Esta criatura transforma a própria pele em uma tela luminosa para conversar na escuridão do oceano
Uma criatura muda de aparência em frações de segundo, acende o próprio corpo e envia sinais visuais para outras ao redor.
Uma criatura muda de aparência em frações de segundo, acende o próprio corpo e envia sinais visuais para outras ao redor. Parece uma cena de ficção científica, mas acontece diariamente nos oceanos. Algumas lulas transformam a pele em uma espécie de tela viva, capaz de exibir cores, manchas e flashes em tempo real.

A pele das lulas funciona como uma tela viva
As rápidas mudanças de aparência são produzidas principalmente pelos cromatóforos, pequenos órgãos elásticos preenchidos com pigmentos. Cada um deles é cercado por músculos controlados pelo sistema nervoso. Quando esses músculos se contraem, o pigmento se espalha e se torna visível na superfície do animal.
Milhares de cromatóforos podem ser ativados em diferentes combinações, criando faixas, pontos, manchas e ondas que percorrem o corpo. Outras estruturas da pele, como iridóforos e leucóforos, refletem a luz e ampliam a variedade de efeitos visuais disponíveis para camuflagem e comunicação.

Os padrões formam uma linguagem visual?
Os cientistas evitam comparar diretamente esses sinais com uma língua humana, formada por palavras e regras gramaticais. Mesmo assim, determinadas sequências parecem transmitir informações sobre intenção, posição, disputa, reprodução e alimentação. A postura e os movimentos dos braços também ajudam a completar cada mensagem.
Uma lula pode escurecer o corpo diante de uma ameaça, produzir contrastes durante uma disputa ou exibir padrões específicos ao se aproximar de outra. Como essas alterações ocorrem rapidamente, o sinal pode acompanhar cada mudança de comportamento, formando um sistema visual dinâmico e ajustado ao contexto.
O que as lulas podem comunicar com a pele?
O significado exato varia entre as espécies e ainda está sendo investigado. Pesquisadores observam os animais na natureza e comparam cada padrão com o comportamento realizado naquele momento. As mensagens visuais podem estar relacionadas a diferentes situações:
- Aviso de agressividade diante de um rival
- Interesse durante a aproximação de um parceiro
- Coordenação de movimentos dentro de um grupo
- Disputa por alimento ou espaço
- Confusão de predadores durante uma fuga
Um mesmo animal também pode combinar sinais ou mostrar padrões diferentes em partes distintas do corpo. Isso permite direcionar uma exibição para um indivíduo próximo sem necessariamente apresentar a mesma informação para todos ao redor, tornando a comunicação mais flexível e sofisticada.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Catch falando mais sobre a inteligência impressionante das lulas.
https://www.youtube.com/watch?v=zCs0gMECbG0
Como as lulas se comunicam na escuridão?
No oceano profundo, a falta de luz poderia tornar as mudanças de pigmentação pouco visíveis. Algumas espécies resolvem o problema com fotóforos, órgãos capazes de produzir luz. O brilho funciona como uma iluminação de fundo, destacando os desenhos escuros formados pelos cromatóforos.
Um estudo publicado em 2020 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences analisou lulas-de-Humboldt em seu habitat natural. Os pesquisadores sugeriram que a bioluminescência torna os padrões da pele visíveis na escuridão, de modo semelhante às letras iluminadas na tela de um dispositivo eletrônico.
A ficção científica já existe no fundo do mar
A pele das lulas reúne pigmentos controlados pelo cérebro, estruturas que refletem luz e, em determinadas espécies, órgãos luminosos. Esse sistema permite esconder o corpo, confundir inimigos e transmitir sinais sem emitir qualquer som. Ainda assim, muitos padrões permanecem sem uma interpretação definitiva.
Compreender essa comunicação pode revelar novas informações sobre inteligência animal e inspirar telas flexíveis, robôs e materiais capazes de mudar de aparência. Proteger os oceanos é urgente, pois cada espécie perdida pode levar consigo códigos visuais que a ciência sequer teve a oportunidade de decifrar.