é um exemplo perfeito: parece estranho aos nossos olhos, mas sua anatomia funciona precisamente para sobreviver sobre um fundo frio, escuro e distante.
E talvez esse seja o detalhe mais fascinante. Quanto mais as profundezas são observadas, mais relações inesperadas aparecem, como pequenos caranguejos viajando sob um pepino do mar com aparência de porquinho transparente. Vale acompanhar essas descobertas, porque boa parte da vida do oceano profundo ainda permanece fora do nosso campo de visão.