Este peixe sobrevive fora d’água por períodos surpreendentes e consegue atravessar o solo em busca de outro ambiente aquático
Estruturas respiratórias especiais e uma forma incomum de locomoção permitem que esse peixe enfrente períodos surpreendentes fora da água.
Um peixe fora d’água normalmente parece ter poucas chances, mas o bagre-andador desafia essa lógica. Conhecido cientificamente como Clarias batrachus, ele consegue respirar ar, permanecer algum tempo em terra e até se deslocar pelo solo quando precisa encontrar outro ambiente aquático, comportamento que parece improvável até ser visto.

Como um peixe consegue respirar fora da água?
O segredo está em estruturas respiratórias acessórias localizadas acima das brânquias. Elas permitem que o bagre-andador obtenha oxigênio diretamente do ar, recurso especialmente útil em lagoas, pântanos e outros ambientes com pouco oxigênio dissolvido. Um estudo publicado no Journal of Experimental Biology já demonstrava essa capacidade respiratória em 1971.
Isso não significa que o peixe tenha se tornado um animal terrestre. Para permanecer fora da água, ele precisa evitar a perda excessiva de umidade. Sua capacidade de respirar ar funciona como uma solução temporária para condições difíceis e pode lhe dar tempo suficiente para procurar um local mais favorável.

Ele realmente consegue atravessar o solo?
Sim. Em vez de caminhar como um animal com pernas, o bagre-andador movimenta o corpo de forma ondulante e utiliza as nadadeiras peitorais como apoio. Esse conjunto de movimentos permite que ele avance sobre superfícies úmidas e atravesse trechos de terra entre canais, lagoas e outros corpos d’água.
- Respira ar por meio de órgãos especializados associados às brânquias.
- Mantém o corpo úmido com muco enquanto permanece fora da água.
- Usa movimentos ondulantes e as nadadeiras peitorais para avançar pelo solo.
- Pode abandonar ambientes desfavoráveis e procurar outro local com água.
Uma pesquisa publicada em 2020 no Journal of Fish Biology investigou justamente a locomoção terrestre de Clarias batrachus. Os autores destacaram que a espécie é conhecida tanto por respirar ar quanto por se movimentar em terra, habilidades que ajudam a explicar sua impressionante capacidade de explorar novos ambientes.
Por que ele abandona a água por vontade própria?
Sair da água pode parecer uma escolha perigosa, mas permanecer nela também pode ser arriscado. Poças temporárias podem secar, ambientes rasos podem perder oxigênio e mudanças no nível da água podem deixar o peixe isolado. Nessas situações, atravessar um trecho de terra pode representar uma oportunidade de sobrevivência.
O Museu de História Natural da Flórida destaca que o bagre-andador tolera condições ambientais difíceis e pode deixar a água em busca de um lugar melhor, desde que consiga permanecer úmido. Essa adaptação também ajuda a espécie a ocupar áreas que seriam inacessíveis para muitos outros peixes.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube MY CLICK SUPPORT mostrando uma criação de bagres-andador.
Quanto tempo ele consegue permanecer fora da água?
Não existe um tempo único válido para todas as situações, porque temperatura, umidade, tamanho do animal e condições do ambiente fazem diferença. Fontes especializadas relatam períodos de várias horas fora da água, desde que o peixe consiga manter o corpo suficientemente úmido para evitar uma desidratação rápida.
Por isso, a imagem de um peixe simplesmente vagando indefinidamente em terra é exagerada. Sua habilidade funciona melhor como uma ponte entre dois ambientes aquáticos. Quanto mais quente e seco estiver o solo, maior será o desafio para um animal que continua dependendo da umidade para sobreviver.
Esse peixe mostra que a fronteira entre água e terra não é absoluta
O bagre-andador é um exemplo impressionante de como a evolução pode encontrar soluções para ambientes instáveis. Respirar ar e se deslocar pelo solo não transformaram esse peixe em um animal terrestre, mas deram a ele uma saída quando permanecer dentro da água deixa de ser a opção mais segura.
Da próxima vez que imaginar um peixe completamente indefeso fora d’água, lembre-se desse pequeno especialista em quebrar expectativas. Conhecer adaptações como essa muda nossa percepção sobre os limites dos animais e mostra que, na natureza, sobreviver muitas vezes significa conseguir chegar onde quase ninguém espera.