Inaugurada em 1960 e reconhecida pela Unesco em 1987, a capital brasileira desenhada por Lucio Costa é a única cidade moderna com o título de Patrimônio Mundial

Entre eixos e superquadras, a capital revela uma ideia de país planejado.

Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960 e ainda surpreende quem desembarca na capital pela primeira vez. Desde 1987, o Plano Piloto é Patrimônio Mundial reconhecido pela Unesco. Um roteiro de viagem pelos eixos, monumentos e superquadras da cidade é, na prática, um passeio por uma ideia de país que começou no papel.

Como Lucio Costa desenhou a cidade em forma de avião?

Lucio Costa venceu em 1957 o concurso para o plano urbanístico da nova capital, com um projeto apresentado em poucas pranchas e croquis feitos à mão. O traçado cruza dois eixos: o Eixo Monumental, onde ficam os prédios do governo, e o Eixo Rodoviário, que corta as áreas residenciais das Asas Sul e Norte.

Visto do alto, o desenho lembra um avião ou um pássaro, e essa imagem virou símbolo de Brasília. Para o turista, entender essa lógica ajuda bastante. Os endereços usam siglas como SQS e SQN, e quem aprende a ler o mapa circula pelo Plano Piloto sem depender tanto do GPS.

O título da Unesco e o tamanho da área protegida

A Unesco incluiu o conjunto na lista do Patrimônio Mundial em dezembro de 1987, menos de 30 anos depois da inauguração. Foi um reconhecimento raro para uma cidade do século 20, e os detalhes da inscrição estão na página oficial do Centro do Patrimônio Mundial da Unesco sobre Brasília. A área tombada do conjunto urbanístico é extensa, e o tombamento também limita os prédios das superquadras a seis andares e mantém a escala bucólica prevista no projeto original. Para conferir os limites exatos da área protegida, consulte o Iphan e a página da Unesco.

O projeto de Lucio Costa cruza o Eixo Monumental com o Eixo Rodoviário, que conecta as áreas residenciais – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
O projeto de Lucio Costa cruza o Eixo Monumental com o Eixo Rodoviário, que conecta as áreas residenciais – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial - Catraca Livre

Obras de Oscar Niemeyer que valem a visita

Lucio Costa traçou as linhas da cidade, mas foi Oscar Niemeyer quem deu forma aos prédios mais fotografados. As curvas de concreto armado aparecem ao longo de todo o Eixo Monumental, e muitas das construções podem ser visitadas, mas as condições de acesso e a eventual cobrança de ingresso devem ser conferidas nos canais oficiais de cada local. Um bom roteiro a pé ou de carro inclui:

  • Congresso Nacional, com as duas cúpulas e as torres gêmeas;
  • Catedral Metropolitana, com seus vitrais e as 16 colunas de concreto;
  • Palácio do Planalto e Praça dos Três Poderes;
  • Palácio Itamaraty, com o espelho d’água e os jardins de Burle Marx;
  • Memorial JK, onde estão os restos mortais de Juscelino Kubitschek.

O Congresso e o Itamaraty fazem visitas guiadas em dias e horários definidos, então confira a agenda antes de ir. No fim da tarde, a luz sobre a Esplanada dos Ministérios rende as melhores fotos da viagem.

Na Superquadra 308 Sul, prédios sobre pilotis e áreas verdes revelam a proposta residencial de Lucio Costa – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial
Na Superquadra 308 Sul, prédios sobre pilotis e áreas verdes revelam a proposta residencial de Lucio Costa – Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial - Catraca Livre

O que fazer no Plano Piloto além dos monumentos?

O dia a dia do Plano Piloto também conta a história do projeto. As superquadras, com prédios sobre pilotis e muito verde entre os blocos, mostram como Lucio Costa imaginou a moradia na capital. Algumas experiências ajudam a conhecer a cidade de perto:

  • caminhar pela Superquadra 308 Sul, considerada um modelo, e visitar a Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, também de Niemeyer;
  • subir na Torre de TV para ver os eixos do alto e passear pela feira de artesanato no térreo;
  • assistir ao pôr do sol na Ermida Dom Bosco, às margens do Lago Paranoá;
  • pedalar ou caminhar no Eixão aos domingos e feriados, quando a pista fica fechada para carros.

Por que Brasília merece um roteiro próprio?

Muita gente vê Brasília como cidade de passagem, mas dois ou três dias bastam para percorrer o Eixo Monumental, conhecer as superquadras e jantar na beira do Lago Paranoá. O período de seca, de maio a setembro, costuma trazer céu limpo e pouca chuva. Em compensação, a umidade do ar cai muito, então leve água e protetor solar nos passeios.

Visitar a capital é andar por dentro de um projeto que a Unesco protege como patrimônio. Cada quadra, palácio e eixo segue o desenho de Lucio Costa e as formas de Oscar Niemeyer. Quem reserva alguns dias para conhecer a cidade volta para casa entendendo por que o Plano Piloto é estudado por arquitetos do mundo inteiro.