Incêndio destrói loja do pai, filha passa três anos aprendendo a fazer bolos na cozinha de outra família e transforma recomeço em duas unidades com 12 funcionários

Depois de incêndio que destruiu o comércio do pai, Viviane aprendeu a fazer bolos e construiu empresa com duas unidades.

O incêndio que destruiu os boxes de ferramentas do pai de Viviane Queiroz parecia encerrar uma fonte de sustento familiar em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Durante a crise, ela passou a ajudar na cozinha da sogra de um amigo e aprendeu a fazer bolos ao longo de cerca de três anos. Mais tarde, o pai lhe entregou as chaves de uma antiga loja. Em agosto de 2026, a empresa Os Bolos da Vivi tinha duas unidades e 12 empregados contratados. O caminho entre as cinzas e a vitrine nova não aconteceu de uma vez. Onde começou a mudança?

Viviane transformou experiência na cozinha em uma marca própria de bolos.
Viviane transformou experiência na cozinha em uma marca própria de bolos.Imagem gerada por inteligência artificial

O que o incêndio provocou na família?

O pai de Viviane perdeu seus espaços de venda de ferramentas num camelódromo. A perda comprometeu a atividade comercial que sustentava parte da rotina familiar e obrigou todos a repensar o futuro. O fogo não criou automaticamente outro negócio. Antes de encontrar uma direção, Viviane atravessou um período difícil e passou a ocupar o tempo ajudando em uma cozinha que não era de sua família.

Essa cozinha pertencia à sogra de um amigo. Ali, Viviane começou a aprender a fazer bolos, sem imaginar que a experiência viraria uma empresa com unidades próprias. A passagem de uma habilidade alimentar para um empreendimento exige prática e clientes; no caso de Viviane, o primeiro recurso foi o tempo dedicado a aprender.

Como três anos de cozinha mudaram os planos?

Viviane permaneceu nesse processo por aproximadamente três anos. Repetir receitas, observar preparo e lidar com resultados diferentes ajudou a construir uma habilidade que não surgiria de uma única tentativa. A atividade começou como forma de atravessar uma fase difícil e gradualmente ofereceu uma possibilidade de trabalho. O período de aprendizagem é parte central da história, não um intervalo a ser pulado entre perda e sucesso.

Os bolos também permitiam testar se havia interesse de outras pessoas pelo que fazia. A reportagem do percurso profissional de Viviane apresenta a crise e as capacitações posteriores, mas não revela um faturamento exato dos primeiros pedidos. Não há base para inventar um cliente decisivo ou uma encomenda que teria mudado tudo de um dia para o outro.

Empresa chegou a duas unidades e 12 funcionários contratados em 2026.
Empresa chegou a duas unidades e 12 funcionários contratados em 2026.Imagem gerada por inteligência artificial

Quando apareceu a oportunidade de abrir uma loja?

O pai entregou a Viviane as chaves de uma antiga loja da família. O gesto disponibilizou um espaço concreto para trabalhar, ainda que espaço físico não garanta clientela ou organização. Viviane passou a produzir e vender sob o nome Os Bolos da Vivi. A trajetória do pai, interrompida pelo incêndio, continuou ligada à da filha por meio dessa oportunidade de recomeçar em outro ramo.

No início, ela fazia praticamente tudo: preparo, atendimento, contas e organização do estabelecimento. Concentrar tantas funções na mesma pessoa dá controle imediato, mas também limita o tempo disponível para cada tarefa. A loja exigia manter qualidade do produto enquanto a demanda variava. Viviane precisou aprender não só a assar bolos, mas a decidir preços, lidar com despesas e criar uma rotina viável para o negócio.

Como a empresa deixou de depender só dela?

Capacitações de gestão ajudaram Viviane a organizar processos e expandir a operação. Aprender a delegar e acompanhar resultados torna-se necessário quando um negócio deixa a escala de uma pessoa. O apoio empresarial citado na fonte contribuiu para essa mudança. O crescimento não deve ser atribuído apenas ao curso, pois dependeu também da produção, da procura dos clientes e do trabalho cotidiano da equipe.

Em agosto de 2026, Os Bolos da Vivi mantinha duas unidades e 12 colaboradores contratados formalmente, além de parceiros. Os números descrevem uma fase posterior ao início solitário. Não informam lucro líquido, nem provam que a empresa jamais enfrentou outros obstáculos. Mostram, porém, uma mudança de escala concreta: tarefas que Viviane antes concentrava passaram a ser distribuídas numa estrutura com postos de trabalho.

Que relação existe entre a perda e o novo negócio?

O incêndio criou uma crise, não uma oportunidade agradável ou desejável. Foi durante a reação a essa perda que Viviane encontrou a cozinha onde desenvolveu uma habilidade. Mais tarde, a loja cedida pelo pai tornou possível testar um comércio próprio. A sequência é importante porque evita tratar sofrimento como requisito para empreender. A família tomou decisões sucessivas com os recursos que tinha.

O negócio de bolos também não substitui a história anterior da família de forma simples. A loja e a participação do pai ligaram o trabalho novo ao antigo, enquanto as técnicas aprendidas fora de casa acrescentaram outra direção. A expansão precisou de organização própria, já que os desafios de vender alimentos não são iguais aos de comercializar ferramentas. A mudança de ramo exigiu começar de novo em vários sentidos.

O que as duas unidades representam hoje?

Elas marcam a distância entre Viviane sozinha, cuidando de tudo, e uma empresa capaz de manter 12 vínculos formais em 2026. O número não resolve toda a história, mas concretiza o resultado de anos de aprendizagem e gestão. A cozinha da sogra de um amigo e as chaves entregues pelo pai foram etapas distintas de um mesmo processo de reconstrução profissional.

Quando os boxes queimaram, a família perdeu algo que já funcionava. O desfecho não devolve aquele estabelecimento, mas mostra o que Viviane construiu depois: uma marca de bolos, uma equipe e um negócio em mais de um endereço. A história ganha força justamente porque o recomeço levou tempo e não apagou a perda que o antecedeu.