Newfoundland introduziu alces em 1878; hoje, cerca de 110 mil animais estão impedindo a regeneração das florestas da ilha
A multiplicação descontrolada de alces em ilhas canadenses ameaça a vegetação nativa, transformando toda a dinâmica da floresta local
A transferência de animais para novos territórios pode gerar profundas transformações ecológicas. Quando quatro alces chegaram à ilha canadense no século dezenove, ninguém previa que a ausência de predadores transformaria a paisagem, sufocando o desenvolvimento natural da floresta boreal contemporânea.

Como os alces chegaram à ilha de Newfoundland?
A história dessa introdução começou formalmente em 1878, com a liberação planejada de indivíduos trazidos de outras províncias. Os idealizadores do projeto buscavam enriquecer a fauna regional e disponibilizar caça abundante para os colonos, sem antecipar o rápido crescimento populacional subsequente.
Com invernos toleráveis e uma enorme quantidade de alimento disponível nas matas nativas, a espécie se adaptou perfeitamente ao habitat. Sem a presença relevante de lobos ou outros caçadores de grande porte, esses grandes herbívoros prosperaram livremente pelas terras insulares.
Qual é a dimensão atual da população desses animais?
Ao longo das décadas seguintes, a quantidade de espécimes subiu vertiginosamente, alcançando marcas históricas expressivas no território. Estimativas recentes apontam que a população atual está em torno de cento e dez mil indivíduos, mantendo uma densidade extraordinária para o ecossistema insular.
Essa concentração massiva gera uma pressão biológica contínua sobre a vegetação, superando em muito a capacidade de suporte regional. Em várias regiões protegidas, a presença excessiva de animais impede que novas mudas atinjam a fase adulta de maturação vegetal.
Abaixo, um vídeo do canal Parks Canada (YouTube) no YouTube que aprofunda os pontos discutidos neste tema:
Por que a regeneração das florestas está ameaçada?
O hábito alimentar desses mamíferos consiste no consumo voraz de brotos tenros, galhos finos e pequenas mudas nativas. Ao pastarem continuamente no estrato inferior da mata, eles provocam um severo sobrepastoreio, interrompendo a sucessão ecológica natural do bioma florestal.
Árvores antigas morrem naturalmente por intempéries ou pragas, mas não encontram exemplares jovens para substituí-las no dossel. Esse processo degrada a composição botânica, transformando áreas antes densamente cobertas por coníferas em campos abertos de gramíneas e arbustos empobrecidos.
Principais efeitos da superpopulaçãoO consumo excessivo de brotos afeta diretamente o equilíbrio ambiental da ilha:
- 1
Redução drástica na renovação de árvores coníferas nativas; - 2
Perda de refúgio e alimento para espécies da fauna local; - 3
Conversão de florestas fechadas em paisagens abertas e empobrecidas.
Quais parques nacionais enfrentam os maiores desafios?
As áreas de conservação sofrem de maneira intensa os impactos desse desequilíbrio causado pelo excesso populacional. Localidades emblemáticas como o Parque Nacional Gros Morne e o Parque Nacional Terra Nova registram danos severos em suas matas, exigindo medidas urgentes de proteção ambiental.
Nesses locais protegidos, a taxa de perda florestal supera com folga a capacidade natural de recomposição da paisagem. Pesquisadores apontam que grandes parcelas antes arborizadas tornaram-se incapazes de sustentar a biodiversidade original característica dessa região setentrional.
Os desafios mais visíveis enfrentados pela administração dos parques incluem:
- Devastação contínua de mudas jovens nas trilhas e encostas;
- Diminuição de habitats para aves e pequenos roedores nativos;
- Abertura permanente de clareiras que alteram o microclima florestal.
Quais medidas de manejo estão sendo adotadas?
Diante da urgência do cenário, a agência governamental Parks Canada estruturou programas especiais de intervenção direta no ecossistema. A iniciativa autorizou a caça controlada em zonas específicas dos parques nacionais, visando conter os danos ecológicos e restaurar o equilíbrio botânico.
Além do controle populacional ativo, equipes monitoram cercamentos experimentais para acompanhar a recuperação das plantas sem a interferência animal. A meta de longo prazo consiste em permitir que as árvores voltem a germinar e reconstituam a cobertura original da floresta.

