Fernando Majeras, açougueiro: “Há três coisas fundamentais a observar na carne: a cor, a gordura e o cheiro.”

A gordura da carne ajuda a avaliar o corte e influencia o sabor, a suculência e o preparo.

Ao comprar carne fresca, observar apenas o preço ou a aparência do corte não é suficiente. Segundo o açougueiro Fernando Majeras, a cor, a gordura e o cheiro oferecem pistas importantes sobre o estado do produto e ajudam o consumidor a perceber alterações antes de levar a peça para casa.

O cheiro é um dos sinais mais diretos percebidos pelo consumidor.
O cheiro é um dos sinais mais diretos percebidos pelo consumidor. - Imagem gerada por IA

O que a cor revela sobre a carne?

A carne bovina fresca pode apresentar tons que variam do vermelho vivo ao vermelho mais escuro, dependendo do contato com o oxigênio, da embalagem e do tempo de exposição. Majeras recomenda atenção especial quando o corte apresenta escurecimento intenso, áreas esverdeadas ou aparência diferente do restante da peça.

A cor deve ser analisada em conjunto com outros sinais. Um corte pode escurecer naturalmente dentro de uma embalagem sem estar deteriorado, mas mudanças acompanhadas de cheiro desagradável, superfície pegajosa ou embalagem estufada exigem cautela.

  • Observe se a tonalidade está uniforme na maior parte do corte;
  • Procure manchas esverdeadas ou pontos com aparência incomum;
  • Verifique se existe excesso de líquido dentro da embalagem;
  • Considere também o cheiro e a textura antes da compra.

Por que a aparência da gordura é importante?

A gordura da carne ajuda a avaliar o corte e influencia o sabor, a suculência e o preparo. Fernando Majeras destaca a gordura branca como uma característica desejável, enquanto alterações acentuadas de cor ou odor precisam ser avaliadas com atenção.

Como o cheiro ajuda a identificar um produto alterado?

O cheiro é um dos sinais mais diretos percebidos pelo consumidor. A carne fresca possui aroma discreto e característico, enquanto odores azedos, rançosos ou muito intensos podem indicar deterioração ou conservação inadequada.

Alguns cuidados ajudam a avaliar o produto sem depender de apenas um indicador:

  • Não compre carne com odor desagradável ou incomum;
  • Evite embalagens abertas, danificadas ou estufadas;
  • Confira a data de validade e as condições de refrigeração;
  • Observe se a superfície está viscosa ou excessivamente pegajosa;
  • Mantenha o produto refrigerado durante o transporte para casa.

    O cheiro é um dos sinais mais diretos percebidos pelo consumidor.
    O cheiro é um dos sinais mais diretos percebidos pelo consumidor. - Imagem gerada por IA

Como conservar a carne na geladeira e no freezer?

Quando a carne será consumida em pouco tempo, Majeras recomenda retirá-la da sacola do açougue e colocá-la em um prato ou recipiente fechado na geladeira. O armazenamento deve impedir que líquidos entrem em contato com outros alimentos e provoquem contaminação cruzada.

Se o corte não for usado nos próximos dias, o ideal é congelá-lo ainda fresco, bem embalado e separado em porções. Esperar que o produto comece a apresentar alterações na geladeira para só depois levá-lo ao freezer não recupera sua qualidade.

Cor, gordura e cheiro devem ser avaliados em conjunto

Nenhuma característica isolada garante que um corte esteja próprio para consumo. A qualidade da carne também depende da procedência, da temperatura do balcão refrigerado, da integridade da embalagem e dos cuidados adotados depois da compra.

Observar a tonalidade, a gordura e o aroma permite identificar sinais evidentes de alteração, mas produtos com aparência suspeita não devem ser provados para confirmar seu estado. Quando houver dúvida sobre a conservação, descartar o corte evita que uma economia momentânea se transforme em risco de intoxicação alimentar.