Jornalista deixa a área de comunicação para transformar resíduos naturais da Amazônia em biojoias e consegue colocar a marca em três pontos de venda em Belém
Jornalista de Santarém encontrou nos resíduos naturais uma oportunidade de criar biojoias que valorizam a identidade amazônica.
Restos naturais que poderiam passar despercebidos ganharam forma de biojoias nas mãos de uma jornalista de Santarém. Natashia Santana tinha experiência em comunicação e marketing quando começou, em 2023, a desenvolver a Nunghara, marca que une design e identidade amazônica. Em agosto de 2026, as peças já estavam em três pontos de venda em Belém, enquanto uma parceria em São Paulo começava. Entre a primeira coleção e as vitrines houve ajustes de preço, fabricação e gestão. Como uma habilidade de contar histórias ajudou a construir um negócio de objetos materiais?

O que Natashia fazia antes das biojoias?
Formada em Jornalismo, Natashia trabalhou com comunicação e marketing. A mudança profissional não apagou essas experiências: apresentar uma marca, conversar com clientes e dar contexto a cada peça são tarefas próximas do repertório de quem já atuou nessa área. Morando em Santarém, no oeste do Pará, ela observou possibilidades de aproveitar materiais naturais disponíveis na região.
A ideia não era apenas recolher qualquer resíduo e transformá-lo em adorno. Era criar coleções com desenho contemporâneo e ligação visível com o território amazônico. As biojoias como expressão de renda e cultura local oferecem um contexto para esse mercado, mas a seleção de materiais e as decisões da Nunghara pertencem ao percurso particular de Natashia.
Como a Nunghara começou a tomar forma?
Natashia iniciou o projeto em 2023. Desenvolver coleções envolveu experimentar materiais, processos e acabamentos até encontrar peças que pudessem ser produzidas e vendidas com consistência. O briefing não especifica todas as espécies vegetais empregadas nem autoriza dizer que qualquer material retirado da natureza tem origem automaticamente sustentável. O que está documentado é o aproveitamento de resíduos naturais como base da proposta.
No início, ela usou recursos próprios. Isso trouxe liberdade de testar, mas também concentrou riscos e decisões de gestão. Uma peça bonita não resolve o custo dos insumos, o tempo de trabalho ou a escolha dos pontos de venda. A transição de projeto criativo para empresa exigiu que essas contas acompanhassem o desenho das coleções.

Quais obstáculos apareceram na gestão?
Entre as dificuldades relatadas estavam precificação, organização dos processos de fabricação e escolha dos canais de venda. Cobrar pouco pode impedir que o trabalho se pague; cobrar sem explicar o valor do design e do material pode afastar o público. Natashia teve de ajustar as coleções enquanto aprendia a administrar essa relação entre criação e operação.
A reportagem do Sebrae Pará sobre a Nunghara registra capacitações e mentorias posteriores. Elas ajudaram a organizar aspectos do negócio, sem oferecer uma fórmula pronta ou eliminar o investimento inicial. A experiência em comunicação foi útil, mas aprender a calcular custos e manter produção exigiu conhecimentos adicionais.
Onde as peças estavam à venda em 2026?
Em agosto de 2026, a marca tinha três pontos de comercialização em Belém: o Polo Joalheiro, a Loja da Assobio e a Loja Igarapé. Também havia iniciado uma parceria com um estabelecimento comercial em São Paulo. Esses locais indicam circulação além de Santarém, embora não revelem volume de vendas nem equivalham a três lojas próprias da empreendedora.
Cada ponto pode apresentar as peças a um público diferente. Para Natashia, essa presença exigia planejar reposição, qualidade e apresentação da marca sem perder a ligação com o oeste do Pará. A distância entre a cidade em que mora e os espaços de venda torna a organização logística tão importante quanto a criação de uma nova coleção. Cada reposição precisa preservar acabamento e identidade entre lugares de comercialização, sem que a notícia detalhe transporte, estoque ou contratos. Essa lacuna importa para não apresentar três vitrines como três unidades próprias.
Por que o território é parte do produto?
A Nunghara combina resíduos naturais com uma linguagem de design associada à Amazônia. Isso ajuda a distinguir as peças de acessórios fabricados em série, mas não significa que qualquer biojoia seja idêntica às demais nem que exista uma origem única para todo material. Seleção, tratamento, desenho e acabamento fazem parte da transformação antes de uma peça chegar à vitrine.
A formação em Jornalismo também aparece nessa etapa. Contar a procedência e o sentido da peça pode aproximar o comprador do trabalho, desde que a narrativa acompanhe práticas verificáveis. O valor cultural não é um enfeite acrescentado depois: orienta o modo como Natashia quis posicionar sua marca e apresentar a região onde vive.
O que a transição profissional revela?
A passagem da comunicação para a administração de uma marca de biojoias reuniu competências antigas e tarefas novas. Desde 2023, Natashia fez ajustes nas coleções, investiu recursos próprios, procurou mentoria e chegou a pontos de venda identificados em Belém. É uma trajetória concreta, ainda sem números públicos de faturamento ou escala que permitam chamá-la de grande operação.
O resultado mais nítido está na combinação de material, desenho e gestão. O resíduo natural só vira peça comercializável quando alguém escolhe, trabalha e organiza sua circulação. Natashia encontrou nessa sequência outra forma de comunicar a Amazônia, agora por meio de objetos que saem de Santarém e chegam a outras vitrines.