Estudantes de Porto Seguro se cansam da falta de informações sobre ônibus, criam sistema para mostrar rotas e previsão de chegada e conquistam prêmio numa competição com mais de 5 mil inscritos na Bahia
Estudantes criaram um aplicativo experimental para informar a chegada dos ônibus e descobriram a importância de dados atualizados e confiáveis.
Mara esperava o ônibus com outros estudantes e ouvia a mesma pergunta quase todas as manhãs: ele já havia passado? No ponto não havia painel, e o horário impresso estava gasto. Quando a turma recebeu um desafio de criar uma solução para um problema do bairro, ela sugeriu mostrar trajetos e previsão de chegada num aplicativo. A primeira versão parecia promissora numa tela. No teste de rua, a estimativa falhou porque o telefone perdeu sinal. A equipe precisou decidir se apresentaria a ideia bonita ou o problema real que acabara de descobrir.

Que dificuldade os estudantes observaram?
Os passageiros conheciam o trajeto de memória, mas não sabiam se um atraso era de poucos minutos ou se o ônibus já havia saído. Algumas pessoas caminhavam até outro ponto para perguntar. Mara e dois colegas passaram uma semana registrando horários de passagem sem identificar passageiros. Perceberam diferenças entre dias e horários. Um cálculo baseado numa única viagem não ajudaria quem esperava na chuva ou precisava decidir se ainda conseguiria chegar ao trabalho.
A turma consultou exemplos de aplicativos de mobilidade, mas evitou copiar funções sem entender de onde viriam os dados. Mara conversou com usuários do ponto e perguntou que informação seria mais útil: localização do veículo, sequência de paradas ou aviso de interrupção. As respostas variaram. A equipe escolheu começar por um mapa simples e mostrar claramente quando a previsão fosse apenas estimada.
Como o protótipo passou a funcionar?
Os estudantes montaram um registro de posições em intervalos de teste e criaram uma tela que mostrava a rota. Uma colega desenhou letras grandes e contraste legível sob sol forte. Outro ficou responsável por armazenar os horários quando a conexão caía. O sistema ainda não recebia dados de uma frota inteira. Era um protótipo alimentado pelos próprios testes, suficiente para verificar se a interface fazia sentido e onde as estimativas falhavam.
Na primeira demonstração, um marcador avançou no mapa mesmo depois que o telefone de teste ficara sem sinal. Mara percebeu que o usuário poderia tomar um dado antigo como posição atual. A equipe acrescentou o horário da última atualização e um aviso visível de conexão interrompida. Orientações sobre acessibilidade de interfaces ajudaram a lembrar que a informação não podia depender só de cor ou de um ícone pequeno.

Quem ajudou a melhorar a ideia?
Uma professora sugeriu comparar a previsão com o tempo efetivo de chegada em diferentes dias. O motorista de uma linha explicou que trânsito e paradas demoradas mudavam o percurso. Passageiros alertaram que um mapa detalhado demais seria difícil de ler enquanto se aproximavam do veículo. Cada conversa mudou uma parte do projeto. A turma registrou sugestões, mas não prometeu resolver todas numa versão de demonstração.
O grupo levou o protótipo a uma feira estudantil. Mara apresentou os erros encontrados junto com os acertos. Um visitante perguntou se o aplicativo já funcionava para todos os ônibus da cidade. Ela respondeu que não: sem dados contínuos e cooperação de quem opera as linhas, não haveria previsão confiável em escala. A clareza surpreendeu a própria equipe. O prêmio recebido na feira reconheceu a proposta, não uma implantação concluída.
O que faltava para chegar aos pontos de ônibus?
Seria necessário acesso autorizado a dados atualizados, manutenção do sistema, testes com passageiros e uma forma de informar alterações de rota. Mara também pensava em pessoas sem telefone ou internet móvel. Um painel no ponto ou informação por outro canal poderia ser parte da solução, mas exigiria recursos adicionais. A turma desenhou essas possibilidades no relatório sem atribuir à feira um compromisso que ninguém havia assumido.
Num novo teste, a previsão errou por vários minutos quando houve uma obra na rua. A equipe registrou a diferença e ajustou a mensagem para deixar claro que se tratava de uma estimativa. Preferiu um aviso honesto a um número preciso apenas na aparência. Mara percebeu que a tecnologia só ajudaria se as pessoas soubessem quando confiar nela e quando procurar outra informação. Uma tela atraente não substituía a qualidade dos dados por trás dela.
Qual resultado ficou depois da apresentação?
Os estudantes tinham um protótipo, registros de observação e uma lista de condições necessárias para avançar. Não haviam eliminado a espera no ponto, mas demonstraram como tornar uma parte dela menos incerta quando houvesse dados confiáveis. Mara guardou uma captura da primeira tela ao lado da versão corrigida. A diferença entre as duas mostrava o que aprenderam fora da sala de aula, especialmente com passageiros que lidavam com a falta de informação todos os dias.
Na manhã seguinte à feira, ela voltou ao mesmo ponto. O ônibus atrasou e o aplicativo de teste ainda não podia informar sua posição. Mara anotou a hora num caderno, como fizera no início, e viu uma pessoa perguntar se ele já havia passado. Respondeu com o que sabia, sem inventar previsão. O projeto permanecia inacabado, mas agora a equipe entendia com precisão qual pergunta precisava responder para que a futura ferramenta fosse útil.