Mulher deixa duas máquinas de costura guardadas por mais de 14 anos, decide voltar a usá-las depois de uma palestra e começa a construir o próprio ateliê na Bahia
Após deixar máquinas de costura paradas por 14 anos, mulher retomou a profissão e começou a construir seu próprio ateliê.
Duas máquinas de costura ficaram guardadas por mais de 14 anos na casa de Manuela da Silva Nunes, em Formosa do Rio Preto, na Bahia. Ela sabia costurar, mas não via aquela habilidade como profissão. Depois de ouvir outras empreendedoras num encontro em 2025, recuperou os equipamentos e começou a atender clientes. Quase um ano mais tarde, a renda pagava seu curso e ajudava a construir um ateliê em casa. O que mudou entre possuir as máquinas e finalmente decidir usá-las para trabalhar?

Por que as máquinas ficaram paradas tanto tempo?
Manuela tinha uma máquina doméstica e uma overlock semi-industrial, mas não as usava profissionalmente. O briefing não atribui a pausa a uma causa única, como falta de peças, doença ou fechamento de um ateliê anterior. O dado central é o contraste entre possuir ferramentas e não se reconhecer como alguém capaz de oferecer um serviço remunerado.
Na época do encontro que marcaria a mudança, ela enfrentava baixa autoestima. Isso afetava a forma como enxergava uma habilidade já existente. O silêncio das máquinas por mais de 14 anos não significava que o conhecimento tivesse desaparecido; mostrava que transformar habilidade em trabalho exige também decidir o que oferecer, a quem vender e como cobrar.
O que ela ouviu no encontro de 2025?
Manuela participou do Circuito da Mulher Empreendedora, evento com palestras e relatos de outras mulheres que administravam negócios. Ao escutar experiências diferentes, passou a imaginar uma aplicação concreta para a costura. A reportagem não apresenta uma frase isolada que tenha funcionado como ordem ou solução; a mudança foi a decisão dela depois da troca de experiências.
A organização de um ateliê de costura envolve espaço, equipamentos e cálculo de custos, mas Manuela começou com o que já tinha. Não precisou comprar duas máquinas novas para dar o primeiro passo. Seu desafio inicial era colocar as antigas em uso e construir uma clientela sem esperar por uma estrutura completa.

Como começou a atender clientes?
Depois do encontro, recuperou as duas máquinas e passou a oferecer serviços de costura. A fonte não descreve uma primeira encomenda específica nem o valor cobrado; esses detalhes não devem ser inventados. O começo documentado é uma passagem gradual do equipamento guardado ao trabalho regular, com decisões sobre tempo, qualidade e relacionamento com quem encomenda.
Uma máquina doméstica e uma overlock permitem etapas diferentes de confecção e acabamento. Ter ambas não elimina a necessidade de aperfeiçoar técnicas e administrar pedidos. Manuela enfrentou esse aprendizado enquanto ainda consolidava a atividade, usando as primeiras oportunidades para mostrar seu serviço. O processo ganhou consistência quando os clientes voltaram e passaram a confiar em seu trabalho.
O que aconteceu quase um ano depois?
A costureira já havia conquistado clientes fixos. Isso não fornece uma taxa de faturamento nem prova que todos os dias tenham o mesmo volume de encomendas. Indica, porém, que o trabalho deixou de depender apenas de pedidos ocasionais. A renda passou a financiar seu curso de aperfeiçoamento, uma forma de reinvestir na própria capacidade de atender melhor.
A trajetória de retorno à costura também inclui a construção de um ateliê na residência. Construir não é o mesmo que já operar um espaço acabado. O dinheiro das costuras ajudava a tornar possível essa etapa, enquanto o trabalho continuava. Esse detalhe evita transformar um empreendimento em desenvolvimento numa empresa já pronta.
Por que ela quer formalizar a atividade?
Em 2026, Manuela planejava estruturar melhor o negócio e obter um CNPJ. Era um objetivo, não uma formalização que a fonte já confirmasse. A organização pode ajudar a separar finanças pessoais e profissionais, controlar encomendas e planejar investimentos, mas a decisão depende de avaliar a realidade do próprio serviço e as exigências aplicáveis.
O curso pago com o trabalho mostra uma escolha concreta: usar a renda atual para melhorar o que oferecerá depois. O ateliê em construção indica que ela passou a imaginar um espaço próprio, mas sem a necessidade de atribuir resultados futuros como se já tivessem acontecido. Cada passo permanece ligado a clientes e trabalho efetivo.
O que aquelas máquinas representam hoje?
Representam o instrumento de uma profissão que Manuela passou a reconhecer em si. Ela saiu de um período longo sem usar os equipamentos para uma rotina com clientes fixos, estudo e construção de espaço de trabalho. Não houve máquina mágica: a mudança veio da decisão de retomar uma habilidade, colocá-la à prova e continuar aprendendo com os pedidos.
A história ainda está em andamento. O ateliê não precisa estar concluído para que o contraste seja visível: durante mais de 14 anos, as máquinas ficaram guardadas; agora a costura ajuda a pagar o curso e a erguer o lugar onde ela espera trabalhar. O encontro de 2025 abriu uma possibilidade, mas foi a execução dos serviços, com aprendizado contínuo e clientes recorrentes, que transformou essa possibilidade em renda.