Na Coreia do Sul, mulheres com mais de 80 anos ainda mergulham até 10 metros de profundidade sem cilindros de oxigênio para buscar frutos do mar: a tradição reconhecida pela UNESCO que atravessa gerações

Mulheres idosas preservam a tradição do mergulho em Jeju, unindo força histórica e sustentabilidade marinha

Nas águas geladas da ilha coreana, corajosas mulheres idosas desafiam os limites humanos diariamente. Elas realizam mergulho em apneia profunda para recolher preciosos moluscos e ouriços, provando que a determinação comunitária supera qualquer barreira imposta pelo tempo biológico.

As tradicionais haenyeo garantem autonomia financeira e preservação ecológica na Coreia do Sul.
As tradicionais haenyeo garantem autonomia financeira e preservação ecológica na Coreia do Sul.Imagem gerada por inteligência artificial

Quem são as notáveis haenyeo da ilha de Jeju?

Conhecidas historicamente pelo nome tradicional de haenyeo, essas trabalhadoras representam um símbolo extraordinário de força e protagonismo na ilha de Jeju. Desde tempos antigos, elas assumiram o sustento familiar através da desafiadora coleta marinha costeira realizada sem nenhum suporte artificial.

Essa estrutura social singular garantiu ampla autonomia financeira feminina em uma sociedade outrora bastante patriarcal. Unidas em sólidas cooperativas pesqueiras locais, as mergulhadoras desenvolveram métodos participativos de gestão que preservam o equilíbrio ecológico dos mares e fortalecem os laços de solidariedade comunitária.

Como essas mergulhadoras descem dez metros sem oxigênio?

Alcançando frequentemente até dez metros de profundidade, essas experientes mulheres operam sem o uso de cilindros de oxigênio comprimido. A descida exige enorme autocontrole mental, além de uma capacidade pulmonar impressionante lapidada por décadas de repetição constante no oceano.

Durante as repetidas imersões diárias, elas capturam manualmente valiosos abalones e ouriços presos às rochas subaquáticas. Cada mergulho requer extrema resistência corporal, conhecimento detalhado das marés traiçoeiras e respeito absoluto aos limites biológicos para evitar acidentes fatais nas profundezas.

Abaixo, um vídeo do canal UNESCO no YouTube ilustra com imagens marcantes essa impressionante rotina aquática:

Qual é o segredo da longevidade ativa dessas idosas?

Mesmo ultrapassando a impressionante marca de oitenta anos de idade, muitas dessas mulheres mantêm uma rotina ativa no mar. O controle consciente da respiração desenvolve uma disciplina revigorante, permitindo que a mente e o corpo permaneçam ágeis apesar do envelhecimento natural.

O contato frequente com a água salgada e o esforço físico moderado consolidaram um saudável costume de vida. Essa integração harmônica com o ambiente marinho fomenta uma admirável longevidade, sustentada pelo senso de utilidade coletiva e pelo convívio diário entre companheiras de ofício.

Por que a UNESCO declarou a prática patrimônio imaterial?

No ano de 2016, a prestigiada UNESCO consagrou a cultura singular dessas mergulhadoras como patrimônio imaterial da humanidade. O título global celebrou a relevância de saberes tradicionais transmitidos por gerações, além de exaltar a liderança feminina exercida na comunidade costeira de Jeju.

A premiação mundial enfatizou igualmente o compromisso com a sustentabilidade marinha demonstrado pelas veteranas. Ao recusarem aparelhos motorizados, elas realizam uma colheita ecológica consciente, respeitando os ciclos de reprodução das espécies aquáticas e impedindo a exploração predatória dos recursos naturais.

Dentre os aspectos mais valorizados pelo comitê internacional para a concessão desse reconhecimento, destacam-se os seguintes pontos:

  • Preservação rigorosa de técnicas de mergulho ecológicas sem equipamentos mecânicos.
  • Estímulo contínuo à liderança comunitária e autonomia financeira feminina.
  • Transmissão estruturada de conhecimentos ambientais e culturais através das gerações.
A cultura singular das mergulhadoras foi consagrada como patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO.
A cultura singular das mergulhadoras foi consagrada como patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO.Imagem gerada por inteligência artificial

De que maneira esse legado tradicional sobrevive no presente?

Para garantir a continuidade desse patrimônio, foram criadas escolas especializadas dedicadas a ensinar as técnicas de mergulho para novas alunas. Além disso, museus temáticos registram a memória do ofício, atraindo visitantes interessados na preservação dessa rica herança cultural.

Mesmo com as inevitáveis modernizações da Coreia contemporânea, a identidade das mergulhadoras permanece profundamente viva. Elas personificam uma sabedoria ancestral inestimável, reafirmando que o respeito à natureza e a coragem feminina constituem as verdadeiras riquezas da ilha.

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