Estudantes de 12 a 14 anos desenvolvem robô que identifica trechos quentes de ciclovias, testam equipamento em João Pessoa e ganham dois reconhecimentos nacionais

Projeto de estudantes de João Pessoa identifica trechos de ciclovias com temperaturas elevadas e propõe soluções de arborização urbana.

Pedalar por uma ciclovia sem sombra pode transformar poucos minutos de deslocamento numa travessia desconfortável. Em João Pessoa, seis estudantes de 12 a 14 anos decidiram medir trechos quentes em vez de depender apenas da impressão de quem passa por ali. Construíram o robô Baiko, testaram-no em duas áreas da cidade e ligaram os dados a uma plataforma para acompanhar árvores. Em 2026, o trabalho recebeu um primeiro lugar num torneio local e uma menção honrosa nacional. A pergunta que move o projeto é concreta: onde plantar pode melhorar o caminho de quem anda de bicicleta?

O Baiko mede temperaturas e identifica locais que precisam de sombra.
O Baiko mede temperaturas e identifica locais que precisam de sombra.Imagem gerada por inteligência artificial

Como a equipe saiu da ciclovia para a bancada?

Eva Cardoso Saraiva, Poliana Iacillo Dalpra de Oliveira, Valentina Damasceno de Oliveira, Bruno Cerqueira Araújo, Pedro Ferraz Queiroz e Carlos Eduardo Victor estudam na Escola Municipal Aruanda. A equipe Lego Explorers associou a mobilidade ativa ao desconforto térmico nas ciclovias. Antes de propor árvores, precisava reunir informações sobre pontos de exposição ao calor, que podem variar conforme a sombra e a configuração da via.

O projeto recebeu apoio do Pedagogia Urbana, iniciativa de extensão da Universidade Federal da Paraíba coordenada pela professora Andréa Porto Sales. Essa colaboração aproximou a pergunta feita pelos alunos de métodos para observar a cidade. O equipamento não determina sozinho qual espécie plantar nem resolve todos os fatores do calor urbano. Ele ajuda a localizar trechos para análise e planejamento posteriores.

O que Baiko registra durante o percurso?

O robô combina sensor de temperatura, geolocalização, microcontrolador ESP32 e estrutura feita com impressão 3D. Ao circular por uma rota, associa uma leitura térmica a um ponto do trajeto. A localização é essencial: uma temperatura solta não informa onde a situação foi percebida. O conjunto BNC, Sistema Inteligente para Arborização Urbana e Mobilidade Ativa, inclui também a plataforma digital Nossa Copa.

Na plataforma, os dados do Baiko podem ser relacionados ao cadastro e acompanhamento de árvores. O caminho entre medir calor e escolher um plantio exige avaliação adicional de horário, clima, largura da via, rede elétrica e características das espécies. A arborização para criar sombra urbana envolve decisões sobre manutenção, convivência e segurança, não só a vontade de refrescar um ponto no mapa.

A iniciativa pode ajudar no planejamento da arborização urbana.
A iniciativa pode ajudar no planejamento da arborização urbana.Imagem gerada por inteligência artificial

Onde a solução foi posta à prova?

Os estudantes testaram o Baiko nas ciclovias da Avenida Beira Rio e da região das Três Ruas, em João Pessoa. Saíram, portanto, da montagem em sala para observar trechos reais usados por ciclistas. A medição em campo mostra dificuldades que uma demonstração dentro da escola não revela, como a variação de temperatura ao longo da via e a necessidade de identificar exatamente o local de cada registro.

Esses testes não representam um mapeamento completo da cidade. Servem para mostrar como o sistema coleta dados e para comparar pontos de uma rota. Ao repetir percursos em condições diferentes, a equipe pode distinguir calor persistente de variações passageiras. O que a pesquisa escolar oferece agora é um modo de perguntar com mais precisão onde a sombra faz falta.

Que reconhecimentos o grupo recebeu?

Em 2026, a equipe conquistou o primeiro lugar na categoria TPR INNOV para o ensino fundamental II do III Torneio Pessoense de Robótica Ecos do Tempo. O BNC também recebeu menção honrosa na categoria Levantamento de Dados e Pesquisas do XIII Prêmio Promovendo a Mobilidade por Bicicleta no Brasil. São dois reconhecimentos distintos: um ligado ao desenvolvimento de robótica e outro ao uso de dados em favor do deslocamento por bicicleta.

A notícia divulgada pela UFPB apresentou tanto o Baiko quanto a Nossa Copa, ressaltando a parceria de estudantes, escola e extensão universitária. O reconhecimento não significa que o plantio foi realizado em todos os pontos medidos ou que a plataforma se tornou serviço municipal. Esse limite importa porque uma boa ferramenta de diagnóstico ainda precisa encontrar quem tome e acompanhe as decisões de arborização.

Por que árvores não são uma resposta automática?

O sombreamento pode tornar uma ciclovia mais confortável, mas a escolha do lugar e da espécie depende de solo, espaço disponível, copa, raízes, manutenção e circulação de pessoas. Dados de temperatura ajudam a priorizar a conversa, sem substituir esse trabalho. O objetivo é transformar observações em decisões melhores para quem pedala, especialmente em trechos de exposição direta ao sol.

A relação entre áreas verdes e saúde urbana é um contexto útil, mas cada rua tem condições próprias. Quando jovens pesquisadores identificam onde o calor se concentra, criam uma ponte entre a experiência diária dos ciclistas e o planejamento. O resultado mais valioso do teste pode ser saber exatamente quais perguntas fazer antes de plantar.

O que fica depois das medições e dos prêmios?

Seis estudantes levaram um problema da rua para a eletrônica e depois devolveram a investigação à rua. Baiko registra pontos quentes; Nossa Copa organiza informações que podem ajudar a acompanhar árvores. O primeiro lugar e a menção honrosa reconheceram essa combinação, mas a utilidade futura dependerá da qualidade das medições e de como elas serão usadas por quem cuida do espaço público.

O projeto não promete esfriar João Pessoa com um robô. Ele oferece uma maneira de tornar visível uma diferença que o ciclista sente no corpo: a distância entre pedalar sob sol direto e percorrer uma faixa sombreada. Ao colocar números e lugares na mesma conversa, os alunos fizeram da ciclovia uma pergunta de pesquisa e abriram espaço para respostas mais responsáveis.