Mergulhadores descobriram um “computador” com mais de dois mil anos escondido em um naufrágio na Grécia

Em 1900, mergulhadores de esponjas da ilha de Simi procuraram abrigo perto de Anticítera após enfrentarem condições ruins no mar.

O mecanismo de Anticítera ficou oculto no mar por cerca de dois milênios, entre estátuas, ânforas e outros objetos de um navio antigo. Recuperado por mergulhadores gregos no início do século XX, o artefato revelou engrenagens de bronze capazes de transformar ciclos celestes em movimentos mecânicos. Sua complexidade alterou a compreensão sobre a tecnologia desenvolvida na Grécia Antiga.

O equipamento teria sido construído entre aproximadamente 150 e 100 a.C. dentro de uma caixa de madeira.
O equipamento teria sido construído entre aproximadamente 150 e 100 a.C. dentro de uma caixa de madeira. - Imagem gerada por IA

Como os mergulhadores descobriram o naufrágio na Grécia?

Em 1900, mergulhadores de esponjas da ilha de Simi procuraram abrigo perto de Anticítera após enfrentarem condições ruins no mar. Durante um mergulho, localizaram estátuas e outros vestígios espalhados no fundo do mar Egeu. A descoberta deu início à primeira grande operação de arqueologia subaquática realizada no local.

Entre 1900 e 1901, os mergulhadores gregos retiraram do naufrágio de Anticítera esculturas, moedas, joias, recipientes e fragmentos metálicos. Um dos objetos parecia apenas um bloco de bronze corroído misturado a restos de madeira. Somente depois que o material chegou a Atenas uma roda dentada visível chamou a atenção dos pesquisadores.

Por que o mecanismo de Anticítera é chamado de computador?

O aparelho não possuía eletricidade, memória digital ou tela. Ele recebeu o nome de computador analógico porque usava relações matemáticas entre rodas dentadas para representar informações. Ao girar uma manivela, suas engrenagens de bronze movimentavam ponteiros e mostradores associados ao calendário e aos cálculos astronômicos. Entre as funções identificadas estão:

  • acompanhar a posição do Sol e da Lua;
  • representar as fases lunares;
  • indicar ciclos de eclipses solares e lunares;
  • organizar calendários baseados em ciclos astronômicos;
  • marcar o período de competições esportivas, incluindo o ciclo dos Jogos Olímpicos antigos.

Como funcionavam as engrenagens encontradas no artefato?

O equipamento teria sido construído entre aproximadamente 150 e 100 a.C. dentro de uma caixa de madeira. Em seu interior, mais de 30 engrenagens de bronze transmitiam movimentos em velocidades diferentes. O sistema convertia a rotação manual em ciclos ligados ao Sol, à Lua e aos cinco planetas conhecidos pelos estudiosos da Grécia Antiga.

As inscrições gravadas nas placas funcionavam como orientações de uso e descrições dos fenômenos representados. Tomografias e imagens de raios X permitiram ler parte desses textos sem separar os fragmentos. Com os dados, pesquisadores criaram modelos digitais para reconstruir o possível mostrador frontal e compreender como os cálculos astronômicos eram exibidos.

O equipamento teria sido construído entre aproximadamente 150 e 100 a.C. dentro de uma caixa de madeira.
O equipamento teria sido construído entre aproximadamente 150 e 100 a.C. dentro de uma caixa de madeira. - Imagem gerada por IA

Quais dúvidas sobre o antigo computador ainda permanecem?

Grande parte do aparelho desapareceu no naufrágio de Anticítera ou foi destruída pela corrosão. Por isso, cada reconstrução precisa combinar peças preservadas, inscrições incompletas, conhecimentos de astronomia helenística e testes mecânicos. As principais questões ainda debatidas envolvem:

  • a identidade do artesão ou grupo responsável pela construção;
  • o local exato onde o instrumento foi produzido;
  • a organização completa do mostrador dedicado aos planetas;
  • a precisão real das previsões feitas pelo aparelho;
  • o funcionamento das peças e dos ponteiros que não foram encontrados;
  • a possibilidade de pequenas falhas nas rodas causarem travamentos durante o uso.

Novas análises continuam revelando detalhes do artefato

O computador da Grécia Antiga permanece sob investigação porque técnicas modernas conseguem extrair informações antes invisíveis. Em 2024, uma análise estatística dos furos preservados em um dos anéis indicou que o mostrador provavelmente possuía 354 ou 355 divisões, resultado compatível com um calendário lunar, e não com um círculo de 365 dias.

O mecanismo de Anticítera está preservado no Museu Arqueológico Nacional de Atenas, mas seu projeto completo ainda não foi recuperado. Enquanto partes do mostrador, algumas engrenagens de bronze e a autoria permanecem desconhecidas, o artefato continua mostrando que artesãos helenísticos conseguiam transformar observações celestes e relações matemáticas em uma máquina portátil de alta complexidade.