Mulher de Franca aprende a cultivar cogumelos sem conhecer nenhum produtor na região, usa serragem e resíduos agrícolas na produção e consegue dobrar o faturamento
Empreendedora de Franca aproveitou resíduos agrícolas para cultivar cogumelos e conseguiu dobrar o faturamento do negócio.
Sandra Melo saiu da vida no campo, fez um curso de cultivo de cogumelos e se deparou com uma pergunta difícil em Franca: a quem pedir ajuda quando quase não havia produtores próximos que servissem de referência? A resposta exigiu experimentar condições de produção, explicar aos clientes como cozinhar o alimento e organizar um negócio antes limitado a cogumelos frescos. Em agosto de 2026, o Sebrae-SP informou que a empresa havia dobrado o faturamento. Como serragem e outros resíduos entraram nessa história, e o que de fato mudou na gestão?

Como Sandra entrou no cultivo?
A empreendedora de Franca participou de um curso do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural depois de deixar a rotina no campo. Não tinha experiência anterior com cogumelos. O treinamento abriu a possibilidade, mas a operação cotidiana exigia adaptar o conhecimento às condições locais e encontrar materiais adequados para o cultivo. A ausência de produtores próximos tornou mais difícil observar soluções já testadas na região.
Cogumelos não são plantas e dependem de condições próprias de temperatura, umidade e substrato para se desenvolver. Ajustes pequenos podem alterar o resultado de um lote. Sandra precisou aprender a lidar com o clima de Franca e com a apresentação de um alimento que nem toda família conhecia. O desafio técnico e o desafio comercial avançaram juntos.
Para que servem serragem e resíduos?
O substrato fornece uma base para o fungo crescer e obter nutrientes. Sandra utilizou materiais como serragem, capim, feno e subprodutos da cana-de-açúcar. Empregar resíduos agrícolas pode dar novo destino a materiais disponíveis, mas eles precisam ser selecionados e preparados conforme a espécie cultivada e as condições sanitárias do processo.
O aproveitamento não significa jogar qualquer sobra num recipiente e esperar cogumelos comestíveis. É uma etapa técnica, sujeita a contaminação e perdas. A conservação dos cogumelos frescos depois da colheita também depende de cuidados específicos. No negócio de Sandra, os materiais contribuíram para uma atividade que precisou também aprender a vender seu produto.

Como conquistar clientes para um alimento pouco habitual?
Sandra passou a frequentar feiras e eventos, oferecendo degustações e explicando maneiras de preparar cogumelos. Esse contato reduz a distância entre um produto fresco e a rotina de quem ainda não sabe o que fazer com ele. O comprador pode avaliar sabor, textura e possibilidades de uso antes de levar a primeira embalagem para casa.
A conversa na banca também permite testar apresentações e ouvir objeções. Não há dados para afirmar quantas pessoas se tornaram clientes após uma degustação, mas a estratégia descrita pelo Sebrae combina demonstração e educação do consumidor. Vender cogumelos frescos exige regularidade de produção e logística, pois a qualidade pode diminuir com o tempo.
O que o ALI Produtividade acrescentou?
Com apoio do programa ALI Produtividade, do Sebrae-SP, Sandra reorganizou a gestão, ampliou canais de venda e diversificou a atuação da empresa Cogumelo. O programa não plantou os fungos por ela: ofereceu acompanhamento para olhar o negócio além da produção. Isso inclui decisões sobre clientes, produtos e organização do trabalho.
A evolução do empreendimento de Sandra foi divulgada pela instituição em agosto de 2026. O faturamento duplicou em relação ao período anterior considerado, mas a reportagem não traz os valores absolutos nem comprova que lucro e faturamento cresceram na mesma proporção. A distinção impede transformar uma informação relevante em promessa financeira genérica.
O que mudou além da receita de vendas?
A empresa deixou de depender apenas da comercialização de cogumelos frescos e passou a oferecer outras opções. Diversificar pode ajudar a alcançar públicos e ocasiões de compra diferentes, embora cada novo produto também exija planejamento. A pauta não informa exatamente a participação de cada linha na receita total, portanto não cabe atribuir a duplicação a um único item.
O resultado reúne aprendizado agrícola, uso de materiais reaproveitados e construção de mercado. Não há uma fórmula universal para dobrar faturamento em qualquer cultivo: clima, espécie, clientes e custos mudam. O caso mostra uma empreendedora que trabalhou simultaneamente o que acontece na produção e o que acontece depois que o alimento sai dela.
Por que a dificuldade inicial foi decisiva?
Sem produtores próximos para consultar e sem compradores familiarizados com o ingrediente, Sandra teve de testar e explicar repetidamente. Essas duas faltas poderiam ter limitado a empresa a pequenos lotes e vendas ocasionais. Em vez disso, ela passou a usar eventos para aproximar o público e apoio técnico para revisar a gestão.
A serragem e os resíduos agrícolas são a parte visível de uma mudança maior: materiais antes destinados a outros usos passaram a sustentar cogumelos; um alimento pouco familiar ganhou apresentação e canais de venda. O faturamento duplicado é o resultado comunicado em 2026, não o ponto de partida nem a prova de que os desafios acabaram. A história se completa quando cultivo e mercado entram na mesma conta. A comparação com o período anterior exige conhecer custos e volume vendido para dizer algo sobre rentabilidade. Sem isso, dobrar faturamento é uma conquista comercial concreta, mas não uma medida completa da saúde financeira da empresa.