Mulher de 31 anos atravessa sozinha quase 3.800 quilômetros do oceano Pacífico a remo, termina viagem um dia antes do aniversário e quebra recorde que durava 86 dias
Americana atravessou sozinha o Oceano Pacífico em um barco a remo e estabeleceu recordes ao completar a jornada em menos de 44 dias.
Kelsey Pfendler saiu da Califórnia sozinha num barco a remo e chegou a Oahu, no Havaí, um dia antes de completar 32 anos. Foram 3.776,2 quilômetros no Pacífico em 43 dias, 17 horas e 55 minutos, tempo inferior à antiga marca feminina de 86 dias para aquela rota. O desembarque em 4 de julho de 2026 também lhe deu o título de mulher mais jovem a completar a travessia solo. Entre a largada e a comemoração, ela teve de enfrentar ondas, privação de sono e reparos no barco Lily. Como manteve o ritmo por mais de seis semanas?

Por que Kelsey escolheu atravessar sozinha?
Ela já tinha experiência em remo e esportes de água. Começou a remar aos 18 anos e participara de outra travessia oceânica com três companheiras. Queria descobrir o que conseguiria realizar sem tripulação. A decisão não surgiu de uma primeira aventura improvisada: exigiu treinamento, planejamento de alimentação, navegação e manutenção do barco.
O trecho escolhido vai de Monterey, na Califórnia, a Oahu, no Havaí. A categoria oficial considera essa travessia do Pacífico médio de leste para oeste, não qualquer deslocamento solitário entre dois pontos do oceano. Kelsey partiu em 21 de maio de 2026 a bordo do Lily, embarcação de aproximadamente 7,3 metros preparada para longos períodos no mar.
Como foram os primeiros dias fora da costa?
Vento e correntes contrárias dificultaram o avanço. Kelsey contou que dormiu muito pouco nos quatro primeiros dias, enquanto precisava remar e controlar o barco em ondas grandes. Sair da costa da Califórnia foi, segundo seu relato, uma das partes mais duras. O início mostra que atingir um recorde não dependeu de avançar sempre no mesmo ritmo.
A preparação de outras travessias oceânicas a remo ajuda a situar o desafio de navegar longe de apoio imediato, embora rotas e condições sejam diferentes. Kelsey precisava de tempo para remar, descansar e atualizar a navegação. O barco era transporte, abrigo e espaço de trabalho, sem um companheiro para revezar turnos.

Que rotina permitiu atravessar o Pacífico?
Depois da fase inicial, organizou períodos de remo e descanso. Descreveu noites em que remava até meia-noite, dormia duas horas, voltava a remar por três e descansava mais duas. Também escutava audiolivros, fazia reparos e acompanhava informações de tempo e rota. A alimentação incluía itens embalados e desidratados, planejados para sustentar esforço prolongado.
A rotina relatada durante a travessia mostra uma sequência de decisões pequenas, repetidas por semanas. Não significa que duas horas de sono sejam uma estratégia saudável para outras pessoas. Em alto-mar, as condições impuseram escolhas de uma expedição extrema; o resultado de Kelsey não é modelo de privação de sono.
Quando ela avistou Oahu?
Depois de mais de 43 dias, Kelsey viu a ilha e precisou completar a chegada pelo trecho de mar que antecede o desembarque. A perspectiva de terra não encerrava automaticamente o percurso. Ela queria terminar sem perder tempo na etapa final, ciente de que correntes e condições locais ainda podiam interferir na rota.
Em 4 de julho de 2026, chegou ao Havaí e foi recebida por centenas de pessoas. Completara 3.776,2 quilômetros em 43 dias, 17 horas e 55 minutos. A marca oficial traz precisão de dias, horas e minutos; não equivale a dizer que remou sem parar durante todo esse período. Descanso, manutenção e alimentação fizeram parte da duração total.
Quais recordes saíram da mesma viagem?
O tempo superou o recorde feminino anterior de 86 dias na travessia solo definida para essa rota. Kelsey também se tornou a mulher mais jovem a concluí-la, aos 31 anos e 364 dias. Nascida em 5 de julho de 1994, terminou em 4 de julho de 2026, exatamente na véspera do aniversário. São duas categorias distintas reconhecidas pelo Guinness.
Em setembro, participou do programa de Jennifer Hudson e recebeu os certificados durante a gravação. A aparição pública aconteceu depois da chegada e da verificação, não durante a viagem. O tempo de 43 dias não deve ser confundido com os 86 dias anteriores como se fossem distâncias ou equipes diferentes sem categoria definida: a comparação se refere à marca feminina de velocidade na mesma rota solo.
O que Kelsey planeja fazer depois?
Ela anunciou intenção de enfrentar outras rotas oceânicas a partir de 2028, incluindo o Índico. Esses projetos não são viagens já concluídas nem novos recordes. A experiência no Pacífico mostrou o que conseguiu realizar naquela tentativa, com preparação prévia e respostas diárias às condições do mar. O futuro exigirá planejamento e verificação próprios.
A história começa com uma mulher que queria medir sua capacidade de remar sozinha e termina com dois certificados e uma chegada na véspera dos 32 anos. O número impressionante não elimina o trabalho entre as datas: mais de seis semanas de navegação, repouso interrompido, reparos e decisões de rota. Foi esse conjunto, registrado do começo ao fim, que tornou possível transformar a travessia em recorde.