Na Coreia do Sul, famílias se reúnem para preparar grandes quantidades de vegetais fermentados antes do inverno: por que essa tradição se tornou Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade
A tradição comunitária do kimjang fortalece laços, preservando a identidade cultural coreana antes da chegada do inverno rigoroso
Durante o outono na Coreia do Sul, famílias e vizinhos organizam uma grande mobilização coletiva para produzir alimentos fermentados essenciais. Essa prática ancestral fortalece a identidade cultural das comunidades, transformando a rotina culinária em um momento único de solidariedade entre gerações.
O que é a tradição do kimjang na Coreia do Sul?
Conhecida formalmente como kimjang, essa atividade tradicional reúne parentes e amigos próximos para preparar grandes volumes de vegetais. A receita utiliza principalmente acelga e rabanete, que passam por um processo minucioso de fermentação para garantir sabor e durabilidade.
Muito além de um método culinário simples, o costume simboliza a união das pessoas envolvidas no trabalho compartilhado. A produção em larga escala reforça a cooperação comunitária, permitindo que todos dividam as tarefas e celebrem a cultura alimentar do país.
Por que o preparo coletivo ocorre antes do inverno?
O calendário dessa prática está ligado diretamente ao clima severo enfrentado na Coreia do Sul. Realizar o preparo durante o final do outono garante a preservação dos vegetais necessários para alimentar as famílias ao longo de todo o rigoroso inverno.
Como as temperaturas congelantes inviabilizavam novas colheitas, a técnica de conservar os alimentos se tornou vital. O esforço conjunto assegura a proteção de todos os lares, transformando a época prévia ao frio em um período de intensa partilha comunitária.
Abaixo, um vídeo do canal UNESCO no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:
Como o conhecimento ancestral é transmitido entre as gerações?
O aprendizado dessa tradição milenar acontece de maneira oral e participativa no ambiente doméstico. Os saberes sobre o ponto correto do tempero e o tempo de repouso são passados com paciência pelos mais velhos, garantindo que cada família preserve seu próprio legado.
Ao participarem ativamente das etapas do preparo, os jovens desenvolvem respeito pela herança histórica de seus antepassados. Esse contato constante fortalece os laços afetivos entre parentes de diferentes idades, promovendo um profundo sentimento de continuidade e reforçando a memória coletiva nacional.
Quais valores comunitários tornam esse costume tão especial?
A cooperação mútua é o pilar que sustenta o kimjang em vilas e cidades. Vizinhos se revezam para ajudar uns aos outros em mutirões organizados, demonstrando que a verdadeira generosidade e a união comunitária superam qualquer dificuldade gerada pelas adversidades naturais.
Ao final de todo o processo, os recipientes cheios de comida são compartilhados amplamente entre os participantes e pessoas necessitadas. Esse gesto espontâneo reafirma o compromisso social da vizinhança, estabelecendo fortes vínculos de pertencimento e consolidando a paz coletiva.
A vivência comunitária desse ritual expressa princípios fundamentais valorizados pelos participantes:
- Divisão equilibrada do esforço físico durante a manipulação dos vegetais.
- Compartilhamento generoso dos potes fermentados com parentes e vizinhos.
- Reforço contínuo dos laços afetivos e do respeito entre os cidadãos.
Por que a prática conquistou o reconhecimento da UNESCO?
No ano de 2013, a UNESCO inscreveu essa tradição na lista representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O reconhecimento internacional destacou que o valor primordial do costume reside na capacidade de congregar pessoas em torno de um objetivo comum e generoso.
A distinção global protege expressamente o ato comunitário de cooperar e dividir, e não apenas o alimento preparado em si. Essa consagração assegura a valorização perpétua de uma prática que preserva a essência humana através do respeito mútuo e do afeto compartilhado.

