Levaram 40 ovelhas para pastar perto de painéis solares, e isso começou a mudar a forma como a energia é produzida
Usinas solares precisam controlar a vegetação ao redor das placas.
Um grupo levou 40 ovelhas para pastar em uma área ocupada por painéis solares e transformou uma tarefa de manutenção em parte do próprio sistema de produção de energia. Em vez de usar máquinas para cortar a vegetação ao redor das estruturas, os animais passaram a controlar o crescimento do capim enquanto o terreno continuava produzindo eletricidade. A ideia faz parte de um modelo chamado agrivoltaico, que combina geração solar com atividades agrícolas ou pecuárias no mesmo espaço.

Por que colocar ovelhas embaixo de painéis solares?
Usinas solares precisam controlar a vegetação ao redor das placas. Se o mato cresce demais, pode dificultar o acesso, aumentar custos de manutenção e até sombrear partes mais baixas da instalação.
Tradicionalmente, esse trabalho pode exigir roçadeiras, tratores ou aplicação de herbicidas. As ovelhas oferecem outra solução: comem a vegetação continuamente e conseguem circular entre as estruturas sem exigir grandes alterações no terreno.
Elas também têm uma vantagem em relação a animais maiores. Bovinos, por exemplo, podem encostar ou danificar equipamentos com mais facilidade. As ovelhas são menores e se adaptam melhor aos espaços entre as fileiras de painéis.
O que muda na manutenção da usina?
O principal ganho está na redução da necessidade de cortar o capim mecanicamente. Isso pode diminuir o uso de combustível, o número de passagens de máquinas e parte do custo associado à limpeza da área.
O sistema também permite que um mesmo terreno tenha duas funções:
- produção de energia solar;
- alimentação dos animais;
- controle da vegetação;
- uso agrícola contínuo da propriedade;
- menor necessidade de roçada mecânica.
Em vez de transformar completamente uma área rural em espaço exclusivo para infraestrutura energética, o pastoreio mantém uma atividade agropecuária acontecendo junto com a geração elétrica.
Os painéis também podem beneficiar as ovelhas?
Sim. As estruturas criam áreas de sombra que podem ser úteis principalmente em dias muito quentes. Dependendo da altura e da disposição dos módulos, os animais conseguem descansar sob os painéis durante parte do dia.
A presença das placas também altera pequenas condições do solo, como incidência de sol e distribuição de umidade. Isso pode mudar o crescimento da vegetação embaixo e entre as fileiras, criando áreas com características diferentes dentro do mesmo campo.
O efeito não é automaticamente positivo em qualquer lugar. Tipo de solo, clima, espécie de pastagem e desenho da usina influenciam bastante o resultado.

Isso significa que qualquer usina solar pode receber ovelhas?
Não. Antes de introduzir animais, é necessário verificar altura dos painéis, cabeamento, cercas, disponibilidade de água e presença de plantas que possam ser tóxicas. O manejo também precisa evitar excesso de animais em uma área pequena, o que poderia degradar o solo.
O produtor ainda precisa considerar:
- densidade adequada do rebanho;
- água limpa disponível;
- cercamento seguro;
- proteção de cabos e equipamentos;
- rotação das áreas de pastejo quando necessário.
Por que esse modelo começou a chamar tanta atenção?
Porque ele responde a uma crítica comum feita a grandes instalações solares: a ocupação de áreas que antes tinham uso agrícola. Quando energia e pecuária conseguem compartilhar o mesmo espaço, o terreno não precisa necessariamente escolher entre uma atividade ou outra.
As 40 ovelhas não produzem eletricidade, mas mudam a maneira como a área produtora de energia é administrada. Elas transformam o controle do capim em pastagem e permitem que uma mesma propriedade gere alimento e energia ao mesmo tempo. É justamente essa combinação que vem fazendo o chamado pastoreio solar ganhar espaço como uma alternativa simples para integrar agricultura e energia renovável.